Belenenses vs Benfica | Águia sem pontaria cai no Jamor

Manuel de Almeida / Lusa

O Benfica averbou a sua primeira derrota na Liga NOS 2018/19. Na visita ao Belenenses, no Estádio do Jamor,

Os “encarnados” saíram derrotados por 2-0, numa partida em que dominaram, remataram muito, mas mostraram pouca inspiração no momento do remate, com seis jogadores a desperdiçarem uma ocasião flagrante cada.

Um dos grandes responsáveis pela nulidade ofensiva benfiquista foi mesmo o guarda-redes Muriel, com um punhado de defesas espectaculares.

O Jogo explicado em Números

  • Início de jogo “mandão” por parte do Benfica, com um remate enquadrado logo aos 15 segundos e um domínio ao primeiro quarto-de-hora expresso em 69% de posse de bola, três disparos, contra nenhum dos comandados de Silas. Nesta altura os “encarnados” registavam já três cantos contra um, num jogo com apenas uma falta, cometida pelo Belenenses.
  • O primeiro remate dos “azuis” surgiu apenas aos 22 minutos, e logo um acrobático, da autoria de Eduardo Henrique, que quase deu golo. Valeram os reflexos de Odysseas Vlachodimos, a evitar o 1-0 para os da casa.
  • Até que, aos 32 minutos, o Benfica beneficiou de uma grande penalidade. Um lance entre Salvio e Reinildo na área do Belenenses não levou o árbitro a assinalar falta sobre o argentino. Porém, momentos mais tarde, e após consulta do VAR, o penálti foi mesmo assinalado. Muriel travou o remate de Salvio e deixou tudo na mesma.
  • O Benfica dominava claramente, com 67% de posse nesta altura, 11 remates, quatro enquadrados, seis pontapés de canto, mas estava a sentir grandes dificuldades para encontrar o caminho do golo. Muriel começava a destacar-se, com um rating de 7.0, com quatro defesas, entre elas a do penálti, três a remates na sua grande área.
  • E como estávamos numa onda de grandes penalidades, o Belenenses usufruiu de uma aos 35 minutos, por falta de Odysseas sobre Licá. E os anfitriões não desperdiçaram, através de Eduardo, ao segundo remate que realizaram na partida. Quem não marca, arrisca-se a sofrer e foi isso mesmo que aconteceu às “águias”.
  • E antes do intervalo o Belenenses ampliou. Eduardo assistiu Keitá e o avançado, perante Odysseas, atirou com sucesso para o 2-0, no primeiro remate que fez no jogo. Eficácia quase total: três remates, dois golos, aquando do segundo tento.
  • Vantagem clara do Belenenses ao descanso, por 2-0, apesar de o domínio do jogo ter pertencido na totalidade ao Benfica.
  • Muita posse de bola, muitos remates, mas a eficácia esteve toda do lado dos “azuis”, que marcaram dois golos em três remates, contra uma formação “encarnada” que até um penálti desperdiçou.
  • O melhor em campo nesta fase era Muriel. Com uma muralha defensiva pela frente, o guarda-redes brasileiro esteve sempre à altura quando os seus companheiros falharam, chegando ao intervalo com um GoalPoint Rating de 7.0, mercê, essencialmente, de quatro defesas, uma delas a grande penalidade, sendo que três foram a remates dentro da sua grande área.
  • Rui Vitória lançou Jonas no segundo tempo, saindo Salvio e com Pizzi a encostar à direita.
  • A presença de dois pontas-de-lança baralhou as marcações belenenses, mas os “encarnados” mostravam uma desinspiração atacante confrangedora.
  • À passagem da hora de jogo já cinco jogadores do Benfica haviam falhado, cada um, uma ocasião flagrante de golo – Rafa, Pizzi, Jonas, Salvio e Gedson Fernandes.
  • A pressão benfiquista continuou intensa, com três pontas-de-lança em campo por volta dos 70 minutos – entrou Castillo para o lugar de Pizzi -, 64% de posse de bola no segundo tempo, seis remates, dois enquadrados. O Belenenses rematou pela segunda vez (ambas enquadradas) após o descanso aos 71 minutos, com Odysseas a evitar o 3-0, perante Licá isolado.
  • Aliás, perante o balanceamento benfiquista, o Belenenses começou a surgir com frequência em superioridade numérica, na sequência de contra-ataques. Porém, tirando a defesa de Odysseas, o último passe não saía. Entretanto, do outro lado, o Benfica perdia clarividência com a saída de Pizzi e o seu jogo consistia em bolas despejadas para a grande área, sem consequências e sem ocasiões criadas.
  • O jogo chegou ao fim com o Benfica a registar muita posse de bola, remates, mas poucos enquadrados, e os que iam à baliza encontravam Muriel pelo caminho. Ficou a ideia que os “encarnados” não chegariam ao golo nem que o jogo se arrastasse mais algumas horas.

O Homem do Jogo

O Benfica perdeu no Jamor, mas a exibição de Rafa Silva esteve a milhas de distância – pela positiva – da prestação colectiva do Benfica. O extremo português está em grande forma e voltou a demonstrá-lo nesta partida, com números verdadeiramente notáveis que, por si só, justificam o GoalPoint Rating de 8.5.

Rafa fez quatro remates, nenhum enquadrado, é certo, mas realizou nada menos que sete passes para finalização e criou duas ocasiões flagrantes, números pouco vistos na Liga NOS, podendo queixar-se da falta de competência dos colegas de equipa na hora de finalizar.

O internacional luso tentou ainda o drible por oito vezes e conclui cinco dessas tentativas, e teve eficácia e três de cinco cruzamentos. Uma exibição de grande nível.

Jogadores em foco

  • Muriel 7.6 – Muriel foi uma autêntica muralha, travando os remates do Benfica sempre que os seus colegas falhavam. No total registou sete defesas, entre elas cinco a remates de dentro da área, duas a disparos aos ângulos e travou uma grande penalidade de Salvio. Se aquelas intervenções notáveis em lances anulados por fora-de-jogo tivessem contado, estaríamos, certamente, perante um rating inédito para um guardião do nosso campeonato.
  • Fernando Henrique 7.7 – O médio do Belenenses esteve em todas. Fez o primeiro remate da sua equipa, acrobático, converteu uma grande penalidade no 1-0 e fez a assistência para o segundo da equipa de Silas. E ainda terminou com um registo de três passes para ocasião e duas ocasiões flagrantes criadas (uma foi a assistência).
  • Ljubomir Fejsa 6.8 – Tal como Rafa, o sérvio esteve uns furos acima dos seus companheiros e não foi por ele que o Benfica perdeu. Fejsa fez um passe para ocasião, completou 54 de 57 passes, recuperou oito vezes a posse de bola e fez sete desarmes.
  • Álex Grimaldo 6.0 – Na primeira parte o lateral-esquerdo foi um dos principais catalisadores do futebol ofensivo do Benfica, mas caiu de produção no segundo tempo. Porém, fez dois passes para finalização, completou três de quatro tentativas de drible e somou cinco acções defensivas.
  • Jonas 5.8 – A sua entrada ao intervalo teve o condão de baralhar as marcações defensivas do Belenenses, mas com o tempo, estas voltaram a afinar e, perante a falta de ideias do meio-campo benfiquista na etapa complementar, o brasileiro acabou por não ter um impacto forte no jogo. Porém, foi a tempo de realizar quatro remates (um enquadrado) e desperdiçar uma ocasião flagrante.

Resumo

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