BES, falência e um fundo abutre. Resort Zmar “deve 60 milhões de euros ao Estado”

Zmar Eco Experience / Facebook

Resort Zmar

Empreendimento turístico Zmar, na Zambujeira do Mar, em Odemira.

Os proprietários das casas privadas do empreendimento turístico Zmar, na Zambujeira do Mar, em Odemira, continuam a protestar contra o alojamento de imigrantes por causa da covid-19. Isto numa altura em que se revela que os donos do resort devem 60 milhões de euros ao Estado.

A história do Zmar cruza-se com o descalabro do BES e pesa também nas contas do Novo Banco.

O projecto nasceu como um sonho de Francisco Espírito Santo de Mello Breyner – e não, o nome não é só coincidência, faz parte da família Espírito Santo que também deu nome ao BES.

O empreendimento turístico foi inaugurado em Junho de 2009 depois de um investimento superior a 30 milhões de euros que contou com fundos públicos.

O projecto arrancou durante o Governo de José Sócrates como tendo Potencial Interesse Nacional (PIN), factor que motivou um investimento público, incluindo fundos comunitários, de mais de 7 milhões de euros.

A classificação como PIN acelerou os processos de licenciamento, mesmo que “o empreendimento se localizasse numa área natural considerada “sensível”“, como repara a revista Sábado.

A zona do Zmar integrará área pertencente à Reserva Agrícola Nacional e à Reserva Ecológica Nacional. Isto inviabilizaria qualquer construção naquela área.

A publicação repara ainda que o resort protagonizou “um dos maiores investimentos turísticos concretizados em Portugal em plena crise financeira internacional do subprime e na antecâmara do pedido de resgate internacional às contas públicas portuguesas, em 2011″.

Créditos tóxicos do Novo Banco

O projecto também obteve financiamento do BES, mas acabou a integrar os créditos tóxicos do Novo Banco após a falência da empresa que detinha o resort, a Cravex.

Foi então que o fundo norte-americano KKR comprou uma carteira de crédito malparado ao Novo Banco por mais de 2 mil milhões de euros. Esse pacote incluía a dívida de 7,3 milhões de euros da Cravex que detinha 56,6% da Multiparques a Céu Aberto, Campismo e Caravanismo em Parques, a empresa dona do Zmar.

O KKR é um dos grandes fundos-abutre internacionais, detendo uma das maiores carteiras de crédito malparado do mundo.

A Ares Lusitani, empresa detida pela HipoGes, uma sociedade do grupo KKR, acabou por comprar a maioria do capital da Multiparques.

Francisco Espírito Santo de Mello Breyner, que detinha 100% da Multiparques, ficou com apenas 43,4% da empresa.

Mas, em Março deste ano, foi a vez da Multiparques entrar em insolvência a pedido da Ares Lusitani, como reportou o Jornal de Negócios.

Entre os credores da empresa estão a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), o Turismo de Portugal, o Novo Banco, a Iberdola e a plataforma a Booking.com, segundo a publicação.

Licenciado como parque de campismo

A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, assegura que o empreendimento turístico deve “cerca de 60 milhões de euros ao Estado”, conforme declarações à TVI24.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, já tinha dito que o Zmar é “um parque de campismo em situação de insolvência em que o Estado é o maior credor“.

Cabrita também vincou que o resort está “licenciado como parque de campismo” e que, portanto, “dispõe de capacidade que não tem a ver com estruturas ocupadas por pessoas com direitos de permanência”.

O espaço tem cerca de 260 casas individuais, sendo que 100 pertencem ao resort e 160 são detidas por privados.

Os advogados de cerca de 120 proprietários continuam a contestar a requisição civil do Governo que pretende alojar no Zmar trabalhadores agrícolas do concelho, na sua maioria imigrantes, em isolamento profilático por causa da covid-19.

Susana Valente, ZAP //

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24 COMENTÁRIOS

  1. Afinal, os betinhos alfacinhas já tinham metido o pé na poça… os santos que eles são. É bom que se vá sabendo estas coisas. Pelos vistos a propriedade, para além de privada, também é caloteira.

