Assassino arrependido denuncia mortes encomendadas pelo presidente das Filipinas

Mark R. Cristino / EPA

Edgar Matobato, um ex-membro do "esquadrão da morte" de Rodrigo Duterte que relata agora os horrores encomendados pelo atual Presidente das Filipinas

Edgar Matobato, um ex-membro do “esquadrão da morte” de Rodrigo Duterte que relata agora os horrores encomendados pelo atual Presidente das Filipinas

Rodrigo Duterte matou um investigador do Ministério da Justiça e ordenou o assassínio de opositores quando era presidente de câmara, afirmou esta quinta-feira um homem que se apresentou como assassino arrependido, num testemunho explosivo contra o presidente das Filipinas.

Edgar Matobato, de 57 anos, falava perante a comissão do Senado filipino que investiga o aumento dos homicídios desde que o chefe de Estado tomou posse a 30 de junho, no quadro da “guerra contra a droga”.

Matobato contou que em 1993 Rodrigo Duterte “despejou dois carregadores de Uzi” (pistola metralhadora) sobre um certo Jamisola, agente do Departamento Nacional de Inquérito, que depende do Ministério da Justiça.

Segundo o testemunho, o “esquadrão da morte” a que Matobato pertencia entrou em confronto verbal e envolveu-se depois num tiroteio com Jamisola, antes do então presidente da Câmara de Davao ter chegado ao local do incidente.

“Foi o presidente da Câmara que o concluiu. Jamisola ainda estava vivo quando ele chegou. Ele despejou dois carregadores de Uzi sobre ele”, afirmou.

Matobato afirma que este “esquadrão da morte”, composto por polícias e antigos rebeldes comunistas, assassinou, em 25 anos (1988-2013) e à ordem de Rodrigo Duterte, um milhar de pessoas, uma das quais foi lançada viva aos crocodilos.

Muitas outras foram estranguladas e os corpos queimados ou cortados em pedaços e enterrados numa pedreira que pertencia a um polícia do grupo. Outros cadáveres foram atirados ao mar.

“O nosso trabalho era matar criminosos, violadores, traficantes e ladrões. Era o que fazíamos”, reconheceu.

“Improvável”

Keith Bacongco / VisualHunt

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte

A senadora Leila de Lima, uma antiga ministra da Justiça, afirmou que Edgar Matobato se entregou em 2009 à Comissão filipina sobre os direitos humanos à qual presidia, e precisou que o assassino integrou depois um programa de proteção de testemunhas.

O ministro da Justiça, Vitaliano Aguirre, classificou de “mentiras” e “invenções” as declarações de Matobato, enquanto o porta-voz de Rodrigo Duterte, Martin Andanar, considerou improvável que o antigo advogado, atualmente com 71 anos, possa ter ordenado a morte de tantas pessoas.

“Não creio que ele seja capaz de dar tais diretivas. A comissão dos direitos humanos investigou há muito tempo a questão e não deu seguimento legal”, declarou.

São “simples boatos” ditos por um “louco”, reagiu o filho do chefe de Estado, Paolo Duterte.

Rodrigo Duterte é há muito acusado pelas organizações de defesa dos direitos humanos de ter financiado esquadrões da morte em Davao, mas esta é a primeira vez que um testemunho tão preciso apoia essas alegações.

Duterte foi eleito para a presidência em maio, após uma campanha populista durante a qual prometeu acabar em seis meses com o tráfico de droga.

Esta “guerra contra a droga” já causou 3.140 mortos em pouco mais de dois meses, na maioria pessoas assassinadas por civis provavelmente encorajados pelos apelos do presidente para que fizessem justiça pelos seus próprios meios.

Pedido de investigação

O relato de Edgar Matobato ao Senado das Filipinas já está a desencadear apelos por uma investigação internacional.

Na sequência das explosivas declarações, a Human Rights Watch (HRW) instou Manila a permitir uma investigação por parte das Nações Unidas.

“É crucial que as Nações Unidas sejam chamadas para liderar tal esforço“, afirmou o diretor da HRW para a Ásia, Brad Adams, em comunicado divulgado esta sexta-feira, apontando que o Presidente das Filipinas não pode esperar investigar-se a si mesmo.

“São acusações graves e levamo-las a sério, vamos analisá-las”, disse, por seu lado, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado norte-americano Mark Toner, citado pela agência AFP.

Críticos consideram que as alegadas mortes em Davao estabeleceram um padrão que se espalhou por todo o país sob a nova presidência.

ZAP / Lusa

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