Um em cada três alunos “frágeis” que optam pelo ensino profissional abandonam a escola

Marcos Santos / USP Imagens

Os alunos que durante o ensino básico acumulam várias retenções e acabam desviados para outras opções educativas são também os que menos sucesso alcançam nos cursos profissionais do ensino secundário.

Um novo estudo da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), divulgado esta terça-feira pelo Público, conclui que um terço dos alunos que não termina o ensino básico pela “via normal” acaba mesmo por abandonar a escola.

A DGEEC foi tentar perceber qual era a situação em 2016/2017 dos alunos que, três anos antes, seguiram do 9.º ano para um curso profissional e descobriu que 70% dos cerca de 30 mil alunos que chegaram ao profissional vindos do ensino básico geral concluíram o curso em três anos, ou seja, sem reprovar.

No entanto, apenas 35,6% dos 7869 alunos que tinham optado pelo ensino profissional depois de completarem o 9.º ano através de uma das ofertas educativas alternativas – Cursos de Educação e Formação (CEF), cursos vocacionais ou Percursos Curriculares Alternativos (PCA) -, tinham concluído o ensino secundário.

Além disso, conclui ainda que a percentagem dos que abandonam o secundário sem terminar este nível de ensino sobe de 6% entre os primeiros para 30% no segundo grupo dos alunos “mais frágeis”.

O diário revela ainda que, no ano letivo 2014/2015, 5652 dos alunos que se inscreveram nos cursos profissionais tinham concluído o 9.º ano através dos CEF, enquanto que 1769 tinham frequentado cursos vocacionais e 448 os PCA.

Estas três opções têm em comum o facto de terem sido criadas e pensadas para alunos que acumularam várias retenções ao longo do ensino básico. Normalmente, a idade média dos alunos provenientes destas soluções que entram no ensino secundário ronda os 17 anos, enquanto que os anos que chegam aos últimos três anos do ensino obrigatório pela via regular não chegam a ter 16 anos.

Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, considera que estas opções educativas são, por si só, “soluções de segunda e de terceira”.

“O ensino profissional não é um percurso mais fácil que o do ensino geral. Exige, por exemplo, uma clara orientação e vocação”, afirma. O investigador defende que os alunos que completam o ensino básico através de vias alternativas devem depois ser encaminhados para soluções semelhantes no ensino secundário, já que o ensino profissional não serve “para tudo e para todos”.

O investigador, consultado pelo Público, considera ainda que as escolas não estão preparadas “para lidar com as crianças que tiveram percursos muito conturbados durante o ensino básico”.

ZAP //

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