Predomínio de apoiantes de Rangel nas listas de deputados é uma “afronta” a Rio. Distrital do Porto contesta

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ppdpsd / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

Listas de deputados do PSD terão que ser aprovadas em Conselho Nacional, onde é expectável que os apoiantes de Paulo Rangel estejam em vantagem.

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A constituição da lista de deputados do PSD para as próximas eleições legislativas promete ser um processo polémico — ou uma quase sequela das eleições diretas do último fim-de-semana. Tal como noticia hoje o Diário de Notícias, o clima nas hostes sociais-democratas é de confrontação entre as estruturas — as mesmas que apoiaram Paulo Rangel — e a direção nacional, liderada por Rui Rio. Nas listas de deputados constituídas pelas distritais do partido, as divisões são claras, com muitos responsáveis locais a deixarem nomes de atuais deputados e de vice-presidentes do partido.

Em Lisboa, por exemplo, a proposta entregue pela distrital liderada por Ângelo Pereira não inclui Ricardo Batista Leite ou Isabel Meirelles, dois deputados e membros da direção de Ricardo Batista Leite. Joaquim Sarmento, presidente do Conselho Estratégico Nacional do partido (órgão criado por Rui Rio), também não foi incluído. No sentido inverso, Carlos Silva e Sandra Pereira, dois apoiantes de Rangel, viram o seu nome inscrito, assim como Rodrigo Gonçalves, aliado de Rio quando este primeiro se candidatou à liderança do PSD, mas que depois de afastou.

No Porto, a dinâmica é semelhante. Alberto Machado, deputado e presidente da distrital, integra a lista, assim como Cancela Moura, antigo líder da concelhia de Gaia. Em comum têm o facto de terem apoiado Rangel nas últimas eleições diretas do partido. Também neste caso foram excluídos nomes de atuais deputados — escolhidos por Rio nas últimas legislativas —, como o de Hugo Carneiro ou o de Catarina Rocha Ferreira, vice da bancada.

Perante este cenário, fonte do PSD garantiu ao Diário de Notícias que não se irão “tolerar” comportamentos de afronta. “Estamos disponíveis para integrar alguns nomes que não estiveram com Rui Rio, mas isto é uma afronta“, considera. As listas terão de merecer a aprovação do Conselho Nacional a 7 de dezembro — ou a 10, caso sejam chumbadas.

À Lusa, outra fonte do PSD afirmava estranhar a inclusão de nomes como os dos presidentes das distritais de Faro, de Setúbal ou Viseu, todos apoiantes de Rangel. “O que é comum às listas já apresentadas é uma estratégia de afrontamento, apresentando-se nos primeiros lugares apoiantes de Paulo Rangel e até se excluindo os apoiantes do presidente Rui Rio”, aponta. Anteriormente, Rui Rio já afirmou que iria privilegiar características como a “competência e a lealdade” na constituição das listas.

“Não vai haver nenhuma limpeza étnica, mas há pessoas que não são integráveis. Claramente disseram que não se reviam na estratégia, porque querem entrar agora?”, questionou a mesma fonte à Lusa.

Mesmo assim, esta é uma atitude na qual nem todos os apoiantes de Paulo Rangel se reveem. Na realidade, há quem considere que os presidentes das distritais que apoiaram o eurodeputado e viram Rui Rio vencer nos seus distritos se devem excluir das listas. No entanto, a direção nacional também tem que manter em mente que a aprovação das listas, no Conselho Nacional, também está dependente dos votos dos presidentes das distritais. “Estamos atentos a isso”, disse fonte da direção, ressalvando, ainda assim, a legitimidade do atual líder face ao resultado conseguido nas urnas, apelando, por isso, ao “equilíbrio” e ao “bom senso“. “Não vamos integrar pessoas que não têm competências e só lá estão nas listas porque querem os lugares”, apontou.

Entretanto, a distrital do Porto já veio contestar as acusações de “afronta” feitas pela direção do partido. “As listas ainda não estão completas, ainda falta o doutor Rui Rio indicar os seus“, explicou ontem fonte da distrital à Lusa. De acordo com essa fonte, a lista entregue à Comissão Política Nacional (CPN) resulta da indicação de “dois nomes (um homem e uma mulher) que cada concelhia, e as estruturas distritais da JSD, do PSD e da TSD, apontam, que é depois reunida “numa lista, por ordem alfabética, e é enviada para a CPN”, esclareceu.

Sobre as críticas de “afrontamento” tecidas pela própria direção do partido, em paralelo com as vertidas numa petição pública que conta mais de 130 assinaturas e pede a “avocação do processo de elaboração das listas de candidatos a deputados do PSD pelo distrito do Porto pela Comissão Política Nacional do Partido”, a fonte garante que não correspondem à verdade.

“A maioria das estruturas apoiou Paulo Rangel, quando as estruturas [concelhias] indicam os nomes, é natural que indiquem nomes que lhes sejam afetos. É normal que esteja a acontecer assim, mas não é regra“, justifica a distrital do Porto, garantindo que, “na lista do Porto, há muita gente que apoia o doutor Rui Rio”. A mesma fonte acrescentou que é normal que, após a reunião da CPN, sejam indicados pela direção nomes afetos a Rui Rio, que poderão figurar em posições cimeiras nas listas.

  ZAP //

3 Comments

  1. Mesmo depois de perderem as eleições internas, os “taxistas” não desistem de torpedear Rui Rio, pois, como não têm pingo de vergonha, continuam a boicotar o trabalho do legítimo líder do partido e a denegrir a imagem dos políticos.

  2. O Dr Rui Rio cai bem na populaça . É um homem simples . Parece um merceeiro. Fala em cebolas e batatas. O povinho gosta de gentinha assim . Sente-se identificado com estas figurinhas. Não gosta de intelectuais que dizem coisas que não se percebem com facilidade.
    Enquanto o Dr Rio esteve na CMP, percebemos que o homem não passava de um demagogo
    Exemplo:
    Rui Rio: “ se não acabarmos com os arrumadores demito-me “. “ sou contra a regionalização “ “ sou a favor da regionalização “
    Já agora para que conste. Quem lhe pagou a campanha da primeira eleição á CMP foi o Major Valentim. Gente boa…

    Mas como fazia guerra ao FCP tinha boa imprensa em Lisboa.
    Agora é tarde . Aturem-no …

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