À tristeza de Alegre sobre o PSD/Chega, Costa adita: “Há limites para tudo”

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Partido Socialista / Facebook

António Costa em campanha

Manuel Alegre apareceu na campanha do PS, a três dias das eleições, e também ligou o PSD ao Chega.

A três dias das eleições legislativas, António Costa cruzou-se nas ruas de Setúbal com um ou outro cartaz a pedir maioria absoluta para o Partido Socialista, no próximo domingo. Há mais de uma semana que o próprio candidato não repete o apelo à maioria absoluta, mas há alguns dias que repete a ideia de aproximação entre PSD e Chega.

Em Setúbal não foi diferente: “O PSD começou por dizer que era um partido ao centro. Mas, em vez de estar a disputar com o Partido Socialista muitos eleitores indecisos, como seria normal, está preocupado em captar votos que são do Chega“.

“O PSD desistiu de disputar o centro com o PS e está concentrado no objectivo de conquistar o eleitorado do Chega. E há limites para tudo. Já tinha estado muito próximo do limite quando vimos o PSD a tentar mitigar as propostas do Chega”, atirou o socialista, antes de ir ao centro das críticas desta quinta-feira.

Desta vez a origem destas declarações de David Justino. O vice-presidente da Comissão Política do PSD, enquanto admitiu um “acordo de cavalheiros” entre PS e PSD, disse que não há “linhas vermelhas” em relação ao Chega.

“Ontem (quarta-feira) terem assumido que não há nenhuma linha vermelha no diálogo com o Chega… É passar para lá da linha. E isso é um facto muito grave, muito preocupante para a nossa democracia”, analisou.

António Costa disse ainda que ficou chocado com a hipótese colocada por Justino: “Choca-me. E tenho a certeza de que choca a generalidade dos eleitores do PSD”.

O primeiro-ministro lembrou que, apesar do acordo escrito que existiu durante quatro anos com o PCP, com o Bloco de Esquerda, com o PEV, o PS continuou “a dialogar com o PSD em tantas e tantas matérias”.

À noite, em Lisboa, o secretário-geral do PS prolongou esse assunto e afirmou que o PSD está “na mão” do Chega: “Não compreendemos nem podemos compreender como passaram a campanha eleitoral a tentar normalizar um partido de extrema-direita”.

E repetiu: “Em circunstância alguma o nosso Governo dependerá do Chega. Nunca dependeremos do Chega para nada, nada, nada”.

Alegre e outros “alvos”

Manuel Alegre juntou-se à campanha eleitoral e também falou sobre o PSD e sobre o Chega: “Com o PS de António Costa, a extrema direita não passa. Com o PSD de Rui Rio já está a passar, e isso é uma tristeza para a democracia“.

“O PS nunca será refém de um partido de extrema-direita que põe em causa os fundamentos da nossa democracia”, reforçou a figura do PS.

Costa também falou sobre Catarina Martins, que sugeriu falar com o Partido Socialista no dia seguinte às eleições, caso os resultados o justificarem. O líder do PS atacou: “Não se pode passar a campanha a atacar António Costa e depois, com alguma presunção, convidá-lo para uma reunião a 31 de janeiro”.

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português foram “alvos” no discurso de Alegre, que recordou o fim antecipado da legislatura anterior: “F​​​​oi com mágoa e indignação que vi dois partidos das Esquerdas juntarem os seus votos à Direita e à extrema-direita para chumbarem um Orçamento progressista e abrirem caminho a esta crise política”.

Manuel Alegre mencionou ainda a Iniciativa Liberal. Não concorda com a proposta de taxa única de IRS e afirmou que o partido de João Cotrim Figueiredo tentar convencer os jovens “a desmantelar o Estado a que devem a sua própria educação. É um partido supostamente moderno mas assente em visões culturais intolerantes, restritivas e empobrecedoras”, aditou.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

2 Comments

  1. … uma coisa será certa, com o equilíbrio previsto pelas sondagens, se a esquerda se unir, e a direita seguir o mesmo exemplo, vai haver muita malta a precisar do Chega ao longo da legislatura para desviar o fiel da balança, com muito voto decisivo a sair da bancada do Ventura e amigos, com as consequências que se podem prever.

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