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Aldeia da Sardenha tenta salvar o “Patriarca”, uma milenar oliveira chamuscada

(dr) Florablog

Os habitantes de Cuglieri, na Sardenha, Itália, estão a tentar salvar uma antiga oliveira que estimam ter entre 1.800 e 2.000 anos, conhecida como “Patriarca”.

Com um tronco de 3,4 metros de largura, a oliveira tornou-se uma parte integrante da paisagem no oeste da Sardenha, escreve o The New York Times. No entanto, a árvore teve um final trágico: foi consumida pelas chamas de um dos maiores incêndios florestais das últimas décadas.

Embora a árvore tenha ardido durante quase dois dias, ainda há esperanças de a salvar. As autoridades e os habitantes desta pequena aldeia italiana contam com a ajuda de Gianluigi Bacchetta, professor da Universidade de Cagliari e diretor dos seus jardins botânicos.

“Se conseguirmos salvá-la, podemos dar uma mensagem de esperança a todas as pessoas que perderam tudo no incêndio”, disse Maria Franca Curcu, responsável pelas políticas culturais e sociais do município.

Em declarações ao jornal norte-americano, Bacchetta explica o processo de salvamento da árvore, comparando-o quase à reanimação de um ser humano.

“Precisávamos de criar uma unidade de cuidados intensivos para a árvore”, disse o investigador. “É realmente um ser vivo que passou por traumas graves. Vamos dar o nosso melhor e esperar que acorde do coma”.

O professor e a sua equipa começaram por regar o solo para arrefecê-lo e depois protegeram o tronco com lonas de juta e o solo com palha.

Todos acorreram para ajudar Bacchetta. Uma aldeia próxima deu um tanque de água e um canalizador local construiu um sistema de irrigação para o solo manter a humidade essencial. Além disso, uma empresa de construção civil doou equipamentos e trabalhou de graça para construir uma estrutura para proteger o tronco do sol escaldante.

A cada dez dias, a árvore é irrigada com fertilizantes orgânicos na esperança de estimular o crescimento das suas raízes periféricas.

“Se as raízes periféricas reiniciarem e conseguirem transferir materiais para o toco, podemos esperar que os brotos saiam em setembro ou outubro”, explicou o professor universitário.

Bacchetta não se limitou ao “Patriarca” e está a tentar reviver todas as árvores chamuscadas na região. A comunidade agrícola local perdeu 90% das suas oliveiras — para muitos, a sua principal fonte de rendimento.

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  Daniel Costa, ZAP //

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