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China quer substituir mongol por mandarim nas escolas. Nova política gerou raros protestos e boicotes

Alunos e pais e etnia mongol no norte da China promoveram boicotes em massa às escolas devido um novo currículo que reduzirá a educação na sua língua materna num protesto raro contra o esforço intensificado do Partido Comunista para a assimilação étnica.

A CNN explica que, de acordo com a nova política chinesa, o mandarim vai substituir o mongol como meio de instrução em três disciplinas nas escolas de ensino fundamental e médio para grupos minoritários na Região Autónoma da Mongólia Interior, lar de 4,2 milhões de mongóis étnicos.

As autoridades têm defendido a adoção de um currículo nacional padrão – como livros chineses compilados e aprovados por legisladores em Pequim – que melhorará os caminhos dos alunos de minorias para o Ensino Superior e o emprego.

Porém, os pais temem que a mudança levará ao desaparecimento gradual da língua mongol, significando, assim, o fim da cultura mongol, que já está em declínio.

Em protesto, esta semana, enquanto os alunos de toda a China voltavam às salas de aula para o novo ano letivo, muitas escolas étnicas na Mongólia Interior ficaram vazias porque os pais se recusaram a levar os seus filhos.

Segundo a CNN, multidões de pais reuniram-se do lado de fora das escolas – às vezes a canatr canções mongóis – sob a vigilância de polícias. Alunos em uniformes azuis derrubaram cercas de metal que bloqueiam a entrada da escola e correram para fora. Noutra escola, filas de alunos erguem os punhos para o ar e gritam: “Deixem-nos defender a nossa própria língua mongol!”

Na quinta-feira passada, foram recolhidas cerca de 21 mil assinaturas em petições que pediam ao Governo regional que voltasse atrás na política.

Porém, para o Governo regional, o lançamento de livros padronizados mostra “o cuidado dedicado do Partido e do estado para com as regiões étnicas” e beneficia “a promoção da unidade étnica, o desenvolvimento e o progresso das regiões étnicas e construção de um forte senso de comunidade para a nação chinesa”

O Ministério das Relações Exteriores da China considerou os protestos na Mongólia Interior como “especulação política com segundas intenções”. “A língua falada e escrita nacional comum é um símbolo da soberania nacional. É direito e dever de todo cidadão aprender e usar a língua falada e escrita comum nacional”, disse o porta-voz Hua Chunyin.

“Educação bilíngue não mudou”

As autoridades da Mongólia Interior tentaram tranquilizar os pais de que a mudança só se aplicará à língua e à literatura, à política e à história num período de três anos. Outras disciplinas – bem como o número de horas para aulas de língua mongol – permanecem inalteradas.

“Portanto, o atual sistema de educação bilíngue não mudou“, lê-se no comunicado.

No entanto, alguns mongóis étnicos temem que o mongol acabe por ser substituído pelo mandarim em todas as disciplinas.

Os críticos defendem que a política assemelha-se a medidas implementadas nas regiões do Tibete e Xinjiang, onde o mandarim substituiu as línguas étnicas minoritárias como idioma de instrução na maioria das escolas.

Isso também reflete uma mudança na política do Partido em direção a uma assimilação mais agressiva sob o presidente Xi Jinping, como fica evidente na repressão contra a minoria uigur muçulmana em Xinjiang.

  ZAP //

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