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Ativistas exigem fim de testes de virgindade a candidatas a polícia na Indonésia

Austronesian Expeditions / Flickr

A Human Rights Watch (HRW) apelou à polícia nacional da Indonésia para acabar com os testes de virgindade às mulheres candidatas a integrar aquela força de segurança.

Segundo a Organização Não Governamental (ONG), as candidatas devem ser solteiras e virgens e é normal exigir um exame clínico em muitas estruturas policiais daquele que é o maior país muçulmano do mundo, apesar de a hierarquia já ter ordenado o fim desse tipo de inspeção.

Em entrevistas à HRW, citadas pela AFP, várias mulheres descrevem o exame clínico como “doloroso e traumático”: as candidatas são despidas perante médicas e sujeitas a um “teste de dois dedos” para avaliar se ainda são virgens, um método que a ONG classifica de arcaico e incorreto.

“Não me quero lembrar dessas más experiências. Foi humilhante”, afirmou uma jovem de 19 anos à HRW, que fez o teste na cidade de Pekanbaru, no oeste da ilha de Sumatra.

“Porque é que temos de tirar as nossas roupas em frente de estranho, penso que isso deveria parar”, acrescentou.

Nisha Varia, responsável da HRW para os direitos das mulheres, classificou os exames como uma “prática discriminatória que magoa e humilha” as candidatas.

“As autoridades policiais em Jacarta têm de abolir, imediata e inequivocamente, o exame e fazer cumprir essa decisão”, disse a responsável.

Estes exames contrariam as normas gerais da polícia mas, até ao momento, pouco tem sido feito para forçar uma alteração dos procedimentos tradicionais, acusou ainda Nisha Varia.

Em resposta, o porta-voz da polícia, Ronny Sompie, afirmou que as candidatas são sujeitas a um “exame de saúde abrangente” e que o objetivo é avaliar se têm doenças sexualmente transmissíveis.

Mesmo que as candidatas não sejam virgens isso não é motivo para chumbar nos exames clínicos, acrescentou o responsável.

Contudo, a HRW recordou que o comandante nacional da polícia indonésia, Sri Rumiati, já havia justificado a posição das autoridades, em 2010.

“Queremos ter prostitutas a juntar-se à polícia?”, disse então Sri Rumiati, em resposta às mesmas críticas dos ativistas de direitos humanos.

As mulheres compõem 3% do efetivo policial de 400 mil agentes em todo o país.

/Lusa

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