Governo cancelou barragens em 2016 que podiam abastecer o interior

A barragem do Alvito, no rio Ocreza, e Girabolhos, no Mondego, canceladas pelo Governo em 2016, podiam armazenar um total de 764 milhões de metros cúbicos de água.

As barragens do Alvito e Girabolhos, que o Governo cancelou há dois anos, garantiam, em conjunto, o abastecimento de “quase um Castelo de Bode” à população de sete concelhos do interior centro, comparou Rui Godinho, presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, citado pelo Público.

Ambas as barragens faziam parte do conjunto de 10 novas barragens do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), lançado pelo Governo de José Sócrates. Em 2016, passaram formalmente a sete, quando o atual executivo cancelou ambas e adiou a de Fridão, por três anos.

“O interior pode ter tudo, até o IRC zero que agora o Governo propõe, mas sem água ninguém vai. A gestão da água é seguramente um dos mais delicados problemas políticos que vamos ter em Portugal, na Península Ibérica e na Europa, nas próximas décadas”, denunciou Rui Godinho.

A barragem do Alvito, de acordo com os cenários de exploração mais favoráveis, poderia chegar a um nível pleno de albufeira de 560 milhões de metros cúbicos e a de Girabolhos aos 204 milhões de metros cúbicos de água.

Em conjunto, seriam 764 milhões de metros cúbicos para populações que sofrem grande escassez de água e com perspetivas de secas cada vez piores.

Alvito (concessionada à EDP) abrangia Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, enquanto que Girabolhos (concessionada à Endesa) abasteceria os concelhos de Saia, Gouveia, Fornos de Algodres, Mangualde e Nelas.

De acordo com o jornal, os documentos oficiais do processo refletem a prioridade estratégica do Governo de usar os novos empreendimentos para produção de energia elétrica – daí a sigla PNBEPH -, não sendo vistos como albufeiras de água com interesse estratégico para as populações abrangidas.

No entanto, o estudo inicial avaliou também o potencial de abastecimento de água, chegando a dar nota positiva aos dois locais, com base em vários cenários. Mas esse não era o interesse político e empresarial da altura, pelo que o assunto não passou daí.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. O problema deve ser falta de dinheiro, para barragens que tanta falta fazem (não esquecemos o que se passou em 2017), não ha dinheiro, se fosse um qualquer banco que estivesse aos “berros” por culpa de má gestão, aí, o governo ía a correr injectar dinheiro, mas para infraestruturas nuito necessárias, não há…

  2. Fazer mais barragens não baixaria o custo da eletricidade. Nestes tempos chove em Junho, Maio é Abril e Março é Fevereiro. O futuro meteorológico é incerto. Talvez venham tempestades de água para Portugal, como acontece em outros países que encaram o mar. São muitos milhões para gastar com base em incertezas. Compreendo que existam outras opiniões.

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