Amazon propõe-se a ajudar a cumprir o acordo de Paris

secdef / Flickr

Jeff Bezos, CEO da Amazon

Jeff Bezos promete que a Amazon terá emissões de carbono anuais neutras até 2040 e quer que outras empresas sigam o exemplo da gigante tecnológica.

Jeff Bezos, fundador da Amazon, colocou todo o peso do conglomerado da distribuição eletrónica numa campanha para ajudar a cumprir com 10 anos de antecedência os compromissos do Acordo de Paris sobre o clima.

O meu compromisso é cumprir os objetivos do Acordo de Paris com 10 anos de avanço e a Amazon é a primeira da lista”, que deve incluir outras empresas, disse Bezos, a pessoa mais rica do mundo, durante uma conferência de imprensa em Washington, ao apresentar esta nova iniciativa designada “The Climate Pledge” (“O Compromisso Climático”).

“Vamos usar a nossa influência e a nossa dimensão para mostrar o caminho”, realçou Bezos, prometendo que a Amazon iria ter emissões de carbono anuais neutras até 2040.

A Amazon, que construiu o seu sucesso com uma enorme rede logística de transporte rodoviário, para garantir entregas cada vez mais rápidas, é um grande produtor de gases com efeito de estufa, os principais responsáveis pelo aquecimento global. Os centros de servidores da Amazon também são grandes consumidores de energia.

“Se uma empresa com tantas infraestruturas físicas como a nossa – que entrega mais de 10 mil milhões de pacotes por ano – pode cumprir os objetivos do Acordo de Paris 10 anos mais cedo, então todas as empresas podem fazê-lo”, afirmou Bezos, sublinhando que outros empresários tinham-lhe comunicado o seu interesse em se juntarem à iniciativa.

“As grandes empresas que assinarem O Compromisso Climático vão enviar um forte sinal ao mercado para realçar que é tempo de investir em produtos e serviços que os signatários vão precisar para cumprirem os seus compromissos”, sinalizou.

O Compromisso Climático vai exigir aos seus signatários que usem uma abordagem científica das suas emissões de gases com efeito de estufa, com medidas e declarações regulares.

As empresas aderentes deverão também seguir estratégias de descarbonização e conseguir neutralizar as emissões residuais “com compensações suplementares, quantificadas, reais, permanentes e socialmente benéficas para atingir emissões de carbono anuais neutras até 2040”, foi detalhado em comunicado da Amazon.

Bezos anunciou que vai encomendar 100 mil camiões elétricos à empresa norte-americana Rivian, cujas primeiras unidades vão estar operacionais em 2021. A Amazon também se comprometeu a alcançar 80% de energias renováveis até 2024 e 100% até 2030 para alcançar a neutralidade carbónica até 2040.

A empresa também anunciou um investimento de 100 milhões de dólares, cerca de 90,5 milhões de euros, na “restauração e a proteção de florestas, zonas húmidas e turfeiras em parceria com The Nature Conservancy”, uma organização não-governamental norte-americana.

“A ciência é clara: as florestas, as pradarias e as zonas húmidas em boa saúde são os instrumentos mais eficazes para enfrentar as alterações climáticas, mas temos de agir agora para desenvolver as soluções climáticas naturais”, declarou Sally Jewel, diretora interina da ONG, citada no comunicado da Amazon.

O anúncio de Bezos foi feito a alguns dias de uma cimeira especial da Organização das Nações Unidas sobre o clima, que vai reunir em Nova Iorque vários chefes de Estado e governo. Espera-se que, durante a cimeira, estes dirigentes reforcem os seus compromissos para limitar o aquecimento global à escala do globo a 1,5º, em relação ao período pré-industrial, no século XIX.

Mais de mil empregados de Bezos anunciaram que iam desfilar na sexta-feira no quadro de um apelo internacional para exigir ações contra as alterações climáticas.

Num relatório de 2018, o Grupo de Peritos Intergovernamentais sobre a Evolução do Clima avisou que, para conter o aquecimento global, as emissões de dióxido de carbono deviam cair fortemente, em 45%, até 2030, e o mundo alcançar a neutralidade carbónica em 2050.

ZAP // Lusa

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