Almirante americano “pronto para lançar ataque nuclear” contra a China

U.S. Pacific Fleet / Flickr

Scott H. Swift, almirante do Comando do Pacífico da frota dos Estados Unidos

O almirante do Comando do Pacífico norte-americano, Scott H. Swift, declarou esta quinta-feira que está disposto a lançar um ataque nuclear contra a China, se o presidente Donald Trump assim o ordenar.

Segundo o The New York Times, Scott H. Swift respondeu dessa forma a uma questão hipotética que lhe foi colocada durante uma conferência sobre segurança realizada na Universidade Nacional Australiana após o fim dos exercícios militares conjuntos que forças navais norte-americanas e australianas realizaram no sul do Pacífico nas últimas semanas.

A resposta seria: sim“, respondeu Swift quando questionado por um participante na conferência sobre se lançaria um ataque nuclear contra a China, caso o presidente norte-americano, Donald Trump, lho ordenasse.

“Todos os membros das Forças Armadas juraram defender a constituição do nosso país contra todos os inimigos, estrangeiros e internos, e obedecer aos seus superiores e ao presidente dos Estados Unidos, na sua qualidade de Comandante em Chefe”, justificou o almirante.

“Este é o princípio basilar da nossa democracia: o controlo civil sobre os militares. E sempre que um militar se afasta desta perspectiva fundamental, temos um problema”, explicou Scott H. Swift.

“O almirante não estava a endereçar a premissa essencial da questão, estava a realçar o princípio da autoridade civil sobre os militares”, explicou mais tarde o porta-voz da Frota do Pacífico, capitão Charlie Brown. “A premissa da questão é ridícula”, concluiu.

O almirante Scott Harbison Swift, nascido em 1957, serve actualmente na Marinha dos Estados Unidos, sendo o comandante da Frota Naval norte-americana no Pacífico desde maio de 2015.

À luz da Constituição dos Estados Unidos, a recusa do almirante Swift em desobedecer a Donald Trump é correcta: o presidente norte-americano tem autoridade exclusiva para ordenar uma acção militar que poderia provocar a morte de milhões de pessoas em menos de uma hora.

Dado o temperamento impulsivo do actual titular do cargo, quais seriam as salvaguardas – se existirem – para impedir uma decisão impetuosa sua com consequências catastróficas?

Não há travões ou contrapesos na autoridade do presidente para lançar um ataque nuclear”, explicou à BBC Mark Fitzpatrick, especialista em não proliferação de armas nucleares do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, em Washington. “No final, a autoridade individual para lançar um ataque é do presidente”.

Mas, explica o especialista, a ideia de um presidente intempestivo a tomar individualmente uma enorme decisão, como essa seria, não é realista. “Entre o momento em que o presidente autoriza (na realidade, ordena) um ataque e o instante em que ele é realmente executado, há muitas pessoas envolvidas”.

Se o presidente desse a ordem, o secretário de Defesa seria obrigado a cumpri-la. Mas, em teoria, poderia recusar-se a obedecer se tivesse razões para duvidar da sanidade do presidente – o que poderia ser considerado um motim. O presidente poderia então destituir o secretário de Defesa e encarregar o vice-secretário de Defesa de cumprir a ordem.

Segundo a Constituição dos Estados Unidos, o vice-presidente poderia também, em teoria, declarar o presidente psicologicamente incapaz de tomar a decisão, e bastaria para tal que tivesse o apoio da maioria do gabinete de governo norte-americano.

Assim, para que um presidente “louco” pudesse mesmo lançar o Mundo numa hecatombe nuclear, teria que estar rodeado de um bom grupo de pessoas igualmente loucas – o que, diga-se de passagem, já pareceu menos provável.

AJB, ZAP //

PARTILHAR

4 COMENTÁRIOS

  1. O almirante norte-americano, Scott H. Swift, deve ser mais louco que o seu presidente e um frustrado com a vida. Não haverá no mundo um manicómio que possa internar os dois?.

