Da abolicionista negra numa nota aos transexuais nas Forças Armadas. Biden continua a apagar legado de Trump

Gage Skidmore / Wikimedia

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos

O Presidente dos Estados Unidos continua comprometido em apagar o legado do seu antecessor, sobretudo em questões de igualdade racial e de género.

Esta segunda-feira, a Casa Branca anunciou que vai ser relançado o projeto emblemático de colocar o rosto da militante antiesclavagista negra Harriet Tubman nas notas de 20 dólares, que tinha sido abandonado por Donald Trump.

“O Departamento do Tesouro vai tomar medidas para relançar os esforços para colocar Harriet Tubman nas novas notas de 20 dólares. É importante que as nossas notas, o nosso dinheiro (…), reflitam a história e a diversidade do nosso país e a sua imagem na nova nota de 20 dólares reflete-as de maneira evidente”, indicou a porta-voz da Presidência, Jen Psaki.

A ativista vai ser a primeira personalidade afro-americana a figurar numa nota de banco nos Estados Unidos. Tubman (1822-1913) fugiu da escravatura e ajudou dezenas de escravos a passar para o norte dos EUA e do Canadá, antes e durante a Guerra da Secessão, antes de participar na luta pela atribuição do direito de voto às mulheres.

Este projeto foi iniciado, em 2016, pelo então Presidente Barack Obama. Tubman deveria ter substituído, no ano passado, o Presidente populista Andrew Jackson, personagem controversa admirada por Trump (que tinha a sua fotografia na Sala Oval).

Este general ficou conhecido pela sua vitória histórica sobre os ingleses em Nova Orleães, em 1815. Mas também ficou associado à deportação massiva das tribos índias para o Oeste, o designado “Trilho das Lágrimas”, que provocou milhares de mortos.

Mas o antigo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, anunciou, em 2019, o adiamento do projeto pelo menos até 2028, alegando “questões de segurança” relativas a uma das notas mais usadas no país.

Durante a sua campanha eleitoral em 2016, Trump tinha qualificado a escolha de Harriet Tubman como “puro politicamente correto” e sugeriu que o rosto ficava melhor na nota de dois dólares, que já não é impressa.

Revogada proibição de transexuais nas Forças Armadas

No mesmo dia, e na presença do secretário de Defesa, Lloyd Austin, e do chefe do Estado-Maior General, Mark Milley, Joe Biden assinou uma ordem executiva segundo a qual “todos os norte-americanos qualificados para servir nas Forças Armadas dos Estados Unidos o poderão fazer”.

Esta medida anula uma proibição ordenada pelo ex-Presidente, anunciada numa mensagem no Twitter, durante o seu primeiro ano de mandato.

Na sua audiência de confirmação no Senado, Austin já tinha dado um sinal sobre a possibilidade de revogação da ordem de Trump sobre recrutamento de transgéneros. “Se alguém estiver apto e for qualificado para servir e conseguir manter os padrões, deve ter permissão para servir e pode esperar que eu apoie isso sempre”, tinha dito.

Para Biden, a identidade de género não deve ser uma barreira para o serviço militar. “A América é mais forte, internamente e no mundo todo, quando é inclusiva. Os militares não são exceção”, diz a ordem executiva assinada pelo novo Presidente.

“Permitir que todos os americanos qualificados sirvam o seu país uniformizados é melhor para os militares e melhor para o país, porque uma força inclusiva é uma força mais eficaz. Simplificando, é a coisa certa a fazer e é do interesse nacional”, acrescenta o texto.

A ordem direciona os departamentos de Defesa e Segurança Interna a tomar medidas para aplicar a medida junto dos militares e da Guarda Costeira, explicando que estes serviços devem reexaminar os registos dos funcionários que foram dispensados ou que viram o seu recrutamento negado devido a questões de identidade de género.

Janet Yellen confirmada como secretária do Tesouro

O Senado norte-americano confirmou, esta terça-feira, a nomeação de Janet Yellen para secretária do Tesouro da Administração Biden, a primeira mulher a exercer o cargo.

Yellen, anteriormente presidente da Reserva Federal (Fed), tornou-se a terceira nomeada pelo novo Presidente a passar a aprovação no Senado, com 84 votos a favor e 15 contra.

Tal como já tinha sido a primeira mulher a ocupar a presidência da Fed, banco central norte-americano, entre 2014 e 2018, Yellen será também a primeira mulher a liderar o Departamento do Tesouro, nos 232 anos de história da instituição.

Em intervenção antes da votação no Senado, o líder da maioria democrata, Chuck Schumer, afirmou que Yellen tem apoio bipartidário, refletindo “o quão bem talhada está para a gestão dos desafios económicos deste período”.

Uma das suas primeiras tarefas será assegurar a aprovação no Congresso do pacote de estímulo da nova Administração, avaliado em 1,9 biliões, que conta com oposição no Partido Republicano.

Na semana passada, numa audição na Comissão de Finanças do Senado, Yellen afirmou que, sem intervenção rápida, o país enfrentará uma recessão “mais longa e mais dolorosa”, reconhecendo que um estímulo desta magnitude acrescentará problemas ao “crescente peso da dívida” do país.

“Mas, atualmente, com a taxas de juro a níveis historicamente baixos, o mais inteligente que podemos fazer é ir em frente. A longo prazo, acreditamos que os benefícios vão superar os custos, sobretudo se nos preocuparmos em ajudar as pessoas que estão a sofrer há muito tempo”, frisou.

ZAP // Lusa

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