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Não há mais dinheiro para o muro. Biden anula “emergência nacional” na fronteira com o México

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jlhervàs / Flickr

O novo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

Joe Biden anulou a declaração de “emergência nacional” na fronteira com o México, referindo que a decisão de Donald Trump “não teve méritos”.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anulou a declaração de “emergência nacional” na fronteira com o México e justificada pelo seu antecessor Donald Trump pelos milhões de dólares adstritos a despesas militares para a construção do muro fronteiriço.

Em carta enviada à presidente da Câmara dos representantes, Nancy Pelosi, e esta quinta-feira divulgada pela Casa Branca, Biden informa ter decidido que a decisão de Trump, relacionada com a fronteira sul do país, alegando uma crise migratória e de segurança, “não teve méritos“.

A construção de um muro ao longo dos 3.200 quilómetros da fronteira dos Estados Unidos com o México foi uma das principais promessas de Trump na sua campanha presidencial de 2016, mas o Congresso recusou disponibilizar o financiamento solicitado.

Na sua carta, Biden também anunciou que a política do seu Governo implica “que não se desviem mais dólares dos contribuintes para a construção de um muro na fronteira” e disse ter ordenado uma “cuidadosa revisão de todos os recursos disponibilizados ou redirigidos para essa obra”.

O muro constituiu um dos vetores da política migratória de Trump, que incluiu a detenção de centenas de milhares de migrantes indocumentados, restrições na concessão de asilo a pessoas em fuga da violência ou perseguições nos seus países, e o envio para o México e América central de dezenas de milhares de requerentes de asilo.

No seu primeiro dia em funções, Biden suspendeu a construção do muro fronteiriço com o México, levantou o veto à chegada de migrantes de países de maioria muçulmana e blindou o programa DACA, que protege da deportação 650 mil jovens indocumentados nos EUA que acompanharam os seus pais quando eram crianças, e conhecidos como dreamers.

Suspensão da proibição da app WeChat

Também esta quinta-feira, a administração Biden pediu a um juiz para suspender a decisão de um processo instaurado por Trump para proibir a plataforma chinesa WeChat, depois de ter feito o mesmo na véspera, num caso envolvendo a TikTok.

O departamento do Comércio norte-americano, que trata destes casos, diz que precisa de mais tempo para estudar algumas das decisões tomadas durante a liderança de Donald Trump.

No caso do WeChat, “o departamento planeia iniciar uma avaliação das razões para” a proibição desta plataforma pertencente à Tencent, explica um documento do processo gerido por um tribunal de recurso californiano.

“O Governo estará então em melhor posição para determinar se as ameaças à segurança nacional citadas numa ordem presidencial de 6 de agosto e o objetivo regulamentar de proteger a segurança dos americanos e dos seus dados, continuam a justificar” as restrições solicitadas por Donald Trump, acrescentou.

O antigo inquilino da Casa Branca acusou o WeChat, uma plataforma omnipresente na vida dos chineses através dos seus serviços de mensagens, de pagamento à distância e de reservas, e o TikTok, uma aplicação de vídeos de curta duração particularmente popular entre os jovens, de recolher dados confidenciais antes de os partilhar com Pequim. As duas empresas negam estas acusações de espionagem.

Recursos legais impediram a entrada em vigor das proibições previstas nos decretos e os recursos do Governo não tiveram sucesso até à data.

No requerimento apresentado esta sexta-feira, o departamento do Comércio sublinha que depois da sua revisão do caso, poderia pedir para limitar a ação judicial ou retirar completamente o recurso contra a decisão de um juiz em primeira instância de suspender a proibição solicitada pela administração Trump.

A administração Trump também tinha exigido que o grupo chinês ByteDance vendesse as operações da TikTok nos Estados Unidos aos grupos Oracle e Walmart. De acordo com o Wall Street Journal, Washington decidiu a priori não forçar esta transação, apesar de ainda estarem em curso negociações.

  ZAP // Lusa

8 Comments

  1. Totó…
    A fronteira com o México provou ser demasiado porosa. É impossível ser vigiada de forma convencional. Há três hipóteses:
    1. Aceitam todos os imigrantes ilegais que entrarem
    2. Fazem deportações em massa (como aconteceu na administração Obama/Biden)
    3. Constroem o muro

    A opção 3 é a mais sensata.

    • A fronteira EUA-México tem mais de 3000 Km de comprimento. Em jeito de comparação, é 400 Km mais longa que a distância entre Lisboa e Berlim. Para além disso, há largas secções com barreiras naturais, como grandes rios e desfiladeiros. As pessoas não se apercebem quão grande é os EUA. Construir um muro em toda a extensão da fronteira é absurdo. E pouco eficaz, porque os traficantes constroem túneis, e a forma mais fácil de emigrar ilegalmente para os EUA é ir com um visto de turismo e nunca voltar.

      A opção 2 é a única possível.

      • Se fosse o atual governo Português a tomar uma decisão iria optar por… ARAME FARPADO! Sempre ficava mais barato… não servia para nada… mas sempre se podia dizer que se fez alguma coisa. E o povo rejubilava e voltava a eleger o Mestre Costa.

      • Disseram o mesmo quando há 20 anos Israel começou a construir um muro com os territórios palestinianos. A verdade é que, atualmente, até os israelitas que se opuseram à sua construção concordam que o muro foi a principal causa da diminuição de atentados terroristas.

        O muro israelita é bem mais curto do que a fronteira EUA-México, é certo. Mas a vedação/muro na fronteira entre a RDA e a RFA tinha 1393 Km e pouquíssimos conseguiram atravessá-la. Isto numa época em que não havia a tecnologia de deteção que existe agora e que, entre outras coisas, detecta a construção de túneis.

        Os territórios espanhóis de Ceuta e Melilha têm as suas fronteiras com Marrocos totalmente vedadas. Isto desde os anos 90.

        Os muros são a solução inevitável quando as fronteiras não conseguem ser controladas pelos meios tradicionais. E nenhum país é viável a longo-prazo se não conseguir controlar a imigração (por controlar entenda-se assegurar que se faz sob critérios rigorosos).

        • O muro RDA/RFA é uma situação completamente diferente. Primeiro, tinha o objectivo inverso ao muro EUA/México. Um muro EUA/México teria como objectivo impedir que as pessoas entrassem nos EUA. O muro RDA/RFA não tinha como objectivo impedir que as pessoas entrassem na RFA, o objetivo era impedir que as pessoas saíssem da RDA. Era um muro fortemente militarizado com mais de 1 milhão de minas, e os guardas disparavam a matar. Obviamente isso não vai ser feito nos EUA.

          Por outro lado, não havia turismo da RDA para a RFA. Os EUA não vão fechar as portas a turismo proveniente da América Central e do Sul, e essa é a principal fonte de imigração ilegal – as pessoas entram nos EUA como turistas e nunca mais saiem.

          Atravessar a fronteira EUA/México é difícil devido a barreiras naturais difíceis de transpor, como o Rio Grande, desfiladeiros e montanhas. Atravessar como turista e nunca mais sair é muito mais fácil.

          O custo de implementar tal muro, e mantê-lo, simplesmente não é justificável pelas razões acima. Mais vale usar esse dinheiro para outras coisas.

  2. E os Estados Unidos vão absorver grande, parte dos povos americanos fugidos da miséria dos seus países e irão por sua vez criar miséria nos USA. A solução estaria na estabilidade económica e social desses países, mas a capacidade dos políticos e possivelmente também dos povos não estão para aí virados!

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