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Cidade do Cabo não vai ficar sem água (para já)

Kyle Mijlof / Instagram

Nuvens lenticulares na Cidade do Cabo, África do Sul.

O dia zero da Cidade do Cabo, data que marcaria o estado das reservas de água tão críticas que a água deixaria de correr nas torneiras, estava marcado para 12 de abril, mas quase um mês depois a água continua a correr nas torneiras dos sul-africanos.

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No início deste ano, os 4 milhões que habitam a Cidade do Cabo, capital da África do Sul e segunda maior área urbana do país, a seguir a Joanesburgo, acordaram com a notícia de que o dia zero, em que ficariam sem água a correr nas torneiras, estava marcado.

Na altura, a presidente da Câmara, Patricia de Lille, alertou a população que, se não alterassem os padrões de consumo, em 90 dias, a água ia acabar na cidade.

As previsões para a chegada do dia zero foram sendo alteradas, tendo a última delas sido marcada para 12 de abril. Quase um mês depois do dia que podia ter sido o início de uma catástrofe, a água ainda corre nas torneiras da Cidade do Cabo.

De acordo com o Shifter, o “dia zero” marca o dia em que as torneias domésticas deixam de jorrar água. Nesse cenário, de acordo com o plano municipal traçado, a população teria de se deslocar até um dos 200 pontos municipais de fornecimento de água, onde cada pessoa só poderia recolher um máximo de 25 litros por dia.

Esse limite seria cumprido com a ajuda de guardas armados encarregues de manter a paz, de acordo com o plano municipal.

Para contornar esta situação, a população levou a cabo grandes esforços para poupar a pouca água que ainda resta – e que já é racionada. Em hotéis, algumas torneiras foram retiradas, de forma a evitar que os hóspedes tomassem banho de imersão. As piscinas foram tapadas ou, em último caso, passaram a ser enchidas com água dessalinizada ou reciclada. Os minibares já não têm água engarrafada. E os lençóis só são mudados a cada três dias.

Helen Zille, chefe do governo provincial, emitiu, inclusive, um comunicado a proibir a população de “tomar duche mais de duas vezes por semana. Temos de poupar água como se a nossa vida dependesse disso. Até porque depende”. E foi a própria que confessou, através de um vídeo colocado na sua página na internet, que toma banho apenas de três em três dias.

Além disso, cada residente passou a ter acesso a apenas 87 litros de água diários. Para termos de comparação, em Portugal, em média, cada residente gasta cerca de 187 litros de água por dia.

O Shifter estima que, neste momento, apesar de a situação estar mais controlada, apenas 55% da população estará a cumprir o limite de água permitida, apesar de as entidades competentes terem alertado que quem excedesse o limite estaria obrigado a pagar multas e que cada utilizador deveria ter um dispositivo que fechasse a água quando o limite fosse ultrapassado.

Aurélie de Sousa, emigrante portuguesa na Cidade do Cabo, está a enfrentar esta dura realidade e refere, ilustrando a dificuldade de racionamento: “O meu banho não pode ultrapassar os 90 segundos. Esses 90 segundos contam a partir do momento em que abro a torneira”.

Passados 3 meses e graças à consciencialização da população e aos que cumpriram as normas, a Cidade do Cabo parece estar a livrar-se do perigo mais severo. O futuro, esse, ficará dependente da época de chuva e da população continuar a respeitar as medidas de conservação de água.

  ZAP //

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