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O aeroporto de São Francisco está cheio de cobras – e essa é uma boa notícia

Steve Jurvetson / Wikimedia

Thamnophis elegans terrestris

A maior parte dos aeroportos contrata cientistas para manter os animais afastados. O San Francisco International, nos Estados Unidos, é uma exceção: está empenhado em manter por perto a maior população do mundo da cobra Thamnophis elegans terrestrism.

O San Francisco International (SFO) é o sétimo aeroporto mais movimentado dos Estados Unidos. Cerca de 55 milhões de passageiros passam por lá anualmente, e, em algum momento da sua viagem, têm de percorrer parte de um terreno baldio, que é agora a casa da maior população do mundo da cobra-liga de São Francisco (Thamnophis elegans terrestrism).

Um estudo recente, conduzido pelo U.S. Geological Survey (USGS) e publicado na PLOS One, confirmou a presença de aproximadamente 1.300 cobras na propriedade West of Bayshore do SFO – a maior população já registada.

Os dados são uma vitória para Natalie Reeder, que tem trabalhado para manter o local amigável para os répteis durante os últimos 12 anos, primeiro como consultora e agora como bióloga do aeroporto, conta o Atlas Obscura.

Os conservacionistas sabem há muito tempo que esta cobra está em perigo. Endémica apenas na península de São Francisco, a criatura viu os seus habitats pantanosos preenchidos por campos agrícolas ou pavimentados por causa da expansão urbana.

Mesmo quando conseguia encontrar um território adequado para a sua sobrevivência, a cobra não estava totalmente segura: as suas cores vistosas fazem do réptil um alvo popular para caçadores e colecionadores.

Todos estes fatores fizeram com que o animal figurasse a primeira lista de espécies ameaçadas do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS), publicada em 1967.

Em 2008, o SFO fez uma parceria com o USFWS para criar uma estratégia de recuperação para a cobra-liga de São Francisco e o animal mais importante para sua sobrevivência, a rã-vermelha da Califórnia. Resolver problemas como a qualidade da água, cobertura vegetal e poluição era a prioridade.

Desde então, a equipa de Natalie Reeder tem trabalhado para reconstruir a “casa dos sonhos” da cobra. Segundo o portal, os especialistas já construíram lagoas alimentadas pela chuva, aprofundaram os pântanos existentes e limparam canais de drenagem cobertos de vegetação, esforços que beneficiaram cobras e sapos no local.

O próprio aeroporto também “reforçou a segurança”, com a instalação de mais portões e cercas para proteger o habitat e os animais.

“É realmente encorajador que [as cobras] possam existir num nível tão alto de densidade urbana”, disse Brian Halstead, biólogo da vida selvagem do USGS.

Reeder espera que a explosão de vida na propriedade West of Bayshore do SFO possa inspirar as pessoas em todo o mundo a apoiar a proteção de espaços abertos urbanos. “A natureza não é um lugar para onde vamos. A natureza está bem aqui, mesmo em algumas das áreas mais industriais e comerciais.”

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  Liliana Malainho, ZAP //

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