Aviões Airbus vão ter caixas negras ejectáveis e flutuantes

Alessandro Silva, FAB / Wikimedia

Militares brasileiros com a caixa-preta do Boeing 737-800 da GOL que caiu em Mato Grosso em setembro de 2006. A "caixa-preta" na realidade é laranja, para facilitar a sua recuperação.

Militares brasileiros com a caixa-preta do Boeing 737-800 da GOL que caiu em Mato Grosso em setembro de 2006. A “caixa-preta” na realidade é laranja, para facilitar a sua recuperação.

Os aviões Airbus A350 e A380 vão ser equipados com caixas negras ejectáveis e flutuantes, o que permitirá localizar mais facilmente aparelhos que caiam no mar, anunciaram hoje fontes do sector.

“A Airbus recebeu no final do ano passado luz verde da Agência Europeia de Segurança Aérea [AESA] para realizar nos aviões as modificações necessárias à instalação destas novas caixas negras, nas traseiras dos aparelhos”, indicou à agência de notícias France-Presse (AFP) uma fonte.

Por seu lado, um porta-voz da AESA confirmou que a agência está a actualizar as regras de certificação das aeronaves comerciais, que permite a possibilidade de equipar os aviões com estas caixas negras.

“A alteração é geralmente rápida”, indicou.

Esta tecnologia, já aplicada nas forças armadas, não é utilizada na aviação civil porque até há poucos anos os acidentes aconteciam sobretudo na descolagem ou aterragem, e as caixas negras eram facilmente encontradas no solo.

Mas a queda de um avião entre o Rio de Janeiro e Paris, em 2009, que obrigou a quase dois anos de buscas para recuperar as caixas negras no fundo do Oceano Atlântico, o desaparecimento de um avião da Malaysia Airlines, em 08 de Março de 2014, no Oceano Índico, cujos destroços não foram encontrados até hoje, e ainda o despenhamento de um avião da AirAsia sobre o mar de Java, em Dezembro passado, tornaram evidente a necessidade de soluções práticas para encontrar as caixas negras.

“A ideia é modificar as caixas negras para que ambas registem os parâmetros e as conversas durante o voo. Uma delas seria ejectável e a outra não”, disse à AFP uma fonte próxima de um fabricante de aviões europeu.

A caixa ejectável seria equipada com um sistema de ‘airbag’ que lhe permitiria permanecer à superfície da água em caso de queda no mar, o que facilitaria a recuperação de dados e conversas fundamentais, mas também tornaria possível perceber o ponto de impacto exacto no momento do acidente para localizar os destroços.

A utilização de uma caixa negra exige a mudança do alçapão no avião, disse uma fonte próxima da fabricante de aeronaves.

A Airbus deu prioridade à modificação dos aviões de última geração, como o A350 e o A380, utilizados para os voos transatlânticos.

/Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Os aviões comerciais deviam ter uma terceira caixa negra com video, na cabine de pilotagem, pois para os peritos fazerem uma análise, veriam o que se passou com os pilotos, desta forma chegariam a uma conclusão mais precisa e correcta !

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