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“Auto-estrada ferroviária” entre Lisboa e Porto cada vez mais perto

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A Infraestruturas de Portugal (IP) está a estudar uma linha de alta velocidade para ligar Lisboa e Porto, que passe ao largo das cidades sem que sejam necessários desvios para “tocar” nas restantes estações.

Segundo o jornal Público, a abordagem é simples: a linha de alta velocidade poderá ser uma “auto-estrada ferroviária” direta entre Lisboa e Porto.

Tendo em conta que sempre esteve previsto a existência de comboios diretos entre o Tejo e o Douro e outros com paragens nas três cidades intermédias, a solução que está a ser estudada pela IP maximiza a velocidade entre Lisboa e o Porto sem prejudicar os acessos a Aveiro, Coimbra e Leiria.

Para Aveiro, a solução passa por Oiã (a sul) e Canelas (a norte).

Nestas estações, os comboios de alta velocidade desviam-se para a linha do Norte e servem a estação de Aveiro, regressando depois à linha principal e retomando as velocidades próximas de 300 km/h.

Para Coimbra, existem até ao momento dois cenários alternativos: “a passagem da alta velocidade por Coimbra B, com atravessamento do rio Mondego em túnel ou viaduto, versus uma solução direta para tráfego de passagem complementada com solução bypass para servir Coimbra B”, explica a IP.

A segunda solução, que é mais barata, não obriga a grandes obras de engenharia. Algures entre Alfarelos e Taveiro seria feito um desvio para a linha do Norte, que permitiria aos comboios rápidos chegar a Coimbra B e continuar depois até à zona de Souselas onde um outro desvio lhes permitiria prosseguir novamente pela linha de alta velocidade.

Relativamente a Leiria, a IP diz que os estudos ainda não estão em curso, mas admite que “em alternativa à solução que previa a instalação de uma nova estação intermodal sobre o traçado da alta velocidade e o consequente desvio da Linha do Oeste, venha a ser avaliada a viabilidade de servir a atual estação de Leiria com a alta velocidade mediante bypass pela Linha do Oeste”.

É normal que estas soluções não sejam do agrado dos autarcas, que sintam que a linha de alta velocidade lhes está a fugir, mas a verdade é que não deixam de usufruir dessa infra-estrutura e sem os incómodos de terem às suas portas complexas obras de engenharia”, disse Manuel Tão, doutorado em Alta Velocidade e professor da Universidade do Algarve.

Segundo apurou o Público, a IP pondera ainda utilizar a linha do Norte entre Lisboa e o Carregado para nela fazer circular os comboios de alta velocidade, em vez de construir um troço inteiramente novo neste percurso.

Um comboio sem paragens poderá demorar 1 hora e dez minutos entre Lisboa e o Porto e, saindo da “auto-estrada ferroviária” e servindo as cidades intermédias, cerca de 1 hora e 30 minutos, escreve o Público.

Esta quinta-feira, arrancam em Coimbra as sessões regionais do Plano Nacional Ferroviário, que procurarão debater os impactos locais das medidas.

  ZAP //

6 Comments

  1. Uma linha de alta velocidade com velocidades de 300 Km/h só faz sentindo sem paragens ou apenas uma em Coimbra.
    De Lisboa ao porto são 300 Km, faria a viagem em 1 hora, para as outras estações ja tem o Alfa Pendular que atinge 200Km/h e faz 2:30 de viagem.

    • Uma linha de alta velocidade assim só faz sentido para andar às moscas !!!!
      Com excepção dos alfacinhas e dos tripeiros, que não são a maioria do país quem é que vai deslocar-se para qualquer uma das pontas para apanhar um comboio caríssimo ? Só a comandita que não paga, tipo deputados e outros parecidos.
      Por isso é que o crescimento não descola, com tanta coisa útil e reprodutora de investimento e querem mais um elefante branco !!!!

      • Não estava a comentar se a linha é necessária ou não, mas sim o ridículo de uma linha de alta velocidade com tantas paragens que o comboio não vai tirar partido da velocidade.

        Pessoalmente acho a linha uma mais valia se pudesse ligar as duas cidades, até porque ao contrário do que o você pensa, entre tripeiros e os alfacinhas você tem praticamente meio portugal, são mais de 4 milhões entre as duas áreas metropolitanas e é obviamente onde está a maioria das empresas.
        O tráfego é elevado entre as duas cidades.

        Agora se eu acho que é algo onde se devia gastar dinheiro, aí a resposta é não.
        Não temos dinheiro e aumentar a dívida pública por uma linha destas onde os bilhetes custariam 100 EUR (seguindo o exemplo de Espanha) o que faria muitos continuar a usar o Alfa, não faz sentido.

  2. Quanto mais para pelo meio, menos sentido faz fazer a viagem Lisboa-Porto. Se é para ter algo que faça sentido, faziam uma única estação no centro, a meio da viagem, que pelas contas seria perto de, ou na zona de, Coimbra. Isto sem desvios para CoimbrasB e comodismos afins que só tiram tempo ao que faz sentido, o suposto tempo curto da viagem. É que a cabeça tuga, quando começa a pensar muito, esquece-se do essencial. Ainda se lembram em fazer mais estações e depois mais vale a pena ir de regional. E sinceramente, tendo em conta o que poderia valer um bilhete desses, entramos na concorrência via aérea. Agora façam as contas ao tempo entre as duas viagens. Será que 1:30 vs 1:00 faz muita diferença quando se concorre contra o avião ? Essa é a pergunta que deveriam fazer.

    • Como investimento não acho que faça sentido, mas apenas porque a diferença de preço não vai justificar a ida por alta velocidade versus ir em Alfa.

      Quanto ao avião, tendo em conta o tempo que se perde em check in, o tempo que tem de chegar antes do voo, a distância que tem do aeroporto para a cidade (especialmente no Porto) e por fim o mais importante, a pegada que cada voo deixa no meio ambiente, é para mim um meio de transporte que não faz sentido existir numa viagem tão curta como LIS / OPO, tendo em conta que o Alfa pendular faz 2,30 e pode fazer menos se reduzirmos as paragens a Lisboa, Coimbra e Porto.
      Sendo que o comboio tem a mais valia de transbordo para inter-cidades, interurbanos e extensões para o norte e sul do país (Bragança, faro, etc …)

  3. Que trapalhada! Mas afinal é um percurso novo ou utiliza a linha férrea existente? Isto só próprio de um ministro TAP.

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