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Cientistas usam sombras para ensinar robôs a “sentir” o toque

Uma equipa de cientistas da Universidade Cornell está à procura de uma abordagem simples, usando câmaras de imagem de sombra, para permitir que os robôs saibam quando estão a ser tocados.

Conhecido como ShadowSense, o sistema experimental incorpora uma câmara comum ligada a um computador portática com USB, localizada sob uma “pele” translúcida não eletrónica num robô de corpo macio, explica o NewAtlas.

Quando uma pessoa alcança o robô, a luz ambiente projeta uma sombra da sua mão sobre a pele. A câmara rastreia essa sombra do outro lado da pele – dentro do robô -, utilizando algoritmos baseados em aprendizagem de máquina para determinar quando a mão está realmente a tocar na pele, que área da pele está a torcar e que gesto está a fazer.

Desta forma, o ShadowSense não só consegue dizer quando e onde o robô está a ser tocado, mas também pode atribuir diferentes comandos a diferentes gestos de toque.

O atual protótipo de robô consegue diferenciar entre tocar com a palma da mão, dar um murro, tocar com as duas mãos, abraçar, apontar e não tocar. A tecnologia consegue fazê-lo com entre 87,5% de 96% de precisão, dependendo da intensidade e da direcão da iluminação.

Os investigadores apontam que as aplicações da tecnologia não se limitam à robótica, uma vez que também poderia ser usada em telas sensíveis ao toque ou aparelhos eletrónicos.

O ShadowSense ainda tem algumas limitações – não só é necessária uma fonte de luz, mas como também a câmara deve estar localizada dentro da linha de visão da parte interativa da pele. O uso de espelhos ou lentes pode ajudar a resolver o problema.

“O toque é um modo de comunicação tão importante para a maioria dos organismos, mas tem estado virtualmente ausente da interação humano-robô“, disse o cientista-chefe Guy Hoffman, em comunicado. “Uma das razões é que o toque de corpo inteiro costumava exigir um grande número de sensores e, portanto, não era prático de implementar. Esta pesquisa oferece uma alternativa de baixo custo”.

Este estudo foi publicado em dezembro na revista científica Proceedings of the Association for Computing Machinery on Interactive, Mobile, Wearable and Ubiquitous Technologies.

  Maria Campos, ZAP //

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