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Alemanha devolve Bronzes do Benim. Olhos voltam-se para o Museu Britânico (e EUA sacodem culpas)

archier / Flickr

Bronzes do Benim

A Alemanha vai devolver à Nigéria os artefactos de valor inestimável roubados durante a colonização de África, no século XIX.

A Alemanha tem a segunda maior coleção de Bronzes do Benim do mundo e vai começar a repatriar as peças a partir do próximo ano. Os artefactos vão ganhar uma nova casa: um museu na cidade de Benim, na Nigéria.

“Estamos a enfrentar a responsabilidade histórica e moral de trazer à luz o passado colonial da Alemanha e chegar a um acordo”, disse a ministra da Cultura alemã, Monika Grütters, em comunicado, citado pelo The World.

Os Bronzes do Benim são considerados um dos maiores tesouros artísticos de África. Trata-se de um grupo de mais de mil esculturas e placas do século XVI-XVIII do antigo Reino do Benim, na África Ocidental, na atual Nigéria.

Em 1897, as forças coloniais britânicas atacaram o Reino de Benim, incendiando vilas e cidades e massacrando os residentes. O exército colonial saqueou o palácio real, roubando marfim, esculturas de madeira, máscaras, placas e relevos.

Os britânicos decidiram vender tudo o que roubaram e, hoje, os objetos estão expostos em alguns dos museus mais famosos da Europa e dos Estados Unidos.

Os Bronzes do Benim são considerados por muitos como um símbolo do colonialismo e da exploração – e assim permanecerão até que sejam devolvidos.

No caso da Alemanha, a decisão de devolver os artefactos não cabe aos museus, mas sim ao Governo.

“Basicamente, todas as coleções são de propriedade pública de vários governos federais, estaduais ou municipais. Se os objetos de coleções públicas forem devolvidos, desencadeia-se um grande processo político”, explicou Barbara Plakensteiner, fundadora do Benin Dialogue Group, um consórcio de museus europeus e nigerianos que trabalha pela restituição das obras há já uma década.

Agora, há um “entendimento político” na Alemanha de que as considerações morais superam as logísticas. “Há dez anos, não era esse o caso”, afirmou.

Após o anúncio alemão, os olhos voltaram-se para o Museu Britânico, em Londres, que abriga a maior coleção do mundo de Bronzes do Benim.

O The World avança que, apesar de não se ter comprometido a devolver as peças, o Museu Britânico pode estar no caminho certo. Além de integrar o Benin Dialogue Group, tem arrecadado fundos para o novo museu de Benim.

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“Eles estão dentro. Não vejo como vão desistir”, adiantou Chika Okeke-Agulu, professora da Universidade de Princeton, que participou no esforço de restituição dos artefactos.

À semelhança do museu do Reino Unido, também o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, e o Smithsonian Institution, em Washington, têm Bronzes do Benim nas suas coleções.

Ainda que os museus norte-americanos tentem distanciar-se moralmente, atirando as culpas para os europeus, é provável que acabem por ceder, pressionados pelos protestos contra a justiça racial, um pouco por todo o mundo.

  Liliana Malainho, ZAP //

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