  2. Há que declarar a insolvência, tomar posse e rentabilizar o investimento efetuado. É assim que fazem os bons gestores do dinheiro público. Pois dizer-se proprietário sem pagar … até eu fazia e era rico.

    • Pois mas não se esqueça que quem comprou espaços no ZMAR não tem culpa nenhuma disso. A entidade que o construiu e promoveu é que seria a responsável. Não os atuais proprietários individuais!

      • Sim claro… nunca ninguém duvidou que era um negócio bom de mais para ser verdade. Culpem o intermediário! Dizem os “proprietários” . Até podem culpar mas tendo em conta o enquadramento juridico territorial, é tudo ilegal. Pergunto, será possível neste pais ser-se dono de uma ilegalidade? Afinal, são proprietários de um monte da nada. Aqueles terrenos nunca foram para construir habitação permanente. Agora, amanhem-se !

  3. E o BES e gentalha espirito santo novamente metidos na “mer..). Um ministro da
    administração interna que é uma nulidade e já devia estar longe de nos governar há muito tempo . uma ministra da agricultura que só agora acordou, um 1ºministro que assobia para o lado. Enfim um grupo que todos juntos e metidos numa cela é que estavam bem.
    Quanto aos moradores e proprietários na verdade na tem culpa nenhuma Compraram, alguém fez a escritura e se pagaram não vejo porque tem que ser expulsos apenas para encobrir a incompetência de um desgoverno que já conhecia há muito a situaçao. Se não conhecia ainda é mais incompetente porque na verdade não fazem nada.
    Há muito que penso que Portugal está a saque e os “nossos governantes” estão metidos nisto até ao pescoço.

    • Se o senhor as me explicar como se fazem “escrituras” de bungallows em reserva natural, eu agradeço. Tb quero uns bungallows para alugar sem IMI e taxas de gás, àgua e electricidade. Quando a esmola é grande, o pobre desconfia que a coisa não é legal, não?

  4. E não verem as sua habitações demolidas estão cheios de sorte! Foram construídas numa zona de reserva agrícola e ecológica (depois de terem sido abatidas espécies autóctenes) ao abrigo dos famosíssimos projectos PIN, resultado de mais uma negociata entre Sócrates e os Espírito Santo!!Comprar casa nestas circunstâncias é sempre um risco! Afinal o empreendimento foi legalizado só como parque de campismo! Como surgem então as habitações?! Com falta de fiscalização das autoridades como é óbvio! Há muitas a serem demolidas por todo o país!

    • A câmara de Odemira, tal como nunca se apercebeu que existem milhares de trabalhadores com condições de habitação desumanas, também não se apercebeu das estufas e da sua agricultura intensiva, assim como não se apercebeu da instalação de casas de madeira… Em mais de dez anos…
      A empresa tem uma plano de recuperação que caso não avance vai atirar com 100 pessoas para o desemprego (são cerca de 200 na época alta).
      Usar equipamentos do exército para emergências teria sido assim tão descabido?
      Para que serve o exército?

      • Pelos vistos, para si, o exército serve para fazer o serviço de ama seca para covid. Depois andam a cantar o hino nacional, e os grandes “heróis”, não os do mar, são os do aproveitamento de actos ilegais provenientes de favores e corrupção. Por favor, não afronte ainda mais a instituição militar.

        Serviam sabe para quê? Para expulsar os amigos dos “Mellos” e dos “Espiritos Santo” que lá aterraram vindos desde a grande alface e acabar com a ilegalidade por esses lados. Isso sim, seria verdadeiro serviço à Pátria!

        Por último, esse plano se recuperação é uma miragem. Vão pagar 60 milhões como ? Os tais “milhares”. Não atire areia para os olhos das pessoas. Esse dinheiro já foi. Estão agora é à espera do imbróglio judicial para fazer render a mama. Pois, para mim, já “mamaram” foi de mais. Mais “recuperações” ao estilo novo banco? Não, obrigado!

