Ativista detido depois de tentar retirar uma escultura indonésia do Museu do Louvre

Mwazulu Diyabanza foi detido na semana passada em Paris, depois de tentar retirar uma escultura indonésia do Louvre. O ativista congolês disse que a ação foi parte de um protesto para que os museus europeus restituam aos países africanos a arte que de lá foi retirada durante o período colonial.

A maioria dos ativistas pela restituição de património às antigas colónias redige manifestos, faz petições ou escreve artigos de opinião. Mas Mwazulu Diyabanza optou por uma ação mais direta e foi preso no Museu do Louvre, em Paris, depois de uma uma ação de protesto durante a qual tentou retirar do museu uma escultura indonésia do século XVIII.

A ação, disse o ativista congolês de 42 anos, fazia parte de uma campanha para que os museus europeus repatriassem a herança africana conquistada durante a era colonial.

Num vídeo publicado no Facebook, Diyabanza é visto a pegar numa escultura do museu e a caminhar calmamente, antes da intervenção de um visitante e dos seguranças do museu.

O Louvre confirmou, entretanto, o incidente ao Artnet News e contou que a obra, que não parece ter sofrido nenhum dano significativo, era uma das duas figuras do espírito guardião do final do século 18 da ilha de Florès, no leste da Indonésia, que foi emprestada pelo Musée du quai Branly-Jacques Chirac.

O ativista foi então detido e presente a tribunal, encontrando-se já em liberdade. Segundo o seu advogado, o juiz citou a “complexidade” do caso e suspendeu o julgamento até 3 de dezembro – data até à qual Diyabanza está proibido de entrar em qualquer museu.

Diyabanza tinha já sido detido a 12 de Junho no Museu do Quai Branly, também em Paris, após uma intervenção semelhante transmitida em direto no Facebook. Na sequência dessa ação, evitou uma sentença de prisão de dez anos e uma multa de 150 mil euros, com o argumento de que o incidente não foi uma tentativa de roubo, mas um protesto político.

Membro do movimento pan-africano Unité, Dignité et Courage (UDC), que tem vindo a trabalhar para que os museus europeus restituam aos países africanos a arte que de lá foi retirada durante o período colonial, Diyabanza realizou, até agora, ações em Paris, Marselha e na Holanda.

“Dizer que não tenho medo seria mentir”, escreveu Diyabanza na sua página de Facebook, depois da prisão no Louvre. “Juntei toda a minha coragem para dar voz a todos os meus antepassados que, com inteligência e engenho, produziram estas obras”, acrescentou.

A propósito da ação no Quai Branly, Mwazulu Diyabanza explicara já à BBC o objetivo do UDC: “Queremos demonstrar do ponto de vista penal que as obras [do período colonial que estão nos museus] foram saqueadas, [que chegaram ali através de] atos condenáveis.”

“Isto para restaurar a verdade histórica e para dizer à humanidade que, em nome da ética, não podemos dar razão a um ladrão, a um usurpador, a um prevaricador”, disse, citado pelo Público.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. As obras estão no sítio certo.
    Vamos ser realistas, não dão muito valor a essas obras em Africa e se fosse para lá mandado, poderia ser destruído por motivos religiosos ou culturais. (Tomem o exemplo de Palmira)
    Aqui na europa são bem tratados e guardados.

    Ele poderá ter boas intenções mas são apenas isso, ele não sabe as implicações que poderá criar…

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