Ativista chinês Wu Gan condenado a 8 anos de prisão por subversão estatal

Wu Gan foi condenado a oito anos de prisão por subversão contra o sistema político. Os advogados do ativista chinês já garantiram que vão recorrer da sentença.

Esta terça-feira, o Tribunal Popular Intermediário n.º 2 de Tianjin, uma cidade a cerca de 200 quilómetros a sudeste de Pequim, condenou Wu Gan a oito anos de prisão por subversão contra o Estado. O ativista pelos direitos humanos foi condenado à mais pesada pena passada a ativistas pelo Governo chinês nos últimos dois anos.

Conhecido pelo nome “Super Carniceiro Vulgar”, Wu Gan é um blogger que denuncia injustiças como o abuso de poder por parte do Governo chinês. Em tribunal, depois da leitura da sentença, Wu Gan ironizou a situação dizendo estar “grato ao partido por lhe conceder tão sublime honra”.

Usando as frases mais conhecidas do Presidente chinês, Xi Jinping, quando pediu aos membros do Partido Comunista Chinês para melhorarem o seu trabalho, Wu afirmou que se irá “manter fiel à nossa aspiração original, arregaçar as mangas e fazer um esforço extra”.

De acordo com a Sábado, o veredito revela que o “tribunal descobriu que o réu está insatisfeito com o sistema político existente” na China, sendo Wu acusado de “usar redes de informação para disseminar uma grande quantidade de retórica e atacando o poder estatal e o sistema estabelecido pela constituição”.

A decisão de proceder a esta condenação um dia depois do Natal foi criticada, já que se tornou uma prática recorrente no país. Liu Xiaobo, prémio Nobel da Paz, por exemplo, foi condenado a 11 anos por subversão no dia de Natal de 2009.

Patrick Poon, investigador da Amnistia Internacional, em Hong Kong, diz ser “uma desgraça” que as autoridades escolham o dia a seguir ao Natal para lidar com “uma das poucas pessoas que ainda estava num limbo legal, desde que o Governo começou a cair sobre os advogados e ativistas pelos direitos humanos”.

O advogado pela Amnistia Internacional diz que o Governo chinês usa estas datas para condenar os ativistas porque “diplomatas, jornalistas, oficiais internacionais e o público em geral estão mais distraídos” devido a esta época festiva.

Wu Gan foi detido pela primeira vez em maio de 2015, na sequência de um protesto em Nachang, sudeste da China, contra a detenção e tortura de quatro homens que as autoridades queriam que admitissem um crime. Os quatro foram absolvidos no ano passado.

O ativista também trabalhou como assistente administrativo da Fengrui, uma firma de advogados em Pequim, conhecida por trabalhar com casos sensíveis como, por exemplo, a defesa das vítimas do leite em pó contaminado com melamina, em 2008.

Em 2009, Wu tornou-se conhecido por ter denunciado o caso de uma jovem, Deng Yujiao, que matou um político local que tentou abusar sexualmente dela. O caso tornou-se muito mediático e inspirou parte do filme “Um Toque de Violência”, do realizador chinês Jia Zhangke, cujo argumento foi premiado no Festival de Cannes de 2013.

ZAP // Lusa

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