Português investigado por ajudar a salvar refugiados no Mediterrâneo

O português Miguel Duarte, de 26 anos, é um dos 10 voluntários da organização não-governamental (ONG) Solidarity at Sea que estão a ser investigados pela justiça italiana, depois de uma missão de salvamento de refugiados no mar Mediterrâneo.

Miguel Duarte foi um dos voluntários da Solidarity at Sea que foram identificados e processados pelo Ministério Público italiano no âmbito de uma missão no barco Iuventa que transportava refugiados, no Verão de 2017, como explica o jovem português à TSF.

“Nós ainda estamos sob investigação e, de acordo com a lei italiana, o procurador não tem obrigação de nos fornecer as informações que já recolheu”, salienta o jovem de 26 anos, explicando que não tem “acesso ao dossier do procurador”, nem sabe “quais são as missões em causa”, nem “as situações” que a Justiça italiana considera que foi feito “algo de ilícito”.

Para o voluntário da Solidarity at Sea é evidente que “a razão não tem nada que ver com legalidade ou ilegalidade”, mas “é pura e simplesmente política”. “Nós agimos sempre de acordo com a lei, nomeadamente com a lei internacional e com o centro de coordenação marítimo, que faz parte do Governo italiano”, acrescenta Miguel Duarte na TSF.

O voluntário que começou por trabalhar com a ONG como tradutor, porque domina o Italiano, acabou a trabalhar no convés do barco e até como homem do leme do Iuventa. Da sua experiência no teatro de operações da trágica situação dos refugiados, ficam críticas à União Europeia (UE).

“É a bordo de um bote no Mediterrâneo que sentimos o resultado das políticas anti-imigração da UE”, aponta.

“Os barcos vêm em muito más condições. A maior parte é de borracha e leva entre 130 e 150 pessoas. São barcos que não estão preparados para essa quantidade de gente, nem para o mar-alto”, sublinha Miguel Duarte.

Muitas vezes chegamos tarde“, lamenta, realçando que “muitas vezes, os barcos não são avistados a tempo porque não há meios de resgate suficientes, e o barco já virou ou alguém caiu à água”. “Muitas vezes não conseguimos retirar as pessoas com vida, e, nessa altura, temos de recolher os corpos”, relata também.

Em 2018, morreram 2.262 refugiados no mar Mediterrâneo, como reporta a TSF. Graças a missões como as da Solidarity at Sea, com “voluntários sem experiência profissional de resgate marítimo, num navio velho, de pesca, que foi pago com as doações de cidadãos europeus”, foi possível salvar “14.000 pessoas”, assegura Miguel Duarte.

Agora, “imagine-se o que era possível fazer com um programa governamental ao nível da UE”, destaca o voluntário português. “Todo o dinheiro que a UE enterra em patrulha de fronteiras e a construir muros e redes em campos poderia ser utilizado, em parte, em operações de resgate”, conclui.

ZAP //

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