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Administração Biden representa uma “mudança” para Portugal. Candidatura de Marcelo é “importante”

António Cotrim / Lusa

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva torce por uma vitória de Biden, sublinhado que nesse caso a relação com a Europa mudará “no método e discurso”. Em entrevista à RTP, O Ministro dos Negócios Estrangeiros volta a fazer elogios a Marcelo Rebelo de Sousa, que garante ser fundamental na estabilização da geringonça.

Uma vitória de Joe Biden representaria “uma mudança”, sobretudo na relação com a Europa, assumiu esta quarta-feira Augusto Santos Silva.

O ministro, relembrou que quando Donald Trump tomou posse em 2016 “no início houve um equívoco, até a suspeita legítima de que os americanos iam investir menos na NATO, mas foi corrigido”.

No que respeita à União Europeia, o ministro foi mais crítico. “Foram suspensas as negociações do que seriam os maiores tratados económicos e comerciais do mundo”, afirmando que “a administração Trump nunca percebeu muito bem o que é a União Europeia”.

Neste sentido, Santos Silva realça a importância de uma vitória de Joe Biden, pois no que respeita à relação com a UE, representa uma “mudança principal de método e discurso, mais do que de conteúdo”. Ainda assim, recusou, como MNE, fazer qualquer tipo “de interpretação da personalidade” de Donald Trump.

Relativamente ao principal eixo da política externa norte-americana – a China -, Santos Silva partiu do pressuposto de que a “tensão entre e EUA e China vai manter-se independentemente de quem for o Presidente.”

O Ministro dos Negócios Estrangeiros recorda as declarações do embaixador norte-americano em Portugal, George Glass, quando este referiu que “Portugal tem de escolher entre os aliados ou os chineses”, garantindo que esta atitude não lhe causou “embaraço nenhum”.

“Sou muito preciso. Nessas coisas é preciso não haver nenhuma ambiguidade. Portugal tem aliados, a UE e a NATO. Esses são os nossos aliados“, e a “China tornou-se um parceiro económico”, disse o ministro.

Sobre a relação transatlântica, equipara a que houve com a administração Obama com a de Trump, e disse que foi sempre “muito fácil” convencer “os conselheiros de segurança do Presidente” norte-americano sobre a importância das Lajes, bastava mostrar o mapa dos Açores.

Durante a entrevista houve ainda tempo para Santos Silva defender o desempenho de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, embora sem assumir explicitamente a sua intenção de voto. Contudo, sublinha que “creio que é muito importante a apresentação da sua candidatura”.

O ministro enalteceu também a boa relação entre Presidente e primeiro-ministro. “Não acho que o PR amparou ou se encostou ao Governo. Apoiou o Governo, criticou o Governo, às vezes com a alguma violência, mas sempre respeitando a solidariedade institucional entre órgãos de soberania”.

Augusto Santos Silva não podia ser mais claro, sobretudo quando destacou que depois de 2015 Marcelo foi “não a base de sustentação do Governo, mas do país no quadro europeu e internacional quando precisávamos disso de pão para a boca”, isto devido às desconfianças “em Bruxelas e em Berlim” sobre a geringonça.

  ZAP //

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