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“Catavento do sistema”. Candidatos presidenciais atacam André Ventura

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Tiago Petinga / Lusa

O presidente do Chega e candidato às eleições presidenciais de 2021, André Ventura, fala em entrevista à agência Lusa, na sede do seu partido em Lisboa, 11 de novembro de 2020.

Vários candidatos presidenciais criticaram André Ventura. Ana Gomes diz que o Chega não deveria ter sido legalizado; Marisa Matias não daria posse a um Governo apoiado pelo partido; e João Cotrim Figueiredo diz que Ventura é um “catavento do sistema”.

A candidata presidencial Ana Gomes considerou este sábado que o partido Chega não deveria ter sido legalizado, acrescentando ser obrigação do chefe de Estado “não normalizar” uma força política que “claramente põe em causa a Constituição”.

“Era obrigação do Presidente da República dizer ao Tribunal Constitucional e à Procuradoria Geral da República que deveriam atuar para não permitir a legalização de uma força que claramente põe em causa a Constituição”, considerou Ana Gomes, falando aos jornalistas em Ponta Delgada.

A antiga eurodeputada do PS falava antes de um encontro com apoiantes açorianos da sua candidatura a Belém.

Sobre os Açores, e a solução de governo encontrada recentemente, com apoio parlamentar do Chega, Ana Gomes distingue os três partidos que formam o executivo, numa “solução de alternância democrática”, da existência de um acordo de incidência parlamentar com os dois deputados eleitos pelo partido de André Ventura.

“O que me preocupa é que essa solução de governo para os Açores venha a ser replicada para a República e normalize uma força política que tem o objetivo de destruir a Constituição”, insistiu.

Ana Gomes considera o atual Presidente da República e candidato a reeleição, Marcelo Rebelo de Sousa, o “artífice” do entendimento de viabilização do executivo, e advoga que o Representante da República para a região, “zeloso cumpridor de instruções” e “distinto servidor da causa pública”, não teve a “originalidade ou ousadia” para tal.

“Não daria posse a um Governo apoiado pelo Chega”

Marisa Matias garante que, eleita Presidente da República, “não daria posse a um Governo apoiado pelo Chega” e lembra o “cordão sanitário” feito à extrema-direita alemã, admitindo um debate futuro sobre a ilegalização deste partido, mas não por sua iniciativa.

Em entrevista à agência Lusa, a candidata apoiada pelo BE na corrida a Belém, Marisa Matias, reitera que o seu adversário nestas eleições é o Presidente da República e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, mas assume que, tal como qualquer candidato democrático, não se pode “demitir do combate à extrema-direita“, ou seja, a André Ventura.

“Eu não daria posse a um Governo apoiado pelo Chega”, garante, marcando assim mais uma diferença em relação a Marcelo Rebelo de Sousa que, em entrevista à SIC na sexta-feira, referiu que em termos constitucionais não pode ser negado o apoio parlamentar de “um determinado partido” a uma solução de Governo, numa alusão ao partido de Ventura.

Sobre a possibilidade de o candidato André Ventura poder ficar à sua frente nas eleições de 24 de janeiro, a dirigente do BE é perentória: “acho que é uma derrota sim, é uma derrota para a democracia, não é só para mim”.

Marisa Matias diz que não cabe a um Presidente da República definir se um partido o pode ser ou não – essa é uma tarefa do Tribunal Constitucional -, mas sublinha que o chefe de Estado tem como obrigação “defender e proteger a Constituição e a democracia, bem como os valores que lá estão representados”.

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“Eu não coloco de parte que haja no futuro a necessidade de discutirmos ou não a existência do Chega, mas isso porque o próprio André Ventura parece que anda a pedir isso há não sei quanto tempo”, critica.

Na perspetiva da dirigente bloquista, o deputado e líder do Chega tem “um discurso absolutamente racista, xenófobo” e propõe “coisas inaceitáveis” como recuperar a prisão perpétua em Portugal, que “foi abolida em Portugal no século XIX”.

“Ele traz para o século XXI ideias do século XIX e eu acho que às vezes é mesmo a pedir para fazer esse combate, a pedir que alguém peça a ilegalização, a pedir que alguém o faça de vítima”, afirma.

