Assassínios em massa estão a esvaziar prisões da Síria

Zouhir Al Shimale / EPA

À medida que o Governo sírio consolida o controlo após anos de guerra civil, o exército do Presidente Bashar al-Assad está a aumentar o número de execuções de presos políticos.

Dezenas de sírios recentemente libertados da prisão militar de Saydnaya, em Damasco, descreveram uma campanha política do Governo para se livrar dos detidos. Os antigos presos dizem que estes prisioneiros estão a ser transferidos de prisões de toda a Síria para se juntar a detidos no corredor da morte na prisão de Saydnaya, para serem depois executados por enforcamento antes do nascer do sol.

Apesar destas transferências de novos detidos, o número de prisioneiros nas celas de Saydnaya – que no seu ponto alto terão sido entre dez e 20 mil – diminuiu muito por causa da velocidade das execuções, e pelo menos uma secção da prisão está agora quase vazia, segundo os antigos detidos, citados pelo Público.

Alguns destes ex-prisioneiros tinham sido condenados à morte, mas escaparam depois de terem pago dezenas de milhares de dólares pela sua libertação. Os entrevistados pediram para não ser identificados, com receio de retaliação contra as suas famílias.

Dois dos antigos detidos foram presentes duas vezes em alturas diferentes da guerra a um juiz militar, um deles no início da guerra e de novo agora. A atitude era agora mais dura: “Não houve qualquer espaço para clemência, quase toda a gente na sala foi condenada à morte. Estavam a ler as sentenças alto”.

Os julgamentos duram, no máximo, três minutos. Os detidos não têm advogado, e, às vezes, assinam confissões sob tortura. Muitos prisioneiros morrem antes de chegar a esta fase: de subnutrição, falta de cuidados médicos, de agressões físicas.

Um antigo detido disse que os guardas forçaram um tubo de metal pela garganta de um companheiro de cela. “Deixaram-no amarrado à parede, para morrer. O corpo ficou connosco toda a noite”, contou.. Outro descreveu como os guardas forçaram os prisioneiros da sua cela a matar um outro detido ao pontapé.

Dois antigos detidos que estavam em celas perto da sala dos guardas descrevem ter ouvido conversas sobre execuções no início de março. “Falaram de uma série de cadáveres que tinham sido levados para o pátio”, disse um homem.

E, de facto, imagens de satélite da prisão datadas de março mostram uma acumulação de manchas escuras que peritos forenses, que as avaliaram a pedido do Washington Post, dizem que parecem ser de cadáveres humanos.

Outras imagens de terrenos militares perto de Damasco, anteriormente identificado pela Amnistia Internacional como um local de sepulturas em massa, parece mostrar um aumento no número de sepulturas.

Desertores que trabalharam em locais ligados às prisões militares dizem que esta zona será, provavelmente, a localização para os enterros em massa dos prisioneiros de Saydnaya. No cemitério da estrada que sai de Damasco em direção ao Sul surgiram dezenas de novas campas desde o início do inverno.

Há cem mil desaparecidos

Após sete anos de guerra, mais de cem mil sírios continuam desaparecidos. As Nações Unidas e grupos de defesa de direitos humanos pensam que milhares, se não mesmo dezenas de milhares, estarão mortos.

Ainda que todos os lados envolvidos no conflito tenham prendido, raptado, e matado prisioneiros, a Rede Síria para os Direitos Humanos estima que até 90% destes tenham passado por uma rede de prisões do Governo onde a tortura, falta de alimento e outras formas de tratamento letal eram sistematicamente usadas, com o objetivo de matar.

O relatado aumento nas penas de morte aconteceu numa altura em que decorrem negociações de paz em Astana, quando os rebeldes estão praticamente derrotados. Responsáveis da Rússia e Irão – que apoiam o regime de Assad – e da vizinha Turquia tentam negociar um fim para o conflito.

O Governo sírio começou a emitir notas de anúncio de mortes de prisioneiros políticos de modo mais acelerado desde janeiro – em muitos casos, relativas a pessoas que se suspeita que já estariam mortas desde o início do conflito.

Segundo a comissão da ONU que investiga crimes de guerra na Síria, estas notificações mostram que o governo tem sido responsável pelas mortes de prisioneiros cuja detenção nega há anos.

ZAP //

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