  2. É lógico que um militar, seja de que nível for, é obrigado a obedecer ao seu presidente. O contrário seria anarquia total. Nos Estados Unidos, uma decisão dessas, passaria ,antes, por um grupo de pessoas que dariam, ou não, o seu aval. Na Rússia e outros países, em que o presidente é, todo poderoso e não ouve ninguémporque a sua constituição não obriga, isso é que é perigoso. Não sejam ignorantes tendenciosos….

    • É lógico que um militar obedeça cegamente a quem de cima lhe der ordens, mesmo que venham de um louco ilógico. Do outro lado, que façam a mesma coisa, e a humanidade acaba num instante, e em beleza.

RESPONDER

Bebé encontrado no lixo já está com uma família de acolhimento

O bebé encontrado num ecoponto, no início do mês, e que esteve até quinta-feira hospitalizado, já está com uma família de acolhimento, informou a Santa da Misericórdia de Lisboa esta sexta-feira. A instituição refere numa nota …

Fisco vai controlar declarações de IRS de beneficiários do programa "Regressar"

A Autoridade Tributária e Aduaneira vai desenvolver mecanismos para verificar se os contribuintes abrangidos pelo regime fiscal do programa "Regressar" reúnem as condições exigidas, prevendo-se que parte desse controlo ocorra com a entrega da declaração …

Greta Thunberg vai de Lisboa a Madrid num carro elétrico emprestado por Espanha

A Junta da Extremadura, região espanhola, disponibilizou um carro elétrico à jovem ativista sueca Greta Thunberg para que possa viajar de Lisboa para Madrid para assistir à Cimeira do Clima respeitando o meio ambiente, adiantou …

Enfermeiros garantem voltar à luta com os 200 mil que sobraram do crowdfunding

Os enfermeiros, que no ano passado iniciaram o "Movimento Greve Cirúrgica", pretendem voltar às ações de protestos com os cerca de 200 mil euros que restaram da campanha de crowdfunding. A intenção é revelada por …

OCDE: Nova crise pode tirar metade do rendimento às famílias portuguesas

Uma nova crise económica e financeira a nível global pode ter efeitos dramáticos para as famílias portuguesas, levando à perda de metade dos seus rendimentos. Esta é a previsão da Organização para a Cooperação e …

O cofre da rica mãe, heranças às dúzias e a vida "sem luxos". O que Sócrates disse a Ivo Rosa

Foram cerca de 20 horas de interrogatório no âmbito da Operação Marquês, em que José Sócrates manteve, perante o juiz Ivo Rosa, a versão de que as avultadas quantias de dinheiro que gastou nos últimos …

Associados podem ser chamados a resolver "buraco" do Montepio

Os cerca de 630 mil associados e pensionistas da Associação Mutualista Montepio Geral correm o risco de virem a ser chamados para resolver as perdas da instituição financeira, escreve o jornal Público. De acordo com o …

Bolívia divulga vídeo que sugere que Morales incitou bloqueios à entrada de alimentos

Arturo Murillo, ministro do Governo da Bolívia, divulgou na manhã de quarta-feira um vídeo que sugere que o antigo presidente do país, Evo Morales, incitou os bloqueios à entrada de alimentos que fragiliza o país. Os …

Christine Lagarde foi conselheira de duas empresas sediadas em paraísos fiscais

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE) desde outubro, foi conselheira de duas filiais da empresa de advocacia Baker & McKenzie (BM) entre 2003 e 2005, ambas sediadas em países considerados à data paraísos …

Provas contra Trump "são claras". "Ele usou o cargo para fins pessoais", diz Nancy Pelosi

A presidente da Câmara dos Representantes e líder da maioria democrata na câmara norte-americana, Nancy Pelosi, declarou na quinta-feira que considera já haver provas suficientes para afirmar que o Presidente deve ser destituído. Contudo, segundo avançou …