Marisa Matias estabelece a diferença entre “a questão da ilegalização” – debate que não coloca de lado, mas que “não pediria nem tomaria iniciativa” – e a possibilidade de “dar posse a um Governo”, que “é uma coisa completamente diferente”.

“Marcelo Rebelo de Sousa conhece tão bem como eu o que se passa, por exemplo, na Alemanha – até porque a chanceler alemã é da família política de Marcelo Rebelo de Sousa – e Angela Merkel é a líder europeia que mantém firme o cordão sanitário e eu, desse ponto de vista, confesso que estou ao lado de Angela Merkel”, elogia.

A CDU alemã e o Governo alemão, destaca a dirigente do BE, mantiveram e definiram a todos os níveis de governação “o cordão sanitário e não há participação do AFD mesmo quando seria importante e fundamental para ter maiorias”, estando esta decisão a traduzir-se “na perda de influência e a perda nas sondagens da extrema-direita alemã”.

Cotrim Figueiredo ataca Ventura, “catavento do sistema”

O líder da Iniciativa Liberal (IL) criticou hoje o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, “um “baluarte do sistema”, e atacou André Ventura, do Chega, que apelidou de “catavento do sistema” que diz “tudo e o seu contrário”.

No encerramento, via videoconferência, da V convenção dos liberais, que decorreu em modo digital, João Cotrim Figueiredo fez críticas a Marcelo Rebelo de Sousa por, no primeiro mandato, nos últimos cinco anos, apenas se preocupar “com a reeleição”.

“Nem que, para isso, tenha sido muleta do Governo do PS”, disse.

André Ventura, líder e deputado do Chega, foi apelidado de “catavento do sistema”, que “diz e fará tudo e o seu contrário para alcançar o poder”.

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João Cotrim Figueiredo disse que a visão de Ventura “não é de um Portugal liberal” e apresentou Tiago Mayan, o candidato da IL, como “uma alternativa” nas eleições presidenciais de 24 de janeiro de 2021.

São oito os pré-candidatos a Belém: a ex-eurodeputada do PS Ana Gomes, o deputado do Chega André Ventura, o eurodeputado do PCP João Ferreira, o atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, a deputada ao Parlamento Europeu do BE Marisa Matias, o empresário Paulo Alves, o advogado e dirigente da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e Vitorino Silva, calceteiro e ex-presidente da Junta de Freguesia de Rans, Penafiel.

  ZAP // Lusa

12 Comments

  1. Se o Ventura fosse uma personagem de um jogo RPG, ganharia stamina de cada vez que fosse atacado. Da mesma forma, perderia stamina de cada vez em que atacasse. A solução é obvia… basta ignora-lo para o vencer. Mas é claro que tudo isto é pensar fora da caixa quando se trata da política dita tradicional. É a cegueira ideológica que quer sempre sangue e deixa de ser objectiva. O Ventura agradece…

  2. A Alemanha teve a experiência passada de ter tido um líder de extrema direita xenófobo, racista e nacionlista (Hitler), que no final só causou destruição em massa e trouxe miséria ao próprio país, e por isso agora, tendo a memória fresca, toma as devidas precauções para evitar dar poder a esta peste. Em Portugal deveremos aprender com a história a não querer líderes com tiques totalitários, xenófobos, e doentes por valores do ku klux klan. Avé Hitlerilas, fica lá no teu canto fedorento. Ninguém quer regredir 50 ou mais anos depois de todos os sacrifícios dos nossos ancestrais!

    • Ó pá… andas a ver muitos filmes. O andrézito não é nada disso. O andrézito quer é tacho nem que para isso tivesse que defender um lugar ao sol para todos os caracóis que existem no território nacional. E o povo vota nele apenas para mostrar um cartão bem vermelho aos partidos do sistema. Até aqui ninguém representava esta percentagem da população desagradada com o rumo que as coisas tomaram nas últimas décadas. Mas já havia avisos de saturação. Basta ver o sucesso do Tino de Rans nas eleições presidenciais, ficando mesmo à frente da candidata do PS. De resto, no espectro partidário faltava uma válvula de escape e ela está aí, o CHEGA. Eu mesmo acho que se criasse o P.U.T.A (Partido de Unidade dos Trabalhadores Assalariados) provavelmente ainda formaria governo com alguém.
      O mais grave no meio disto tudo é que um dia destes pode aparecer efetivamente alguém perigoso. Alguém com eles bem no sítio e que venha com um discurso forte e demagógico. Aí sim, poderemos ter um problema, até porque o povo está mais que farto de tudo isto.

