Bomba H da Coreia do Norte é 16 vezes mais potente do que a de Hiroshima

(dv) KCNA / YONHAP

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, com a mulher, Ri Sol-ju

O sexto ensaio nuclear da Coreia do Norte teve uma potência de 250 quilo-toneladas, 16 vezes superior à da bomba lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima, afirmaram, nesta quarta-feira, especialistas norte-americanos, revendo em alta estimativas anteriores.

Pyongyang afirmou ter testado com sucesso uma bomba de hidrogénio, conhecida como “bomba H”, miniaturizada o suficiente para poder ser colocada num míssil. Este sexto ensaio nuclear, realizado há dez dias pela Coreia do Norte, valeu-lhe, esta semana, um oitavo pacote de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU, consideradas “as mais duras de sempre” pelos Estados Unidos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitoriza a atividade sísmica mundial, registou, aquando do ensaio, um abalo telúrico de magnitude 6,3 e a Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares e a agência norueguesa Norsar reviram em alta os dados anteriores para 6,1.

Também o portal especializado na Coreia do Norte, 38 North, associado ao Instituto EUA-Coreia da Universidade Johns Hopkins, anunciou ter revisto em alta a anterior estimativa relativamente à potência da explosão, falando em “aproximadamente 250 quilo-toneladas”.

Tal significa que a bomba testada pela Coreia do Norte seria 16 vezes mais potente do que a bomba, de 15 quilo-toneladas, que os EUA lançaram sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 1945.

“Esta elevada potência explosiva é igualmente próxima daquela que o 38 North tinha referido anteriormente como sendo a capacidade máxima da base de testes de Punggye-ri”, de acordo com o site, que antes indicou que a potência tinha superado as 100 quilo-toneladas.

As estimativas oficiais da potência da explosão ocorrida em 3 de setembro variam significativamente: Seul fala em 50 quilo-toneladas, enquanto o Japão refere 160.

Os responsáveis norte-americanos, por seu turno, indicaram que vão continuar a tentar verificar se foi efetivamente uma bomba H que foi testada, detalhando que, neste momento, a afirmação por parte da Coreia do Norte – que assim o garantiu – “não é incoerente”.

Reforçar programa nuclear para se igualar aos EUA

O regime da Coreia do Norte declarou, entretanto, que vai redobrar todos os esforços para potenciar ainda mais o programa nuclear e de mísseis para se posicionar ao nível dos Estados Unidos e responder às sanções da ONU.

Através de um comunicado difundido em Pyongyang, a Coreia do Norte promete “levar a luta até ao final” e ameaça “redobrar esforços para aumentar a fortaleza que permite proteger a soberania e o direito de existir”.

Responsabilizando Washington pela “situação”, Pyongyang adverte que para manter “a paz e a segurança na região” é preciso estabelecer “uma situação de equilíbrio” militar com os Estados Unidos.

O regime de Kim Jong-Un pretende lançar, deste modo, uma mensagem de força reagindo às medidas de pressão impostas na segunda-feira pelas Nações Unidas, prometendo incrementar os esforços militares.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano já criticou duramente as sanções que qualificou como “provocação atroz destinada a privar a República Popular Democrática da Coreia (nome oficial do país) do seu legítimo direito à auto-defesa e a sufocar o Estado e o povo através de um bloqueio económico de grande escala”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade um novo pacote de sanções económicas, incluindo limitações sobre a importação de petróleo, além de limitar as exportações dos têxteis norte-coreanos. A proposta inicial dos Estados Unidos junto da ONU, que não foi aprovada, previa a proibição total da venda de gás, petróleo e produtos petrolíferos refinados.

Porém, a Rússia e a China, com direito de veto sobre as resoluções do Conselho de Segurança, tinham expressado oposição sobre alguns pontos da proposta norte-americana o que provocou uma ronda negocial que suavizou as medidas de pressão que acabaram por determinar a limitação em vez da proibição total.

ZAP // Lusa

4 COMENTÁRIOS

  1. Os EUA deviam ser os primeiros a dar o exemplo a toda a comunidade Internacional e abdicar imediatamente do programa nuclear, porque só assim teriam legitimidade de exigir alguma coisa a Coreia do Norte ou Irão. Porque se algum Presidente louco dos EUA tiver acesso a este género de armamento o perigo para o mundo será muito pior. Lembrar que os EUA têm um passado negro na história da humanidade.

    • Sim, se ignorarmos que tu só tens o estilo de vida, a saúde, a qualidade de vida e a esperança de vida que tens, e só podes vir aqui dizer coisas como essa, e este sítio só aqui está acessível para disponibilizar as coisas que escreves, tudo isso, em esmagadora maioria por causa dos americanos, sim, então os americanos têm um passado negro na história da humanidade.

  2. Cada um puxa a brasa à sua sardinha e, é claro, condenar os EUA está sempre na moda e é o acto mais fácil. Só que há um ponto que se deve ter em conta, na minha modesta opinião: nos EUA há democracia e liberdade, enquanto na Coreia do Norte não há democracia nem liberdade. Muito simples! Quem não aplaudir fortemente o líder da Coreia do Norte (CN), sofre sanções e muitas vezes a morte do “infrator” é a pena aplicada… Agora, a terminologia que a CN usa para se armar, tem suporte lógico medida em que, após a segunda invasão do Iraque pelos EUA e apoiantes, um regime como o de Kim Jong – um tinha de optar pelas armas nucleares para, alegadamente, tentar sobreviver… Continuo é sem perceber como é que um país miserável, que pouco exporta, consegue financiar o conhecido projecto armamentista, que prossegue. Alguém o apoia e a minha desconfiança nesse prisma vai para os suspeitos do costume, a China e a Rússia, também potências nucleares…; e é provável que haja outros países que apoiam a CN, talvez uma forma de canalizar apoios “sub-reptícios” dos mesmos, da Rússia e da China – há notícias que apontam a Ucrânia e o Paquistão, como países envolvidos no programa nuclear da CN… E mais haverá, certamente. A CN tem sido o delírio da Esquerda europeia e não só, e assim tudo o que saia daquele país é aplaudido por esse mesmo grupo, composto por irracionais da política. O certo é que essa mesma Esquerda apoia um país que oprime o seu Povo, um país onde ninguém pode expressar pensamentos, que não sejam os admitidos pela nomenclatura, que se mantém aos comandos desse país… Um país onde o simples acto de limpar o rabo pode ser entendido como uma ofensa, uma forma de hostilizar o regime de Kim Jong – un. Papel higiénico é um luxo capitalista e, por isso, só disponível para certas “cabeças de cartaz” do regime, o que implica a necessidade dos cidadãos da CN recorrerem ao jornal oficial do partido para tornarem os seus traseiros mais limpinhos… E aqui surge o problema “nuclear”: as páginas desse jornal estão cheias de fotografias do líder do país e limpar o rabo nessas fotos é um acto muito grave, condenável pelo regime político em vigor na CN. Solução: na CN não se pode limpar o rabo! Mas há mais “incongruências” que se vão conhecendo… Em suma, uma tristeza de país a CN!

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