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“Animal mais mortífero do mundo” não tirou férias (e Bill Gates teme nova pandemia)

Michael Buholzer / World Economic Forum

Numa altura em que se prevê o agravamento da pandemia de covid-19 a partir do Outono, Bill Gates avisa que pode vir aí a tempestade perfeita para o reaparecimento de uma nova vaga de malária nos países mais pobres de África.

“Os mosquitos não praticam o distanciamento social, nem usam máscaras”, alerta Bill Gates numa publicação no seu blogue oficial.

O magnata e filantropo nota que os mosquitos “infectam milhões de pessoas com malária”, uma doença que “mata uma criança a cada minuto de cada dia”.

A maioria das mortes ocorre nos “países mais pobres com os sistemas de saúde mais fracos”, sustenta, frisando que o reaparecimento em força da malária será um “fardo acrescido” enquanto se trava a luta contra o coronavírus.

A pandemia de covid-19 é “um lembrete de porque precisamos de erradicar esta doença”, acrescenta Bill Gates, realçando que o mosquito é “o animal mais mortífero do mundo” e apontando que não tirou férias durante a pandemia.

Bill Gates lembra ainda que se prevê que os casos de covid-19 voltem a subir “na pior altura possível”, ou seja, durante “o auge das estações de transmissão da malária“.

“Durante o surto de ébola em 2014 na África Ocidental, doenças endémicas como a malária, a tuberculose e o VIH/SIDA contribuíram para muitas mais mortes do que o ébola porque a epidemia perturbou os sistemas locais de saúde“, acrescenta o empresário, concluindo que os “responsáveis de saúde temem que o mesmo possa ocorrer com a covid-19”.

Bill Gates refere que as medidas impostas em diversos países africanos, designadamente o distanciamento social e o confinamento, já impediram os profissionais de saúde de fornecerem tratamentos contra a malária e de fazerem acções de prevenção da doença em muitos locais em África.

Além disso, levaram à “interrupção” no fornecimento de recursos essenciais contra a malária, como “redes mosquiteiras”, medicamentos e testes de diagnóstico rápido que foram essenciais para reduzir as mortes devido à malária para “mais de metade desde 2000”, salienta ainda Bill Gates.

Em 2000, morreram cerca de 764 mil pessoas devido à malária em África, a maioria das quais crianças. Um modelo de análise da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que o número de mortes motivadas pela doença possa atingir valores que não se verificaram desde então por causa da pandemia do coronavírus, como cita Bill Gates.

Desta forma, o magnata constata que é preciso não “negligenciar” o problema e apela aos países desenvolvidos para que apoiem África de modo a que seja possível combater as duas doenças em simultâneo.

Bill Gates destaca a importância de “controlar as populações de mosquitos” e de fornecer “tratamentos preventivos a mulheres grávidas e a crianças em comunidades de alto risco”.

O empresário dá também o exemplo do Benim, um dos países do mundo mais afectados pela malária, destacando que tem conseguido ultrapassar as dificuldades graças à aliança com organizações religiosas católicas e com a Fundação Bill Gates para “desenvolver uma nova e inovadora forma de distribuir redes mosquiteiras por todo o país”.

“Utilizando smartphones, a recolha de dados em tempo real e o mapeamento por satélite, o Benim ajudou a assegurar que todas as famílias, independentemente de onde vivem, estarão protegidas por uma rede mosquiteira à noite”, destaca.

Bill Gates refere ainda que há programas de prevenção contra a malária que estão a ajudar a conter a propagação de covid-19, dando como exemplo os “centros de operações de emergência que rastreiam surtos de malária em África” e que estão a permitir “monitorizar a propagação de covid-19”, ajudando, assim, a delinear a resposta aos surtos detectados.

“A pandemia de covid-19 só reforça porque é que a erradicação da malária é tão essencial”, conclui o magnata, notando que a doença afecta as “comunidades mais vulneráveis”.

  ZAP //

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