      • Bela piada, só não vê quem não quer. Há uma grande incorporação de racistas, fascistas e nazis no partido do Ventura, por isso não venha com comparações tolas. Ali não há que enganar. Votar numa alternativa mal por mal temos PAN, Iniciativa Liberal e outros partidos que não querem atentar à liberdade democrática e aos valores de uma sociedade dita minimamente evoluída. Não queremos cá rãs no poder que depois se transformam em ditadores fascistas. Da história longínqua e recente não há nenhum bom exemplo para o desenvolvimento humano e de uma sociedade. Esses regimes só trazem retrocesso em todos os níveis. E desengane-se quem pense que, quando esses partidos fazem da sua bandeira a luta contra a corrupção, que alguma coisa muda. Veja-se p.e. o Bolsonaro e outros “líderes” de países de leste em que a única coisa que muda é que a corrupção passa a ficar centralizada nos seus cabecilhas. É verdadeiramente vergonhoso empatarmos a evolução de um país por tempo indeterminado quando temos tanto para fazer!

      • Bela piada, só não vê quem não quer. Há uma grande incorporação de racistas, fascistas e nazis no partido do Ventura, por isso não venha com comparações tolas. Ali não há que enganar. Votar numa alternativa mal por mal temos PAN, Iniciativa Liberal e outros partidos que não querem atentar à liberdade democrática e aos valores de uma sociedade dita minimamente evoluída. Não queremos cá rãs no poder que depois se transformam em ditadores fascistas. Da história longínqua e recente não há nenhum bom exemplo para o desenvolvimento humano e de uma sociedade. Esses regimes só trazem retrocesso em todos os níveis. E desengane-se quem pense que, quando esses partidos fazem da sua bandeira a luta contra a corrupção, que alguma coisa muda. Veja-se p.e. o Bolsonaro e outros “líderes” de países de leste em que a única coisa que muda é que a corrupção passa a ficar centralizada nos seus cabecilhas. É verdadeiramente vergonhoso empatarmos a evolução de um país por tempo indeterminado quando temos tanto para fazer!

  3. Pessoal, a coisa é fácil de entender. A malta que trabalha, paga impostos e tenta cumprir as suas obrigações está farta de ser saco para os caloteiros, moinantes, mal educados e tachos politicos.
    Simples. Esticaram demasiado a corda e agora quando virem a votação do Ventura ficarão ainda mais desorientados…

    • Desde quando é que pessoas de mau caráter e arruaceiras, por vezes ligadas a gangs, roubos e a atos violentos, têm mais predisposição para serem honestas no poder do que outras bem formadas e com bons valores? É a lógica do Bobolsonaro ao quadrado..

  4. Então o PCP e o BE não têm as suas origens no extremismo comunista de Lenine a Estaline? Responsável pelo extermínio de milhões de seres humanos… Afinal, em que é que ficamos? Se for comunista, fixe pá! Se for de direita, vem aí Salazar II, que nunca se pareceu na atuação com Hitler!

    • Atualização linguística, querido João.

      Que posição é que defende em relação a André Ventura? Tal não ficou claro no seu comentário.

      • Caro André,
        A posição que defendo é a de seriedade.
        A mesma pessoa que se arroga o “único” guardião dos superiores interesses da Nação, é exactamente o mesmo que
        enquanto inspetor tributário, contribuiu para que, entre outras, uma empresa de Paulo Lalanda de Castro não pagasse mais de 1 milhão de euros em IVA ao Estado.
        ( Informação disponível no processo Vistos Gold).
        Seria interessante saber de quantas mais empresas o sr. André ” protegeu” a Pátria, e quanto lucrou com estes expedientes.
        Cumprimentos

        • Obrigado por ter exprimido o seu ponto de vista de forma cordial.
          De facto, qualquer partido possui uma mancha negra.

          Cumprimentos do
          André Almeida.

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