Clima misterioso do maior evento de extinção em massa da Terra já tem explicação

A maior extinção em massa na Terra, que marcou o fim do período permiano, há cerca de 252 milhões de anos, exterminou 96% das espécies marinhas.

A extinção no final do permiano, no fim da era paleozóica e muito antes dos dinossauros, aconteceu quando o planeta estava repleto de plantas e animais, que foram praticamente extintos.

Embora o início deste evento de extinção tenha sido impulsionado por um evento de aquecimento extremo e rápido, a recuperação do clima global e dos ecossistemas foi extremamente lenta.

As temperaturas mantiveram-se letais e os ecossistemas extintos durante mais de 5 milhões de anos, segundo noticia a Phys Org.

Com base no nosso entendimento atual do funcionamento do ciclo de carbono e do clima, as temperaturas deveriam ter recuperado muito mais rápido.

Esta recuperação tardia destaca-se de todos os outros eventos conhecidos de extinção em massa, e tem deixado os investigadores sem respostas.

Segundo um novo estudo, publicado a 18 de junho na Nature Communications, o declínio dos organismos marinhos secretores de sílica como consequência do evento de extinção, tanto exacerbou as alterações climáticas como foi responsável pelo atraso de 5 milhões de anos na recuperação da temperatura global.

Existe assim uma explicação, pela primeira vez, para a razão pela qual as temperaturas demoraram tanto tempo a recuperar.

Os minerais argilosos formam-se nos oceanos e, no processo, libertam CO2. São fundamentalmente compostos de sílica e, por isso, não se podem formar sem ela.

Os organismos secretores de sílica competem por esta sílica, o que significa que um ecossistema saudável de que utiliza grandes quantidades de sílica atuará para reduzir a quantidade de CO2 libertada pela formação mineral de argila.

Existe a certeza de que houve uma perda generalizada de organismos secretores de sílica nos oceanos durante o evento de extinção em massa no final do permiano, e que estes organismos não recuperaram durante 5 milhões de anos.

Esta investigação demonstra, utilizando um modelo de ciclo de carbono e também uma análise mineralógica, que isto teria levado a um aumento da libertação de CO2 na atmosfera durante este tempo, mantendo as temperaturas na Terra elevadas durante um período de tempo prolongado.

Esta investigação fornece a primeira prova direta de que os organismos secretores de sílica desempenham um papel proeminente na regulação do clima na Terra, que nunca foi reconhecido anteriormente.

  Alice Carqueja, ZAP //

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