Com a autonomia ameaçada pela China, o governo de Taiwan reforça as forças armadas

Taiwan Presidential Office / Flickr

Tsai Ing-wen, Presidente de Taiwan

Com receio de perder a sua autonomia após os acontecimentos recentes em Hong Kong, Taiwan antecipa-se para a proteger. O governo começou já a tomar medidas para reforçar as forças armadas do país, caso seja necessário travar uma batalha contra a China.

A presidente Tsai Ing-wen tem vindo a aumentar os gastos na defesa, argumentando que “Taiwan está cada vez mais na linha da frente da liberdade e da democracia”. Isto acontece numa altura em que Pequim arrebatou as forças pró-democracia em Hong Kong, o que aprofundou o receio de Taiwan em relação ao Partido Comunista da China.

Nas últimas semanas, a presidente Tsai Ing-wen apresentou o maior orçamento militar de sempre do país, e prometeu uma cooperação de segurança mais estreita com os EUA e outras democracias. Enquanto isso, Pequim aplica uma nova lei de segurança nacional em Hong Kong, e realiza ataques militares no Estreito de Taiwan.

As tensões militares aumentaram na região, com o Exército de Libertação do Povo da China a conduzir exercícios de combate. Pequim tentou pressionar o governo de Tsai a nível económico e militar, reforçando o controlo do Partido Comunista em toda a periferia do país. O governo chinês declara assim, de forma objetiva, que os planos do partido para controlar Taiwan não podem ser adiados indefinidamente.

De acordo com legisladores locais, as medidas de Xi Jinping em Hong Kong alimentaram a preocupação entre a população, que acredita que a sua democracia irá ser o próximo alvo do governo chinês.

Fortalecer a defesa de Taiwan é uma meta para Tsai, cujo partido defende uma identidade taiwanesa separada da China. Tsai anunciou que os gastos relacionados com a defesa aumentariam cerca de 10%, para 453,4 mil milhões de dólares taiwaneses (cerca de 12 mil milhões de euros) no próximo ano.

Num visita a Washington, o governo de Taiwan planeou comprar mais armas americanas que podem ajudar os 215 mil soldados, marinheiros e aviadores a combater contra os 2 milhões de militares chineses. Neste sentido, a presidente de Taiwan tem tentado manter bem firmes os laços com os EUA.

Para muitos, esta ideia é utópica. Ma Ying-jeou, ex-presidente de Taiwan, defende laços mais calorosos com Pequim em vez de tentar criar uma guerra. A estratégia militar chinesa em Taiwan é baseada na ideia de que “a primeira batalha é a batalha final”, realça Ma.

“Isso significa que, uma vez iniciada, a batalha deve ser concluída num tempo muito curto e Taiwan nem vai ter oportunidade de esperar que os militares dos EUA possam ajudar”, remata o antigo presidente.

Em resposta a estas declarações pouco encorajadoras, o Partido Democrático Progressista de Tsai acusou Ma de denegrir e desmoralizar os militares de Taiwan.

Bonnie Glaser, diretora do China Power Project, garante que “ninguém deve descartar a possibilidade de os EUA auxiliarem Taiwan”.  No entanto, Glaser admite que “provavelmente irá levar meses para que os EUA destaquem para a região uma quantidade de força militar capaz de fazer frente ao exercito chinês”.

Ainda assim, muitos especialistas em defesa acusam os militares de Taiwan de falta de rigor no seu planeamento estratégico. Segundo o Wall Street Journal, levantam-se preocupações sobre a escassez de tropas de alta qualidade.

James Huang, ex-tenente-coronel do exército de Taiwan, explica que “os militares de Taiwan carecem de treinos em conjunto com outros militares estrangeiros, o que prejudica a sua capacidade de lutar ao lado das forças aliadas”.

Tsai reconheceu alguns desses problemas, prometendo revisões para melhorar o “orgulho e o profissionalismo nas forças armadas”, uma vez que tem como objetivo fortalecer as reservas militares.

Este conflito é antigo. Desde 1949 que o Partido Comunista procura ganhar controlo sobre Taiwan. Na altura, as forças de Mao Zedong tomaram o poder na China, levando o então líder do governo nacionalista chinês, Chiang Kai-shek, a exilar-se na ilha.

Em 1979, Pequim comprometeu-se com uma política de “unificação pacífica”, e ofereceu-se para governar Taiwan sobre a ideia de “um país, dois sistemas”, tal como foi aplicado em Hong Kong. Contudo, a ideia de uma ação militar continua a ser uma opção em aberto, e Taiwan não quer estar de olhos fechados se algo acontecer.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Sim todos nós de democracias devemos e temos a responsabilidade de defendermos quem pede ajuda, em especial pequenos países, senão são engolidos pelos grandes comunistas ,não quero isso para os meus filhos e netos.

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