  5. Em Odemira não há portugueses trabalhadores a precisar de casa e a viver com dificuldades? Podem-se alugar as casas. Porque vão para lá os migrantes?

  6. Ena cambada de invejosos. Neste país não se pode ver uma camisa lavada.
    E o ruimvp tem razão a ter de instalar primeiro devemos instalar os portugueses, defender os proprietários e só depois os migrantes. Mas com este GOVERNO COMUNISTA ESTALINISTA DO COSTA voltámos ao PREC

  7. Estamos bem: Foram ilegalmente colocados no Zmar ilegal, imigrantes ilegais… quem legalmente tem propriedade paga e legalmente escriturada é que se lixa!
    Que linda está nossa democracia.

    • Afinal são bungallows em reserva natual…qual propriedade e qual escritura, pago para ver…e pagam IMI e imposto municipal num parque de campismo? Eu acho que o camarada apanhou sol a mais.

  8. De facto não gosto do Sr Costa, nem do Sr Cavaco, e muito menos do Socrates (entre tantos outros, à direita centro e esquerda) , mas, começo a achar que o facto do Sr Costa não interferir na “socromania”, deve querer dizer alguma coisa, o “Merdina” como é um betinho e tontinho, mas, sem eira nem beira, lá disse umas verdades, tal como uma “madame” socialista na assembleia, esta ( que não me interessa reter o nome) apenas mais soft, mas, então, é certo que “aqui há gato”!!!

    “O KKR é um dos grandes fundos-abutre internacionais, detendo uma das maiores carteiras de crédito malparado do mundo.”

    Eu diria antes, um dos grandes fundos-caloteiros, onde está está lá metida toda a bosta mundial, de forma propositada, para nos comerem até aos miolos!…

    Zmar, os betinhos da Espírito Santo, os Caloteiros, mas, existem mais assim, Tec Maia, mais ao norte, é outra que tal, todas empresas “pipis” estão lá, mas os calotes ao estado são de milhares, é o que dá as PPP!…

    Nós, os lorpas, pagamos e não piamos, o outro do CHEGA, tem razão , mas exalta-se demais e não acerta o alvo, votar nele pode levar a uma ditadura, mas não fazer uma revolução está a alimentar outra!…

    Iniciativa Liberal, pode fazer a diferença, já que Rui Rio anda meio anestesiados, talvez a ver como se matam uns aos outros!..

    Mas resumindo politica = bosta

    E assim vai Portugal

    • Curiosamente rematou com uma frase que eu uso muito por estes lados.
      A política em Portugal está nivelada por baixo. E isso porque ninguém,com o mínimo de decência e alguma capacidade profissional, aceita ir para a política nestas condições. Vai perder dinheiro (a não ser que faça os esquemas que a atual classe política faz diariamente), vai ter de obedecer cegamente a um líder partidário (relembre-se a célebre frase do “Somos todos Centeno” e depois foi-se embora – porque é alguém que não está para isso, tem a sua própria cabeça) e vai chafurdar na lama da corrupção, do favor, do fechar os olhos, do olhar para o lado, entre muitas outras práticas a que estamos habituados.
      Enquanto assim for só vai para a política quem não tem mesmo outra opção. E entre a política e o fundo de desemprego, acredito que muitos prefiram conspurcar-se no lodaçal.

  9. Esta história dos migrantes alojados em más condições………. existe em Portugal, muita gente a viver em barracos , há já muitos anos, sem Wc, sem água, sem luz e o governo não quer saber desses para nada. Só anda preocupado com os migrantes porque a TV soltou a noticia, senão a governo continuava sem ligar alguma e mesmo assim os migrantes estão em melhores condições que os portugueses que vivem em barracos há já muitos anos.
    No porto existem hosteis onde existem dez camas por sala e estão autorizados a receber e alojar as pessoas nessas condições e até estão licenciados para isso, por isso o alojamento não é muito diferente dos que os migrantes tem.

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