Autor dos mais famosos estudos sobre comida viu 13 artigos retirados

Brian Wansink / Wikimedia

O famoso investigador Brian Wansink

O famoso investigador norte-americano está envolvido numa polémica, depois de 13 dos seus estudos científicos terem sido retirados de algumas publicações.

É provável que nunca tenha ouvido falar de Brian Wansink mas, tal como recorda o site Science Alert, há uma grande probabilidade de os estudos científicos deste investigador terem tido alguma influência nos seus hábitos alimentares.

O cientista, que se debruça nos comportamentos dos consumidores e pesquisa de marketing, era o responsável pelo Food and Brand Lab, na Universidade Cornell, em Nova Iorque, e fez carreira a partir de descobertas muito interessantes.

Exemplos: a quantidade de comida que comemos pode ser influenciada pelo tamanho do prato, os rótulos de baixo teor de gordura podem influenciar-nos a consumir mais calorias e a famosa “não faça compras se estiver com fome”, aponta o IFLScience.

Mas agora, após uma série de revelações erradas nos últimos dois anos, sabe-se que nem todas estas descobertas terão sido inteiramente legítimas. Esta semana, a revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA) e outras publicações associadas anunciaram que iam retirar seis estudos científicos de Wansink, depois de terem sido retractados pelo autor.

Este foi mais um duro golpe na sua carreira e reputação, a juntar aos outros casos expostos nos últimos tempos. Além das numerosas correções, o investigador já conta com um total de 13 artigos em que teve de voltar atrás nas suas conclusões.

Em abril, a JAMA indicou que tinha “algumas preocupações sobre a validade” das contribuições de Wansink, tendo pedido à universidade que conduzisse uma avaliação independente para verificar os seus resultados.

De acordo com a Universidade Cornell, não era possível confirmar a validade científica dos estudos porque não tinham acesso aos dados usados nas pesquisas. Foi então que a JAMA decidiu retirar a sua investigação das suas publicações.

Tudo começou com algumas declarações imprudentes num blogue, em 2016, que levantaram dúvidas a outros investigadores e jornalistas. Em fevereiro, recorda o IFLScience, o Buzzfeed alegou que Wansink estava a encorajar os seus investigadores mais jovens a analisar os dados de uma forma que tornava bem mais provável que encontrassem resultados interessantes: o chamado “data dredging” ou “p-hacking”.

O investigador negou essas alegações mas rapidamente se chegou à conclusão que este não foi um caso isolado. Depois de toda a polémica, surgiram outros casos em que já tinha defendido os mesmos métodos enganosos.

Por seu lado, questionado sobre a resposta da universidade à JAMA no que toca à verificação dos resultados, o cientista considera que se trata mais de uma falha de manutenção do que de qualquer outra coisa.

“Todas as reanálises verificadas pela Cornell acabaram por ser idênticas ou quase ao que tinha sido relatado”, disse Wansink à Retraction Watch. “A única coisa que não conseguimos encontrar foram os instrumentos de pesquisa originais (alguns com mais de 18 anos). Tivemos as versões eletrónicas dos dados, mas não nos parece razoável manter cópias dos dados vários anos depois de terem sido recolhidos”.

Estou muito orgulhoso destes estudos e, por isso, estou confiante de que vão ser replicados noutros grupos de pesquisa científica”, acrescentou.

Entretanto, na sexta-feira, avançou a Time, o cientista demitiu-se do seu cargo na Universidade Cornell, depois deste estabelecimento de ensino ter removido toda a pesquisa do investigador, na sequência da investigação interna que revelou má conduta académica.

ZAP //

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