Chefe de campanha de Trump impulsiona teoria de que foi a Ucrânia a hackear e-mails dos democratas

Jim Lo Scalzo / EPA

Notas inéditas de entrevistas feitas pelo procurador Robert Mueller no âmbito investigação à alegada interferência russa na campanha eleitoral de Donald Trump para as presidenciais de 2016 foram divulgadas este fim de semana pela CNN e BuzzFeed, revelando novos dados à polémica história.

Entre as centenas de páginas de notas de entrevistas e e-mails do processo de investigação do FBI, a CNN agora conta de que Paul Manafort, antigo chefe de campanha de Trump, impulsionou a teoria de que teria sido a Ucrânia, e não a Rússia, a aceder aos servidores do comité central do Partido Democrata, noticiou o Observador.

Além disso, Paul Manafort terá afirmado que Donald Trump e outros agentes de topo da sua campanha presidencial tentaram aceder de todas as maneiras aos e-mails hackeados de Hillary Clinton.

A ideia de que os chefes de campanha de Donald Trump impulsionaram a teoria de que tinha sido a Ucrânia, e não a Rússia, a aceder aos servidores dos democratas ganhou novos contornos nos últimos meses, visto que a motivação para o processo de ‘impeachment’ de que o Presidente norte-americano está a ser alvo se prende com o recente escândalo ligado à Ucrânia.

A investigação do ‘impeachment’ pretende esclarecer se Donald Trump procurou pressionar o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, num telefonema a 25 de julho, para o ajudar a investigar Hunter Biden, o filho de Joe Biden, ex-vice-presidente dos Estados Unidos (EUA) e um dos favoritos à nomeação democrata para as presidenciais de 2020.

Em causa na divulgação destas notas das entrevistas da investigação de Robert Mueller está uma longa batalha judicial da CNN para aceder aos documentos da investigação, que levou a que o Departamento de Justiça fosse obrigado a divulgar as notas.

A divulgação dos documentos, este fim de semana, marca assim a primeira divulgação pública do material de investigação do relatório Mueller (fora do sigilo dos tribunais), sendo que, por ordem do juiz, a CNN e o BuzzFeed vão continuar a ter acesso a novos documentos e a poder divulgá-los todos os meses.

Nos documentos agora divulgados encontram-se as notas das entrevistas feitas pelos investigadores a Rick Gates, vice-presidente da campanha de Donald Trump, onde aquele afirmava que Paul Manafort especulava sobre a responsabilidade da Ucrânia na usurpação da correspondência democrata.

Rick Gates afirmou na investigação Mueller que Paul Manafort especulou sobre a responsabilidade da Ucrânia na invasão dos computadores ao mesmo tempo que Donald Trump tentava capitalizar a polémica dos e-mails de Hillary Clinton hackeados.

Os novos documentos mostram ainda que Steve Bannon recebeu uma proposta para obter os e-mails de Hillary Clinton e que Donald Trump esteve sempre a par da tarefa, sendo o primeiro a ordenar à sua equipa para “arranjarem os e-mails”.

Um dos momentos em que isso aconteceu terá sido a bordo de um avião, numa viagem de campanha, em que, segundo Rick Gates, o Presidente levantou a voz para gritar “get the e-mails!”. Semanas depois, diria que mais e-mails iriam ser hackeados mas Rick Gates não explicou como Donald Trump sabia disso.

“Rick Gates recordou um momento da campanha em que Trump disse para arranjar os e-mails, e que Michael Flynn disse que poderia recorrer à inteligência para o fazer”, lê-se nas notas de resumo da entrevista da equipa de Mueller a Rick Gates em abril de 2018.

“Flynn era quem tinha mais contactos na Rússia e, por isso, estava na melhor posição para arranjar os e-mails”, lê-se ainda na entrevista onde Rick Gates mostra como vários conselheiros da campanha de Donald Trump pressionaram e foram pressionados para tentar aceder aos documentos hackeados dos democratas.

Segundo as notas das entrevistas, a equipa da campanha de Donald Trump ficou muito satisfeita com a divulgação dos e-mails de Hillary Clinton pela WikiLeaks, semanas antes das eleições, embora Donald Trump tenha sido aconselhado a não reagir, e a deixar o assunto fluir por si só.

“Eles vão tentar dizer que os russos trabalharam com a WikiLeaks para nos ajudar a ganhar”, terá dito Steve Bannon, conselheiro de Donald Trump na altura, a Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano.

A investigação de Mueller, concluída em março, deu origem a um relatório que classifica como insuficientes as evidências de que tenha havido conspiração entre a campanha de Donald Trump e a Rússia para ganhar as eleições. No relatório não se concluiu se houve ou não, da parte de Donald Trump, obstruções à justiça, e ficou concluído que este não cometeu nenhum crime.

Boicote ao ‘impeachment’

Pelo menos três funcionários do departamento financeiro da Casa Branca já fizeram saber que não comparecerão na comissão de inquérito com vista ao ‘impeachment’ contra Donald Trump, e outras testemunhas cruciais poderão seguir-lhes o exemplo, informou esta segunda-feira o Diário de Notícias.

A recusa em colaborar destas testemunhas críticas para o processo, que deveriam comparecer esta semana perante a comissão de inquérito, liderada pelos Democratas, pode desencadear uma batalha legal entre a Casa Branca e a Câmara dos Representantes.

Fontes dos Democratas afirmam que Donald Trump, que deu ordens aos seus funcionários para que não colaborem com o inquérito, não descartam a hipótese de avançar com uma queixa formal contra o Presidente por obstrução à justiça.

Uma das testemunhas importantes, agendada para ser ouvida esta segunda-feira é o advogado e líder do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, John Eisenberg.

De acordo com uma fonte da Reuters conhecedora do testemunho prestado na semana passada pelo coronel do exército dos EUA Alexander Vindman, John Eisenberg terá passado a transcrição daquele telefonema entre Donald Trump e o seu homólogo ucraniano para o arquivo classificado da Casa Branca.

Segundo a mesma fonte, John Eisenberg terá dito a Alexander Vindman, que presenciou o telefonema, que não discutisse a questão, depois de este e outros funcionários da Conselho de Segurança Nacional terem manifestado reservas acerca da conversa telefónica.

Alexander Vindman afirmou no seu testemunho que considerou impróprio o pedido a um governo estrangeiro para que investigasse um cidadão dos EUA e, preocupado, mencionou a questão a John Eisenberg, que lhe terá dito então que não mencionasse o assunto.

Trump desafia denunciante a revelar a identidade

O autor da denúncia contra Donald Trump, que deu origem ao processo de ‘impeachment’, está disposto a responder às perguntas do Partido Republicano. Em agosto, o agente da CIA alertou as autoridades para a chamada telefónica entre o Presidente norte-americano e Volodimir Zelenskii, revelou a SIC Noticias.

A disponibilidade do agente agente do serviço de espionagem dos EUA foi transmitida a um congressista do Partido Republicano. Este disse estar disposto a responder por escrito e sobre juramento às perguntas dos congressistas do Partido Republicano, sem que este processo passe pelas mãos do Partido Democrata na Câmara dos Representantes.

O Presidente norte-americano declarou este domingo que o nome do denunciante deverá ser revelado porque terá fornecido informações falsas. Sem dar provas, sugeriu que o denunciante poderia ser acusado de fraude.

ZAP //

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