“A alternativa ao meu acordo é não haver acordo”, avisa May

Stephanie Lecocq / Lusa

Theresa May, primeira-ministra britânica

Theresa May continua a defender o seu plano e mantém-se irredutível apesar da divisão no próprio partido. A primeira-ministra britânica alertou esta segunda-feira que só existem duas opções para o Brexit: o seu plano de divórcio, conhecido como Chequers, ou uma saída sem acordo com a União europeia.

“Creio que a alternativa à aprovação do meu plano pelo Parlamento britânico será que não teremos um acordo”, disse Theresa May numa entrevista à BBC. No fundo, a primeira-ministra britânica deixou um aviso ao Parlamento do reino Unido: ou aceita o seu acordo ou não haverá acordo algum.

O plano Chequers contempla criar uma área de livre comércio para bens depois do Brexit, o que evitaria os controlos de alfândega e manteria aberta a fronteira irlandesa.

No entanto, os deputados conservadores mais eurocéticos, entre os quais o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, rejeitam essa possibilidade, que deixaria o Reino Unido ligado aos outros 27 Estados-membros e dificultaria a negociação de acordos comerciais com países exteriores à UE. Os eurocéticos propõem utilizar tecnologia já existente para evitar uma fronteira visível.

Na entrevista, May admite a necessidade de um “movimento de mercadorias livre de fricções”, sem alfândegas ou controlos reguladores entre o Reino Unido e a União Europeia na ilha da Irlanda para evitar uma fronteira física.

O objetivo do Reino Unido é evitar uma fronteira visível entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte para não prejudicar o processo de paz.

Já esta segunda-feira, Johnson voltou a criticar o plano de May, ao afirmar, ao The Daily Telegraph, que o fracasso do Governo em resolver a questão irlandesa levou a uma “abominação constitucional”. “Pela primeira vez desde 1066 (conquista normanda da Inglaterra), os nossos líderes consentem deliberadamente a uma autoridade estrangeira”.

Johnson acrescentou que o plano Chequers implica que o Reino Unido “permaneça efetivamente na união aduaneira e grande parte do mercado único”.

O diário The Times escreve que a UE parece estar disposta a aceitar uma fronteira irlandesa “sem fricções”. Segundo o jornal, o negociador comunitário, Michel Barnier, está a trabalhar num novo plano para utilizar tecnologia que permitiria minimizar os controlos aduaneiros.

A questão da fronteira irlandesa, que nem Londres nem Bruxelas querem reintroduzir, é uma das principais dificuldades nas negociações do Brexit, que as duas partes querem concluir até à cimeira de outubro ou, o mais tardar, no início de novembro, poucos meses antes do divórcio, previsto para 29 de março.

O Brexit será um dos assuntos em discussão na cimeira informal de quinta-feira em Salzburgo.

ZAP // Lusa

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