Cimeira do G20: Manifestações, economia e alterações climáticas

Filip Singer / EPA

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Começa esta sexta-feira o encontro do G20 e acaba no sábado. Durante dois dias, líderes das maiores economias mundiais discutem economia, clima e política.

Os olhos do mundo estão postos em Hamburgo, na Alemanha, hoje e só saem amanhã, com o fim do encontro do G20. Do encontro, mais do que decisões importantes espera-se discussão, discórdia, alguns (poucos) consensos, reuniões bilaterais e protestos (muitos protestos).

O G20 é composto pelas 19 maiores economias do mundo às quais se junta a União Europeia, no 20º lugar. Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos foram as economias convidadas este ano.

Geralmente, os encontros do G20 são acompanhados de protestos e bastante polémica, que já se fazem sentir desde quarta-feira. As autoridades alemãs preveem que as manifestações, antes e durante a cimeira, consigam juntar mais de 100 mil pessoas nas ruas de Hamburgo.

Este ano, os manifestantes – que normalmente defendem a antiglobalização – estarão particularmente focados em Donald Trump, já que esta é a primeira vez que o presidente participa no encontro.

Esta quinta-feira, jovens encapuzados tomaram o controlo de uma manifestação sob o lema “bem-vindos ao inferno”, tendo a polícia recorrido a canhões de água para os dispersar. Objetos foram arremessados contra a polícia durante a noite, resultando em danos em viaturas, lojas e imóveis, assim como no ferimento de agentes.

Hoje, a polícia federal tem uma “operação em curso contra pessoas violentas”, que lançaram cocktails Molotov e incendiaram “viaturas de patrulha” no bairro de Altona, perto de uma esquadra da polícia.

A polícia também divulgou um comunicado com a contagem mais recente dos incidentes durante a noite, dando conta de 111 agentes feridos e 44 detidos.

Encontros bilaterais

Não constam da agenda oficial do encontro, mas são uma das mais importantes partes da cimeira: os encontros bilaterais entre chefes de Estado ou de Governo. Este ano, o mais esperado será o de Donald Trump com Vladimir Putin, que se realiza pela primeira vez desde a eleição do norteamericano.

O encontro assume um papel especialmente mediático devido às várias acusações de interferência russa nas eleições americanas. Antes do encontro, Trump, que tem sido acusado de ser demasiado próximo – e até subserviente – dos interesses russos, fez questão de elogiar a Polónia na qualidade de aliado americano para enfrentar a interferência russa na ordem mundial.

Além de Putin, Trump tem ainda encontro marcado com Merkel (Alemanha), Theresa May (Reino Unido), Shinzō Abe (Japão), Xi Jinping (China) e Moon Jae-in (Coreia do Sul). Nestes três últimos o tema da Coreia do Norte poderá ser um dos pontos fortes.

Tradicionalmente a cimeira do G20 opõe-se às medidas protecionistas. Desta vez a administração Trump, que fez das promessas de proteção do mercado interno um tema central da campanha, pressionou o grupo a retirar esse compromisso da agenda preparativa do encontro.

Mas o facto do apoio ao comércio livre não constar da agenda não significa que o tema não venha a ser discutido.

Vários estados têm tomado posições de força contra a veia protecionista dos americanos, com o Japão e a União Europeia a firmar um acordo de livre comércio nas vésperas do encontro, depois de quatro anos de negociação.

Alterações climáticas

Embora o G20 esteja mais direcionado para a discussão de assuntos económicos e financeiros, outros temas considerados importantes na agenda internacional também acabam por entrar na ordem do dia destas reuniões.

Este ano, o tema das alterações do clima no planeta é particularmente importante tendo em conta a retirada dos Estados Unidos dos acordos de Paris.

A chanceler alemã chegou a colocar a questão das emissões poluentes na agenda do encontro, mas, tendo em conta que os acordos do G20 dependem de consenso, não é natural que se chegue a alguma conclusão.

Muitos dos protestos que sempre acompanham estes encontros estarão centrados também nesta questão.

Os refugiados e o Brexit

A questão dos refugiados continua a ser um tema premente, sobretudo na Europa. Angela Merkel quer insistir na questão de mais países europeus assumirem uma quota dos refugiados e migrantes que chegam diariamente à Europa.

Donald Trump tem sido crítico da abertura dos países europeus aos migrantes, acusando a política alemã de ser catastrófica.

O Brexit continua a ser um ponto de conflito e poderá gerar alguns momentos incómodos para Theresa May, sobretudo com outros líderes europeus.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Penso que as pessoas têm muitas razões para se manifestar contra esta seita de aldrabões mas correm o risco de perder a razão quando à sua frente destroem tudo o que lhes apetece, esta não é uma forma civilizada de se manifestar!.

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