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Em resposta às sanções, Bielorrússia abriu as suas fronteiras a migrantes

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Amanda Voisard / UN Photo

Alexander Lukashenko, Presidente da Bielorrússia desde 1994

A Lituânia acusa o país vizinho de ter deixado de policiar as suas fronteiras, estando a facilitar a entrada de requerentes de asilo, sobretudo do Iraque.

No final de junho, a União Europeia, os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá impuseram sanções à Bielorrússia pelo desvio forçado de um voo comercial da Ryanair para deter o jornalista Roman Protasevich.

Na mesma altura, o Presidente bielorusso, Alexander Lukashenko, ameaçou deixar de travar a entrada de requerentes de asilo, contrabando, tráfico de droga e até de material nuclear na União Europeia.

Na semana passada foi ainda mais longe, tendo afirmado que o seu país não vai fechar as fronteiras “e tornar-se um acampamento para pessoas que fugiram do Afeganistão, Irão, Iraque, Síria, Líbia e Tunísia”.

Não vamos reter ninguém, elas não vêm para o nosso país, mas para a iluminada, calorosa e acolhedora Europa”, disse, em tom irónico.

Agora, conta o jornal Público, Arnoldas Abramavicius, vice-ministro do Interior da Lituânia, disse numa entrevista que a Bielorrússia já deixou de policiar as suas fronteiras e que está a usar os requerentes de asilo como arma de pressão.

A Lituânia já teve de montar campos de tendas para os migrantes, vindos sobretudo do Iraque, e começou a construir uma vedação na fronteira com a Bielorrússia para deter os migrantes de entrarem no país.

A construção desta barreira fronteiriça ocorreu uma semana depois de Vilnius ter decretado o estado de emergência para lidar com o acentuado aumento do fluxo migratório.

A Lituânia, que tem apoiado e concedido refúgio a figuras da oposição bielorrussa, acusa ainda o país vizinho de organizar as travessias fronteiriças de pessoas na maioria oriundas do Médio Oriente e de África.

Nos últimos dois meses, mais de 1500 pessoas entraram na Lituânia – 20 vezes mais do que em todo o ano de 2020.

As sanções dirigidas à Bielorrússia aplicam-se a um total de 166 pessoas e 15 entidades, que estão sujeitos ao congelamento de bens e impedidos de receber fundos de cidadãos ou empresas da UE, ficando ainda os indivíduos sancionados impedidos de viajar para ou pelo território comunitário.

Protasevich, de 26 anos, foi detido depois de o avião em que viajava ter sido desviado para Minsk, que informou o aparelho sobre um falso aviso de bomba a bordo. Neste momento, encontra-se em prisão domiciliária.

  ZAP // Lusa

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