Bianca Devins foi assassinada e as imagens partilhadas centenas de vezes na Internet

Uma jovem de 17 anos foi assassinada quando acompanhava o namorado a um concerto, nos Estados Unidos. O companheiro, que ainda tentou o suicídio após o crime, partilhou fotografias do cadáver da vítima na Internet, dando origem a uma sucessão de partilhas.

Bianca Devins, uma jovem norte-americana de 17 anos, tinha terminado em junho o ensino secundário e pretendia começar a estudar Psicologia na universidade ainda este ano. No dia 13 de julho, foi brutalmente assassinada e as imagens foram partilhadas centenas de vezes online.

Nesse sábado, Bianca viajou até Queens para ver um concerto da cantora canadiana Nicole Dollanganger, acompanhada por Brandon Andrew Clark, de 21 anos. Segundo a polícia de Utica, o casal ter-se-á conhecido há dois meses e, apesar de os contornos da relação ainda estarem por descobrir, as suspeitas indicam que Brandon seria o namorado de Bianca.

Depois do concerto, ambos terão tido uma discussão e a jovem acabou por nunca regressar a casa. Segundo a BBC, a polícia acredita que este pode ter sido um crime passional e que Brandon, motivado por um episódio de ciúmes, atacou Bianca com uma faca. O corpo da jovem foi encontrado degolado.

O crime terá ocorrido na madrugada de sábado para domingo (13 e 14 de julho), altura em que começaram a circular imagens do cadáver e conteúdo explícito do crime nas redes sociais.

De acordo com o Público, a primeira imagem foi partilhada nas stories do Instagram por Brandon Andrew Clark e corresponde a um frame do filme Clube de Combate, onde se lê “Esta é a tua vida, e está a terminar um minuto de cada vez”. Depois, o suspeito partilhou uma imagem onde é possível ver uma estrada, com a descrição “Vem aí o inferno. É a redenção, certo?”. Por fim, Brandon terá partilhado na mesma rede social uma fotografia desfocada de um cadáver mutilado e ensanguentado, com a legenda “Desculpa Bianca”.

O suspeito partilhou ainda uma fotografia do corpo, onde era possível ver as lesões na garganta, através do Discord (uma plataforma de conversa e partilha, destinada a utilizadores de jogos online) e do 4chan (outra rede que permite publicar imagens de forma anónima).

Por volta das 7h20 de domingo, a polícia tinha já recebido várias chamadas a alertar para as publicações de Brandon nas redes sociais. Em comunicado, as autoridades adiantaram que o próprio suspeito ligou para os serviços de emergência (911) e fez “declarações incriminatórias” sobre o homicídio.

Brandon Andrew Clark acabou por ser localizado na madrugada de domingo, numa zona de mato, junto a uma área residencial. Quando foi encontrado, o jovem esfaqueou-se a si próprio no pescoço e ter-se-á deitado em cima de uma lona verde (que cobria o cadáver de Bianca) enquanto tirava selfies e as publicava online, conta o diário.

Depois de vários confrontos com a polícia, Brandon acabou por ser detido e encaminhado para o hospital. O jovem foi acusado de homicídio em segundo grau.

***STATEMENT FROM FAMILY***“A Statement from the Family of Bianca Devins – 15 July 2019We are very grateful for the…

Publicado por City of Utica, NY Police Department em Segunda-feira, 15 de julho de 2019

Contudo, as imagens continuaram a ser partilhadas horas depois da morte de Bianca e o caso acabou por ecoar nas várias redes sociais, levantando-se a questão sobre o papel destas plataformas na divulgação de conteúdo violento e extremista e a necessidade de um maior controlo e escrutínio por parte das empresas que as gerem.

À BBC, o Instagram não confirma a data em que recebeu os primeiros alertas da divulgação destas imagens nem o tempo que as fotografias estiveram disponíveis na conta do suspeito, que acabou por ser eliminada.

No entanto, alguns utilizadores revelam que as suas tentativas de denúncia do conteúdo foram rejeitadas, com a justificação de que o conteúdo não violava as políticas do Instagram. A rede social garante que tem estado a analisar as hashtags e contas através das quais este conteúdo tem sido partilhado para, depois, as eliminar.

No 4chan, vários utilizadores celebraram a morte de Bianca, referindo-se ao crime com linguagem ofensiva e misógina, chegando mesmo a manipular a imagens para criar memes, adianta o Público.

A dimensão que estes crimes podem ganhar online e o facto de estas plataformas serem usadas para fins radicais tem vindo a preocupar alguns especialistas, que relacionam o caso de Bianca com os contornos do ataque a duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, que foi transmitido através do Facebook.

ZAP //

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