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A filha de Picasso doou nove obras do artista espanhol a França

Da esquerda para a direita: ministra da Cultura francêsa Fleur Pellerin; Presidente francês François Hollande; Maya Picasso, filha de Pablo Picasso; Anne Baldassari, curadora principal da exposição inaugural do Museu Picasso; e o diretor do museu Laurent Le Bon

A família de Pablo Picasso doou nove obras do artista ao Estado francês, que serão agora integradas no Museu Picasso, em Paris.

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Maya, a filha de Pablo Picasso, doou nove obras do artista como parte de um acordo fiscal com o Estado francês. A Associated Press destaca que a doação permitirá aos herdeiros evitar grandes encargos fiscais sobre as heranças.

Roselyne Bachelot, ministra da Cultura, destacou a doação “excecional” na cerimónia de entrega e salientou que contribui para manter o Museu Picasso como o maior repositório da obra do pintor, com mais de 5.000 peças, incluindo 300 pinturas.

Numa carta lida pelo seu filho Olivier, Maya Ruiz Picasso explicou que “França foi a escolha do meu pai e eu nunca pensei em ir a outro lugar”. “O que seria de França sem o espanhol Pablo Picasso”, expressou ainda, durante a cerimónia, o ministro da Economia francês.

Segundo o ABC, a primeira obra doada é Don José Ruiz (1895), uma pintura do início artístico do artista. Picasso pintou o seu pai de perfil, com uma paleta de castanhos, captando em tela a seriedade de um homem cuja disciplina foi a chave do início da carreira de Picasso como pintor.

A segunda é Estudio para una intérprete de mandolina (1932), um trabalho misto em óleo e carvão vegetal, enquanto a terceira – Niño con piruleta sentado debajo de una silla (1938) – foi a obra escolhida para ser revelada perante a imprensa e os convidados. É uma pintada no auge do vigor artístico de Picasso: um retrato a preto e branco, cubista, reminiscente das figuras encurraladas em Guernica.

O Retrato de Émilie Marguerite Walter (Mémé) (1939) é do mesmo estilo, mas a avó de Maya, a mãe sueca de Marie-Thérèse, é pintada a cores.

A escultura La Venus del Gas (1945) demonstra a capacidade de Picasso de surpreender: o artista utilizou um queimador a gás, endireitou-o, colocou-lhe um pedestal de madeira e transformou-o magicamente numa deusa com um ar pré-histórico.

El Bobo (1959) concentra toda a influência dos grandes mestres. Trata-se de uma pintura a óleo que se apropria da figura do anão da corte, tão frequentemente retratada por Velázquez.

Picasso estava também muito interessado na pintura do seu país anfitrião, pelo que a sua filha doou ao museu um caderno de esboços do Almuerzo sobre la Hierba de Edouard Manet (1863).

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Cabeza de hombre é uma pintura a óleo de 1971, que foi escolhida para ilustrar a capa do catálogo da última exposição da vida do artista.

A última peça doada a França não é uma obra de Picasso, mas uma peça que o acompanhou durante toda a sua vida desde que a comprou, na primeira década do século XX: uma estatueta Tiki das Ilhas Marquesas, um magnífico exemplo de arte primitiva.

  ZAP //

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