Autor do incêndio no Hospital de S. João diz que não se lembra

Rui Manuel Farinha / Lusa

Viatura do Batalhão de Sapadores bombeiros do Porto, estacionada junto ao Hospital de São João, durante a intervenção no incêndio que deflagrou no 9º piso do Hospital, no Serviço de Pneumologia.

Incêndio no Hospital de São João.

O alegado autor do incêndio no Hospital de São João, no Porto, diz que não se lembra e que, quando acordou, “já estava tudo a arder”.

Um incêndio no piso 9 do Hospital de São João, no Porto, no passado domingo, provocou uma vítima mortal e nove feridos — quatro pacientes e cinco profissionais de saúde — e obrigou à deslocação de doentes de pneumologia dentro da unidade hospitalar.

Quando foi confrontado pelos inspetores da Polícia Judiciária (PJ), no final de tarde de domingo, o alegado autor do incêndio disse não se recordar do incidente. “Quando acordei já estava tudo a arder. Não me lembro”, disse o doente, citado pelo Jornal de Notícias.

O homem será um paciente entre os 50 e os 60 anos, que estava internado com problemas respiratórios relacionados com um cancro nos pulmões, com metástases já espalhadas pelo cérebro.

Os investigadores da PJ já excluíram a teoria de que o fogo teve origem acidental. Em contrapartida admitem duas hipóteses: ou o paciente ateou intencionalmente o fogo, provavelmente devido a alucinações, ou estava a fumar e deixou cair o cigarro na cama.

O paciente já tinha registado vários episódios de alucinações, sendo que num deles queixou-se da existências de animais perigosos na cama de hospital.

Quando o incêndio começou, havia dois doentes no quarto. Quando o alarme disparou, as profissionais de saúde que estavam nas proximidades viram fumo a sair do quarto. Ao entrarem, depararam-se com um dos pacientes no chão, em chamas da cinta para cima. O outro doente, que estava acamado, não foi retirado a tempo do quarto, acabando por morrer no local.

Entretanto, chegaram inspetores da PJ, que ainda conseguiram questionar o suspeito. O doente foi, pouco depois, induzido em coma devido à gravidade dos seus ferimentos.

O suspeito está atualmente internado num serviço de cuidados intermédios na Unidade de Queimados, de onde deverá sair este fim de semana para a enfermaria, escreve o JN.

Só aí é que os investigadores da PJ poderão interrogar o paciente para tentar perceber os contornos do incidente que levou ao início do incêndio.

  Daniel Costa, ZAP //

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