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A cidade mais populosa de África está a viver em contra-relógio

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Os habitantes da Nigéria, o país mais populoso de África, já estão habituados a contornar as inundações anuais que invadem o país. No entanto, este ano a situação saiu fora do controlo, com o principal distrito da Ilha de Lagos a vivenciar uma das piores cheias dos últimos anos.

Nas últimas semanas, várias fotos e vídeos das inundações que assolaram a cidade têm invadido as redes sociais. Apesar do cenário ser habitual na Nigéria – e causar anualmente danos económicos estimados em milhares de milhões de euros -, em Lagos, a situação é agora vista com maior preocupação.

https://twitter.com/HenshawKate/status/1416029272423153668

Albergando 24 milhões de pessoas, Lagos, uma cidade baixa na costa atlântica da Nigéria, pode tornar-se inabitável no final deste século, à medida que o nível do mar aumenta devido às mudanças climáticas, sugerem projeções científicas.

O problema é agravado por “sistemas de drenagem inadequados e mal monitorizados e pelo crescimento urbano descontrolado”, entre outros, de acordo com um estudo conduzido pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento que é citado pela CNN.

Por outro lado, Lagos também está a lutar contra a erosão da costa, mais um fator que faz com que a cidade se torne vulnerável a cheias, situação que o ambientalista nigeriano Seyifunmi Adebote diz ser atribuível ao aquecimento global e à “ação induzida pelo homem por um período prolongado”.

De acordo com vários especialistas ambientais, esta situação é agravada pela mineração de areia para construção.

Manzo Ezekiel, porta-voz da agência de gestão de emergências da Nigéria (NEMA), disse à CNN que a margem do rio da Ilha Victoria de Lagos já está a ser “arrastada”, e como tal “o aumento do nível da água está a corroer a terra”.

Para tentar dar resposta aos avanços, na Ilha Victoria, um bairro afluente de Lagos, uma cidade costeira inteiramente nova – batizada de “Eko Atlantic” – está a ser construída num terreno recuperado e será protegida do aumento das águas por uma parede de oito quilómetros de comprimento.

Embora o ambicioso projeto possa contribuir para reduzir o problema da erosão, Ezekiel teme que “a recuperação de terras do mar pressione outras áreas costeiras“. Com a mesma perspetiva, outros críticos ouvidos pela CNN defendem que as áreas adjacentes não protegidas pela parede irão ficar ainda mais vulneráveis às ondas das marés.

Apesar desta construção ser uma alternativa ao problema, não o resolve. Segundo a CNN, prevê-se que os níveis globais do mar aumentem mais de dois metros até ao final deste século.

Esta previsão, referem os especialistas, deixa Lagos numa situação preocupante, visto que grande parte do litoral da cidade é muito baixo.

Em 2012, um estudo da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, descobriu que uma elevação do nível do mar de apenas de 1 a 3 metros “terá um efeito catastrófico sobre as atividades humanas” em ambientes costeiros.

A situação pode piorar no futuro, mas nos últimos anos as inundações costeiras na Nigéria já fizeram milhares de mortos e desalojados.

De acordo com dados do NEMA, mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas diretamente pelas cheias em 2020, sendo que cerca de 69 pessoas perderam a vida.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, tem vindo a expressar a abertura do país em fazer parcerias com aliados globais no combate às mudanças climáticas.
“Esperamos trabalhar com o presidente Biden e a vice-presidente Harris”, referiu.

No mês passado, o Ministério do Meio Ambiente da Nigéria também anunciou a aprovação de uma política nacional renovada sobre mudanças climáticas, com o objetivo de abordar “a maioria, senão todos, os desafios colocados pelas mudanças climáticas e pela vulnerabilidade climática no país”, escreveu um porta-voz do ministério no Twitter.

Para já, a agência hidrológica da Nigéria, NIHSA, prevê inundações ainda mais catastróficas no mês de setembro, que geralmente é o pico da estação chuvosa.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

1 Comment

  1. Mais uma cidade dando provas do descontrolo humano, (24 milhões de seres humanos), no que toca a natalidade e distribuição da mesma pelo planeta!

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