/

Onda de calor e seca podem agravar crise alimentar na Coreia do Norte

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un

No início do verão, o líder norte-coreano Kim Jong Un descreveu a situação alimentar do país como “tensa”, após o encerramento da fronteira causado pela pandemia e cheias devastadoras. No meio da estação, um ciclo de calor opressor e as chuvas podem aumentar a crise.

As temperaturas no país têm estado tão altas que a media estatal tem alertado os residentes sobre os perigos da desidratação e dos baixos níveis de sódio, especialmente os idosos. Pedem ainda que se protejam do sol, comam mais frutas e vegetais e bebam mais de dois litros de água por dia, de acordo com a NK News, citada pelo Washington Post.

As condições extremas podem ter efeitos de longo alcance no país, que conta com sistemas de irrigação deficientes e uma crise alimentar em curso, ao mesmo tempo que o governo sofre uma forte pressão económica causada pelas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) devido ao programa nuclear de Pyongyang.

O calor na Coreia do Norte está associado a uma zona de alta pressão no oeste do Pacífico, que se estende pelo nordeste da China, Península Coreana e norte do Japão. Este é um dos três verões mais quentes já registados no país, com uma alta taxa de humidade.

Em 2020, a Coreia do Norte enfrentou a pior recessão económica em mais de duas décadas devido ao encerramento da fronteira com a China, às cheias e aos tufões. O governo sul-coreano disse esta semana que está a monitorizar a situação alimentar naquele país.

De acordo com os especialistas, a falta de abastecimento de água e de acesso a produtos como fertilizantes, combustível e equipamentos está afetar os agricultores norte-coreanos. O país encerrou grande parte da atividade comercial durante a pandemia e as sanções internacionais limitaram as opções de importação para a agricultura.

Embora a atual escassez de alimentos não seja tão grave como a vivida na década de 1990, os especialistas apontam para até 3 milhões de mortos.

As autoridades norte-coreanas começaram uma iniciativa para salvar as plantações da onda de calor, mobilizando trabalhadores para regar os campos, com as autoridades a melhorar a gestão das fontes de água e a recuperar as instalações subterrâneas, informou um relatório da Agência Central de Notícias da Coreia.

  Taísa Pagno //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.