Campanha para ajudar Miguel Duarte já angariou mais de 30 mil euros

(dr) PPL

Miguel Duarte, português de 26 anos acusado pela justiça italiana por ter resgatado migrantes no Mediterrâneo

A campanha de crowdfunding para ajudar Miguel Duarte, acusado pela justiça italiana de auxílio à imigração ilegal, já angariou quase 30 mil euros.

Para surpresa de Miguel Duarte, o objetivo inicial da campanha de crowdfunding lançada no dia 7 de junho pela associação portuguesa Humans Before Borders já foi ultrapassada várias vezes e, durante a redação deste artigo, já contava com mais de 30 mil euros.

Em declarações ao Público, o português de 26 anos, que está a ser acusado pela justiça italiana de auxílio à imigração ilegal, admite estar emocionado com a manifestação de solidariedade dos últimos dias.

“Vêm-me as lágrimas aos olhos ao ver quantas pessoas estão atentas e querem contribuir de alguma forma. Às vezes passamos momentos um bocado difíceis porque nos sentimos sozinhos nesta luta – também recebemos muitos comentários e mensagens de reprovação. Mas a verdade é que há muita gente a manifestar o seu apoio e a manifestar vontade de nos ajudar nesta luta”.

O jovem, que faz parte da ONG Solidarity at Sea, salvou milhares de refugiados no mar Mediterrâneo a bordo do navio Iuventa. Juntamente com outros nove colegas, Miguel está a ser investigado pela Procuradoria de Trapani e arrisca uma pena de 20 anos de prisão e milhares de euros em coimas.

De acordo com a associação que criou esta iniciativa, a equipa de advogados destes dez voluntários estima que os custos legais do processo cheguem aos 500 mil euros. Além disso, a defesa acresce ainda as deslocações para reuniões entre tripulantes, com a equipa legal e para as audiências judiciais.

“Neste momento, a nossa ida a tribunal é bastante provável, de acordo com os nossos advogados. Mas estou confiante que não vamos acabar condenados e que as autoridades italianas vão perceber que esta investigação é perfeitamente política“, declara o português ao jornal.

A angariação de fundos vai continuar aberta até 12 de Julho.

BE exige ação do Governo

O BE defendeu hoje que o Governo português tem a obrigação de “diplomaticamente expressar sua reprovação” pelo “gesto inqualificável” em relação a Miguel Duarte, acusado em Itália de ajuda à imigração ilegal, questionando o executivo sobre o apoio dado.

Precisamente hoje de manhã, pelas 10:30, Miguel Duarte é recebido na Assembleia da República, em Lisboa, pela coordenadora do BE, Catarina Martins e pelo deputado bloquista José Manuel Pureza.

“O Governo português tem responsabilidades porque tem de, em primeiro lugar, assegurar que todos os direitos de defesa de um cidadão português junto dos tribunais italianos estão garantidos e, por outro lado, tem também a obrigação, nesta circunstância, de diplomaticamente expressar sua reprovação por este gesto, que é um gesto inqualificável de violação de direitos fundamentais e de desumanidade”, defendeu, em declarações à agência Lusa José Manuel Pureza.

“O propósito do Bloco de Esquerda é pôr em evidência que o Governo tem responsabilidades que deve assumir relativamente a um compatriota que está a ser perseguido de maneira absolutamente injusta pelos tribunais italianos pura e simplesmente por ter prestado ajuda humanitária a quem arriscava a sua vida no Mediterrâneo”, explicou.

Na perspetiva de José Manuel Pureza, apontam no “sentido certo” as declarações do ministro Augusto Santos Silva, que garantiu na segunda-feira todo o apoio a Miguel Duarte, sublinhando que é preciso ter noção de que as suas ações “são inspiradas por razões humanitárias”.

“Agora é preciso é que o Governo seja consequente com essa posição e, portanto, se realmente o Governo entende – como deve entender – que aqui está em causa um trabalho de defesa de direitos humanos e não uma atitude delinquente então deve ser consequente quer na ajuda por todos os meios legais ao cidadão Miguel Duarte quer exprimindo diplomaticamente a sua reprovação, que não precisa de ser feita com espalhafato, mas precisa de se fazer sentir junto das autoridades italianas”, apelou.

  ZAP // Lusa

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