Benfica vs Moreirense | Águias afundam de novo

António Cotrim / Lusa

O Benfica averbou a segunda derrota consecutiva na Liga NOS, após o desaire por 2-0 na visita ao Belenenses no Estádio do Jamor. Se lhe juntarmos a partida para a Champions League na deslocação ao Ajax, é a terceira derrota consecutiva

Os “encarnados” até começaram a partida a ganhar ao Moreirense, no Estádio da Luz, mas deixaram os minhotos dar a volta e vencer por 3-1, numa primeira parte desastrada dos da casa em termos defensivos e de grande eficácia ofensiva dos forasteiros. Um resultado que poderá afastar ainda mais a “águia” do topo da classificação.

O Jogo explicado em Números

  • Entrada de rompante das duas equipas, com dois golos nos primeiros cinco minutos. Jonas (3′), regressado à titularidade, facturou no primeiro remate que realizou no jogo, assistência do jovem João Félix. Na resposta, o ex-benfiquista Chiquinho (5′) rematou de primeira em zona frontal, à entrada da área, sem hipóteses para Odysseas Vlachodimos. Aos seis minutos, Jhonatan Luiz tirou a bola em cima da linha de golo, após grande chapéu de Rafa.
  • Aos poucos o jogo acalmou do início frenético, muito por culpa do “miolo” muito preenchido do Moreirense, a travar os primeiros momentos de construção benfiquista. A ideia seria a recuperação rápida da posse de bola, e foi precisamente num desses lances que os visitante deram a volta ao marcador. Aos 16 minutos, Arsénio fez a sua segunda assistência, desta feita com Pedro Nuno a marcar, ao segundo poste – ao terceiro remate dos cónegos.
  • Aos 20 minutos o domínio continuava a pertencer por completo ao Benfica, com 72% de posse de bola, 88% de eficácia de passe, seis remates, dois enquadrados. Porém, a eficácia ofensiva do Moreirense, assente num grande pragmatismo, ia ditando regras.
  • À meia-hora, pouco ou nada havia mudado e os “encarnados” só haviam somado mais um remate em dez minutos, com a equipa manietada pela estratégia dos forasteiros. Aos 33 minutos, Rafa, isolado, falhou um golo só com um adversário pela frente. E aos 36 minutos, o Moreirense fez o 3-1. Loum Ndiaye arrancou um pontapé a cerca de 25 metros da baliza e fez um golo de levantar o estádio.
  • Tremenda eficácia do Moreirense, que aos 40 minutos tinha três golos em oito remates, cinco enquadrados, apesar de registar apenas 32% de posse. Mas sempre que construía lances de contra-ataque criava perigo, colocando muitos jogadores no ataque, por vezes em superioridade numérica em relação ao Benfica.
  • Escândalo dos antigos no Estádio da Luz, com o Benfica a perder por 3-1 ao intervalo com o Moreirense.
  • As “águias” tiveram sempre mais bola (68%), excelente eficácia de passe, mas nunca encontraram espaços entre as linhas contrárias nem para as romper, pelo que em número de remates, os estes estiveram equilibrados.
  • Os cónegos foram pragmáticos a atacar, muitas vezes em superioridade numérica, e justificam a vantagem por isso mesmo.
  • Aliás, olhando para a nova variável que passamos a analisar a partir desta jornada, os expected goals (xG), ambas as formações apresentavam números semelhantes (1.3 vs 1.2), com o Moreirense a suplantar as probabilidade de facturar nas situações de remate de que dispos.
  • O melhor nesta fase era Arsénio, com um GoalPoint Rating de 7.0, com três assistências a abrilhantar uma exibição que registava também quatro passes para finalização e dois dribles completos.
  • Para a segunda parte, Rui Vitória lançou Salvio e Castillo, para os lugares de André Almeida e Pizzi. As alterações permitiram ajustar alguns detalhes defensivos dos “encarnados”, que aos 60 minutos registavam quatro remates (um enquadrado) contra nenhuma tentativa dos minhotos.
  • O jogo parecia totalmente controlado pelo Moreirense à passagem do minuto 70. O Benfica mantinha o domínio da posse de bola (70%), seis remates (dois enquadrados) contra nenhum dos visitantes, mas perigo era coisa praticamente inexistente junto à baliza de Jhonatan. Os “encarnados” insistiam nos ataques pela esquerda, registando 42% destes lances pelo flanco canhoto, por volta dos 70 minutos – já com Franco Cervi em campo.
  • Jardel viu vermelho directo aos 77 minutos, por agressão a um adversário, complicando ainda mais a tarefa benfiquista. Ainda assim, a iniciativa continuava a pertencer aos da casa, que enquadravam quatro de oito remates por volta dos 80 minutos, mas quase todos de fácil resolução para o guardião dos minhotos.
  • Derrota pesada para o Benfica na Luz, logo após perder com o Belenenses no Restelo. Após o triunfo sobre o FC Porto, os “encarnados” somaram duas derrotas consecutivas, sofrendo cinco golos e marcando apenas um – mais uma vez com um número de golos (um) abaixo dos expected goals (xG) desta partida, 2,1.

O Homem do Jogo

O guarda-redes do Moreirense não teve de realizar muitas defesas de vulto (somou duas fundamentais ainda na primeira parte), mas foi fundamental na segurança defensiva dos minhotos, anulando todas as tentativas do Benfica em alvejar a sua baliza na segunda parte. Seguro nas saídas e entre os postes, o brasileiro registou um GoalPoint Rating de 7.4 e foi o melhor em campo, em grande medida devido às seis defesas que realizou, três a remates dentro da sua grande área e com quatro paradas seguras. Sem deslumbrar, foi eficaz e competente.

Jogadores em foco

  • Jonas 6.8 – O brasileiro regressou à titularidade e marcou logo no arranque da partida. Mas não se ficou por aqui, terminando com quatro remates, três deles enquadrados, e quatro passes para finalização. Não teve acompanhamento em qualidade por parte dos colegas de equipa.
  • Arsénio 6.8 – O que dizer de um jogador que soma nada menos que três assistências, para todos os golos da sua equipa… O médio-direito fê-lo em “apenas” quatro passes para finalização, tendo completado ainda duas das três tentativas de drible.
  • Rafa Silva 6.6 – O extremo benfiquista esteve muito perto de marcar em duas ocasiões. Na primeira, o seu chapéu a Jhonatan foi travado por este em cima da linha de golo. Na segunda voltou a mostrar que a finalização nem sempre é o seu forte, desperdiçando uma ocasião flagrante. Pela positiva, enquadrou dois dos três remates que fez, criou uma ocasião flagrante em três passes para finalização e completou as três tentativas de drible.
  • Mamadou Loum 6.4 – O golo que marcou do meio da rua, o 3-1, tornou o senegalês imediatamente numa das figuras da partida. O médio completou ainda dois dribles certos, mas brilhou sobremaneira a defender, com 11 acções defensivas, entre elas três intercepções.
  • Chiquinho 6.3 – O jogador que chegou a pertencer aos quadros do Benfica no início da época deu início ao escândalo, ao fazer o 1-1 logo a seguir ao golo inaugural. Veloz e com excelente toque de bola, Chiquinho fez um passe para finalização e ajudou na retaguarda. com cinco acções defensivas.

Resumo

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