Banca pode precisar de novo resgate (e os contribuintes é que vão pagar)

Mário Cruz / Lusa

É provável que a banca volte a necessitar de ajuda financeira, segundo previsão do economista Abel Mateus que está certo de que se isso acontecer, serão os contribuintes a pagar.

Em entrevista ao Público e à Rádio Renascença, Abel Mateus lembra declarações recentes do também economista Vítor Bento que referiu que a resolução do BES deverá custar, globalmente, 10 mil milhões de euros. Quem pagará essa pesada factura é a pergunta que se impõe, segundo o antigo líder da Autoridade da Concorrência e ex-administrador do Banco de Portugal.

E olhando para o futuro próximo, Abel Mateus acredita que a Banca portuguesa pode voltar a ter problemas graves, o que sairá caro aos contribuintes, vaticina.

“Evidentemente que não serão os depositantes a pagar uma eventual futura crise financeira na Banca, também não estou a ver a dívida subordinada a suportar isso, e dizer que são os outros bancos, quando estão numa situação de fragilidade, também é ilusório. Portanto vão acabar por ser os contribuintes“, refere Abel Mateus.

Os funcionários bancários também deverá pagar parte da factura, com o aumento dos despedimentos na Banca, diz.

Os níveis de crédito malparado continuam a ser “um risco elevado”, refere o economista. “Entre os países da crise – Espanha, Grécia e Irlanda -, somos o segundo com níveis de malparado mais elevado, temos registado uma redução muito lenta e ainda temos níveis incomportáveis”, considera.

Para resolver os problemas da Banca, falta “uma visão mais agressiva” que passe por uma regulação mais apertada, “obrigando os bancos a reduzirem de uma forma mais drástica e a reconhecerem as dívidas”, defende Abel Mateus.

“Há dívidas que são irrecuperáveis e continuam nas contas dos bancos; toda a gente sabe que são irrecuperáveis e continuam lá como recuperável, o que não é admissível“, conclui.

Recados ao Governo

Abel Mateus também deixa, nesta entrevista, alguns recados ao Governo, mencionando a ineficiência na gestão dos recursos públicos e criticando a política de cativações e os cortes cegos na despesa.

“É necessário uma alteração radical na forma como gerir a causa pública, os serviços públicos”, considera o economista. “É preciso reorganizar a forma como se gere o Estado, é preciso que os ministros sectoriais tenham mais responsabilidade e sejam responsabilizados pela gestão do seu dinheiro”, frisa.

“Não é dando a conta-gotas o dinheiro a cada um dos ministérios que se resolvem os problemas”, alerta ainda Abel Mateus, concluindo que as políticas públicas devem ser feitas “com a preocupação da eficiência e da qualidade dos serviços”.

ZAP //

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17 COMENTÁRIOS

  1. Sempre ouvi dizer que as pessoas morrem ( desaparecem ) mas o dinheiro fica cá todo…

    Onde, pergunto eu?

    Estou farto de ouvir falar numa tal “corrupção”!!! O que é isso?

    Será uma nova profissão onde se ganha muito dinheiro?

    Em que universidade se tira esse curso?

    Quero voltar a estudar!!!!

    • Na Suíça, no Dubai, em Hong Kong e em todos os outros paraísos fiscais manhosos que ajudam a esconder o dinheiro roubado os povos!…

        • Sim como visiting scholar e está a andar de mota… em Berkeley
          Isto do visiting scholar… eu… fui em tempos à Universidade de Paris… e estive lá umas boas duas horas… com uns amigos. Acham que seria um bocado forçado pôr isto do visiting scholar no cv? O outro pôs e nem nunca lá foi. Eu estive lá. E até estive a ver um livro… sobretudo a introdução e o prefácio. O que acham?

    • Eu estava a brincar!!!

      Mas afinal parece-me que existe mesmo uma profissão que se chama “Corrupção”…

      Agora só me apetece dizer VOTEM NELES…

  2. Responsabilizem A SÉRIO quem toma as decisões! Sejam os políticos, sejam os administradores ou gestores bancários.
    Penhorem-lhes o património, ponham-nos a ganhar o salário mínimo para o resto da vida deles!
    Assim se escravizam um povo.
    Com o aumentar de situações destas, sou cada vez mais a favor da pena de morte para estes LADRÕES e CORRUPTOS.

  3. Só falta o salazar para colocar o país direito porque os governantes que temos tido são uns mentirosos. Quando querem ganhar eleições apresentam o problema duma maneira que é só enganadora. Por exemplo: há pensões que pagavam para a s.social 62 contos e quinhentos escudos. Deram – lhe uma reforma de 530 euros e era mais que o salário mínimo da altura hoje ganha 567 euros menos que o salário minimo. Como se governa?????

    • Há muito que ele está perdoado. Deve ter sido o político mais sério que existiu em Portugal. Mas ele não interessava a bandidos e ladrões…

      • Era pegar nesta seita do ps e isolá-los todos nas desertas para marcar o território. Ao menos serviam para alguma coisa.

  4. Era o que faltava ainda mais biliões para essa banca crimnosa! Quando há pessoas a esperar 4 anos por uma consulta, outras a morrer por falta de assistência, fora a miséria e pobreza! NEM PENSAR! Os portugueses não podem aceitar de forma alguma isso! Se foram para essa atividade ninguém tem nada que lhes pagar os prejuizos, isso não acontece em mais lado nenhum!

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