Cinco dias depois, Marcelo falou (sobre digitalização)

António Cotrim / Lusa

Ao fim de cinco dias de silêncio, Marcelo Rebelo de Sousa falou – mas não sobre a ameaça de crise política do primeiro-ministro.

Em Nápoles, Itália, na sessão de encerramento do XIII Encontro Cotec Europa, o Presidente da República rejeitou a existência de uma “administração pública a várias velocidades”, defendendo a aposta digital no Estado, ao mesmo tempo que pediu o fim das desigualdades tecnológicas para os cidadãos.

“Não pode haver uma administração pública a várias velocidades, umas avançadas e outras mais atrasadas. A digitalização não pode ser uma revolução perdida para a reforma da administração pública”, vincou o chefe de Estado.

No XIII Encontro Cotec Europa, que juntou em Nápoles associações nacionais para a inovação e desenvolvimento dos países mediterrânicos, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o setor público, em Portugal, “avançou nos últimos anos na digitalização, mas avançou por vezes com assimetrias”.

“Conhecemos avanços muito significativos”, realçou o responsável, aludindo a medidas como o Simplex ou ao acolhimento da cimeira mundial de tecnologia Web Summit. Porém, “temos de ir mais longe”, salientou Marcelo Rebelo de Sousa.

“Não basta digitalizar para simplificar, não basta digitalizar para tornar mais próximo. Temos de aproveitar a digitalização para reformar as administrações públicas, para mudar a mentalidade, a consciência cívica, a substância e a aproximação às pessoas”, acrescentou.

De acordo com o chefe de Estado, a tecnologia acarreta como principal desafio a inclusão social, já que a inovação deve “servir pessoas”. “A digitalização está a criar novas desigualdades na educação, na questão da idade – entre as pessoas mais novas e mais velhas –​ , a nível regional e entre os incluídos e os infoexcluídos”, enumerou. Por isso, frisou: “Há que combater essas desigualdades.”

Outro desafio apontado por Marcelo Rebelo de Sousa diz respeito ao futuro do emprego público, tendo em conta a “automação e a inteligência artificial”. “Temos de preparar as nossas sociedades para esse desafio que está a chegar, mais cinco ou dez anos”, adiantou.

Desde que está na Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa ainda não tinha conseguido passar mais de três dias sem agenda pública, nem mesmo quando foi operado a uma hérnia umbilical, a 28 de dezembro, e esteve três dias sem fazer declarações.

Esta terça-feira quebrou o silêncio, mas não o voto de reserva sobre a ameaça de crise política. Recorrendo o lema de não falar de política nacional no estrangeiro, resistiu à insistência dos jornalistas que o acompanharam a Nápoles.

De acordo com o Público, o silêncio do Presidente sobre a situação política nacional deverá manter-se pelo menos até sexta-feira, dia em que o Parlamento deverá “chumbar” a proposta de reposição integral do tempo de serviço dos professores, aprovada na especialidade por uma coligação negativa contra a vontade do partido do governo.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Quando o assunto do dia (reivindicações dos professores) é assunto “quente”, Marcelo mete a viola no saco. Seja a favor ou contra, desagrada sempre a alguém, e Marcelo quer estar de bem com Deus e com o Diabo.

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