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Cavaco Silva esteve presente na tomada de posse, mas não cumprimentou Marcelo

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Miguel A. Lopes / Lusa

O antigo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva

O antigo Presidente da República Cavaco Silva marcou presença na cerimónia de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa e assistiu aos discursos solenes no Parlamento, mas não ficou para os cumprimentos oficiais.

O facto de Cavaco Silva não ter cumprimentado o Presidente, que inicia oficialmente o segundo mandato esta terça-feira, ganha alguma importância depois da intervenção do antigo chefe de Estado, na Academia de Formação Política para mulheres sociais-democratas, que decorreu no sábado por videoconferência.

Durante o evento, Cavaco Silva criticou o atual rumo do país, que, na sua opinião, apresenta “sinais de que a nossa democracia está amordaçada”.

As palavras duras não passaram despercebidas aos discursantes de hoje, sendo que tanto Marcelo Rebelo de Sousa como Ferro Rodrigues abordaram indiretamente as palavras do ex-presidente.

O presidente da Assembleia da República chegou a usar a mesma expressão que Cavaco Silva, ao referir que os cinco anos do primeiro mandato de Marcelo foram “repletos de momentos marcantes”, com os portugueses a recuperarem um orgulho numa democracia “sem mordaças”.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do seu gabinete indicou que Cavaco Silva transmitiu que “teve imensa honra em estar na cerimónia” mas “teve de regressar a casa logo que terminou”.

“O professor Cavaco Silva teve de regressar a casa e não pôde ir aos cumprimentos”, afirmou a mesma fonte, não adiantando qual a razão, mas indicando que “não há grande história”.

Sobre a quebra do protocolo, Marcelo apelou aos jornalistas que lhe colocaram a questão para que, num dia tão marcante, não lhe pedissem que se “ocupe do que não é fundamental”.

E sobre os comentários do seu antecessor sobre a democracia nacional estar “amordaçada”? Marcelo saiu em defesa da causa. “Há 48 anos que não há risco de não haver democracia, por uma razão simples: os portugueses são democratas”, disse.

A sessão de cumprimentos durou 20 minutos, cerca de metade do tempo de há cinco anos, e foi marcada pela ausência de contacto físico, devido à pandemia de covid-19.

Os deputados, membros do Governo, líderes partidários e os poucos convidados foram passando por Marcelo Rebelo de Sousa e Eduardo Ferro Rodrigues, mantendo a distância de segurança. Os acenos com a cabeça ou com a mão foram os mais utilizados.

Em alguns casos houve também lugar para breves conversas, como com o antigo Presidente da República António Ramalho Eanes e a esposa, Manuela Eanes.

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  ZAP // Lusa

6 Comments

  1. Estava na hora de regressar a casa porque estamos confinados! Cumprimentos em tempo de pandemia? Onde é que já se viu? O general Ramalho Eanes e a esposa são mesmo irresponsáveis!. Por que é que não seguiram o exemplo de um homem tão sábio como é Cavaco Silva que meteu a viola no saco e deu às de vila Diogo?

  2. Nestes momentos é que nós nos revelamos. E foi este senhor nosso representante máximo durante tanto tempo! Temos que chegar à conclusão que estivemos mal representados.

  3. Lá diz o ditado “um homem é preso por ter cão, e por não ter “. Se cumprimentasse, era criticado porque em tempos de pandemia devem ser evitados contactos físicos e mantido o distanciamento. Como não cumprimentou também foi criticado… Também já diz o ditado “mais vale cair em graça, do que ser engraçado.” Com excepção do Kosta, que para além de engraçado, e às vezes, até engraçadinho, caiu nas graças do Tuga Masoquista. Ele há com cada um!!

  4. Normal… o Cavaco é mais de cumprimentar os Salgado, os Soares dos Santos, os Oliveira e Costa, os Duarte Lima, os Dias Loureiro, etc, etc… e não ia estar a perder tempo a cumprimentar gente insignificante como o Presidente Marcelo!…

  5. A dor de cotovelo deste cavalheiro é tanta que ele próprio já não consegue disfarçar. Vamos lá refrescar a memória, para os simpatizantes desta alma, recordam-se que quando ele estava prestes a deixar a presidência, e por causa daquela história das reformas (de professor universitário e primeiro ministro), recordam-se do que ele referiu e foi noticiado? Ele referiu que cinco mil euros não lhe chegavam para as despesas mensais de casa. Pois é, o povo é manso mas não é estúpido, e agora aí o vemos, sem pingo de vergonha, armando-se em exemplo da moral e bons costumes. Estando em pandemia, com este malvado confinamento, quantos e quantas estão privados do seu salário e, quiçá, passando fome e vem este cromo lançar postas de pescada na tv… Falou-se de Ramalho Eanes? Pois é, mas foi Ramalho Eanes o primeiro que disse que se houver alguém a necessitar de vacinas e estas fossem escassas, cedia a dele… Mais alguém disse isso? Cavaco já levou a dele e em vez de estar grato ao Estado Português, e à nação (nós) não, quebra o confinamento para vir falar mal de quem anda a lutar para ver se saímos desta gaita sem muitos mais prejuízos. Ó Cavaco, a melhor intervenção que tens feitos é aquela em que estás em silêncio… Haja decência senhor!

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