China regista primeira morte em oito meses. Equipa da OMS já está em Wuhan para investigar origem do vírus

No mesmo dia em que a equipa de investigadores da Organização Mundial de Saúde chega à China para investigar a origem da covid-19, o país regista a primeira morte devido ao novo coronavírus dos últimos oito meses.

O óbito ocorreu na província de Hebei, que circunda Pequim, onde foi recentemente detetado um surto que levou as autoridades a impor uma quarentena em várias cidades, incluindo na capital, Shijiazhuang, que tem 11 milhões de habitantes.

Um outro surto foi confirmado na província de Heilongjiang, no nordeste do país. De acordo com a agência de notícias Xinhua, há 43 casos confirmados e 68 assintomáticos. Mais de 20 milhões de pessoas estão em confinamento na região norte da China devido a contágios locais, refere a Al Jazeera.

A China contabilizou também 138 novos casos de covid-19, segundo a Comissão de Saúde da China, o número mais alto desde março. Segundo a Johns Hopkins University, o país confirmou 97.275 casos desde o início da pandemia, que teve origem na região de Wuhan. O número total de óbitos é 4.635, de acordo com a Comissão de Saúde chinesa.

Estes números são divulgados no dia em que uma equipa de dez investigadores e especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) chega à China para investigar a origem do novo coronavírus, detetado pela primeira vez no final de 2019.

A deslocação da equipa foi aprovada pelo Governo de Xi Jinping após meses de disputas diplomáticas que chegaram a levar o diretor-geral da OMS a mostrar-se “desiludido” com as autoridades chinesas por não permitirem a entrada da equipa no país mais cedo.

Os cientistas suspeitam que o vírus passou dos morcegos ou outro animal para os humanos, provavelmente no sudoeste da China.

Já o Partido Comunista Chinês no poder, acusado de permitir que a doença se espalhasse por todo o mundo, defende que o vírus terá vindo do exterior, possivelmente através de marisco importado (uma hipótese que os cientistas rejeitam).

A equipa que aterrou agora em Wuhan inclui virologistas e outros especialistas dos Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Japão, Reino Unido, Rússia, Países Baixos, Qatar e Vietname. Um porta-voz do Governo chinês afirmou esta semana que a equipa da OMS irá “trocar opiniões” com os cientistas chineses, embora sem avançar mais detalhes.

Os investigadores irão agora cumprir um período de duas semanas de quarentena e submeter-se a testes de diagnóstico à covid-19, devendo começar já a trabalhar em parceria com os cientistas chineses através de videoconferências.

Variante detetada no Reino Unido já chegou a 50 países

A variante do novo coronavírus detetada no Reino Unido já foi localizada em 50 países e territórios, enquanto a variante identificada na África do Sul já chegou a 20, anunciou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma terceira mutação do vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, foi descoberta no Japão no domingo, necessitando de ser mais mais estudada, de acordo com a OMS, que considera tratar-se de “uma variante perturbadora”.

“Quanto mais o vírus SARS-CoV-2 se espalha mais oportunidades ele tem de sofrer uma mutação”, refere a organização com sede em Genebra, ao salientar que os elevados índices de “contaminação significam que se deve esperar o surgimento de mais variantes” do coronavírus.

A variante detetada no Reino Unido foi reportada pela primeira vez à OMS a 14 de dezembro, com os testes efetuados a demonstrarem uma distribuição por idade e sexo semelhante à das outras variantes em circulação, mas uma maior transmissibilidade do vírus.

Já quanto à variante identificada na África do Sul e reportada pela primeira vez a 18 de dezembro à OMS, as investigações preliminares indicam que pode ser “mais transmissível do que as variantes que circulavam anteriormente” neste país.

“Além disso, embora esta nova variante não pareça causar uma forma mais grave da doença, o rápido aumento no número de casos observados colocou os sistemas de saúde sob pressão”, alertou a OMS.

Portugal registou pelo menos 72 casos de contágio pela nova variante do SARS-CoV-2 detetada no Reino Unido, segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que os identificou em 28 concelhos.

Ministros da Saúde da UE preocupados

Os ministros da Saúde da UE demonstraram esta quarta-feira uma grande preocupação com a nova variante do SARS-CoV-2, que apresenta “características mais transmissíveis”, apelando à “manutenção das medidas sanitárias”, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido.

A ministra falava em conferência de imprensa conjunta com a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, que marcou presença à distância, em formato digital, depois de uma reunião informal de ministros da Saúde da União Europeia (UE), que decorreu a partir do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, para fazer um ponto de situação do processo de vacinação e do combate à pandemia de covid-19.

A ministra revelou que nesta reunião foi evidente a “preocupação com o aumento da nova variante em todos os Estados-membros” do bloco comunitário, “num contexto epidemiológico que se mantém difícil para todos os países”, tendo sido feito um apelo “à manutenção das medidas sanitárias”.

“Estamos bem conscientes das características (da nova variante do vírus), que a tornam mais transmissível, e essa maior transmissibilidade tem efeitos sobre a evolução epidemiológica”, apontou Marta Temido.

Neste sentido, a ministra garantiu que os Estados-membros partilham da mesma opinião de que “a unidade e a união são a melhor solução” para todos, razão pela qual a União Europeia “tem um verdadeiro testemunho do valor coletivo dos seus Estados-membros”.

A comissária europeia da Saúde referiu que “esta nova variante já está a ter um impacto significativo em alguns países europeus”, pelo que não se pode ‘baixar a guarda’.

Para Marta Temido, que neste primeiro semestre de 2021 preside aos Conselhos de ministros da Saúde dos 27, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE, estes são apenas os primeiros passos de um processo que “vai ser longo”, apelando, por isso, à “necessidade, uma vez, mais de manutenção das medidas não farmacológicas”.

Farmácias em Inglaterra iniciam vacinação

As principais farmácias de Inglaterra vão começar a administrar vacinas contra a covid-19, numa altura em que o total de vítimas mortais causadas pela doença no Reino Unido ultrapassou as 100 mil.

As cadeias de farmácias Boots e Superdrug estarão entre os seis estabelecimentos em Inglaterra que começarão a administrar as vacinas a partir desta quinta-feira, enquanto o Governo britânico mantém o objetivo de vacinar todas as pessoas pertencentes aos quatro grupos de risco até meados do próximo mês.

As seis farmácias foram escolhidas por terem capacidade para distribuir grandes volumes de vacinas, ao mesmo tempo que permitem manter o distanciamento social durante o processo.

O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, afirmou que é “fantástico” que as vacinas passem a estar disponíveis em estabelecimentos de rua.

Ana Isabel Moura ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Polígrafo: Mentira.
    Mentira.
    Mentira.
    (Bis)

    A pandemia surgiu na China. Como é que o nosso país tem o dobro das mortes “contadas” no país dos chinocas? Que aldrabice pegada!

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