“Conseguimos novamente”: 540 animais mortos após montaria. Matos Fernandes quer revogar lei da caça

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Os animais mortos na Quinta da Bela, na Azambuja

Cerca de 540 animais, entre os quais javalis, gamos e veados, foram mortos numa montaria de 16 caçadores que ocorreu na semana passada na Quinta da Torre Bela, na Azambuja. Agora, o caso está a gerar polémica e Matos Fernandes já deu ordem para revogação da licença de caça e queixa ao Ministério Público.

As fotos da caçada foram publicadas nas redes sociais e os autores acompanharam-nas com uma descrição que dava conta de um “super recorde”. Na legenda pode ler-se “conseguimos novamente! 540 animais com 16 caçadores em Portugal! Um recorde!”.

A situação está a causar grande indignação em Portugal, e o Ministro do Ambiente já reagiu. João Matos Fernandes vai revogar de imediato a lei da caça, depois da “gabarolice de um ato vil”, que se prende com a morte de centenas de animais. A garantia foi dada em declarações à TSF.

As fotografias publicadas geraram indignação, e João Pedro Matos Fernandes faz eco do mesmo sentimento: “A caça repovoa um conjunto de ecossistemas, existe, é autorizada, para gerir recursos energéticos. Não é para matanças generalizadas”. Chocado com as imagens, o ministro reconhece que pode ter sido cometido um crime.

O governante posicionou-se contra um ato que descreveu como “inaceitável” e disse que a lei da caça não serve “para chegar lá e fazer o que foi feito”. O responsável pela pasta do Ambiente acredita que a “alteração certamente será promovida”, apesar de o tema não ter ocupado o espaço público nos últimos tempos.

O ministro admitiu também um processo de revisão das montarias, para que haja uma maior fiscalização, e adiantou que está em curso o apuramento dos pormenores para uma queixa ao Ministério Público.

“Situação de abate indiscriminado”

Segundo revela o jornal “O Mirante”, foram ouvidos tiros durante todo o dia de quinta-feira, 17 de dezembro. A montaria terá juntado 16 caçadores e foi promovida por uma empresa espanhola, que todos os anos promove ações de caça na Península Ibérica.

“É uma situação de abate indiscriminado, que é despropositado e não podemos pactuar com uma situação destas”. Silvinio Lúcio, vice-presidente da Câmara da Azambuja e vereador com o pelouro do ambiente da Câmara, descreve assim situação em declarações ao Observador.

Em declarações ao diário digital Fundamental, Silvino Lúcio descreveu ainda mais pormenores da situação. Segundo o autarca, os animais foram “massacrados”, uma vez que não podiam fugir, pois estavam “confinados aos muros da propriedades”.

O PAN também já reagiu e considera que “matar por regozijo e desporto é desumano”.

O partido, que se salienta pela defesa dos animais, alerta que a zona da Quinta da Torre Bela é de “grande sensibilidade ecológica” e que está “envolta em polémica”, uma vez que está prevista a “instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares e cujo Estudo de Impacte Ambiental encontra-se em fase de consulta pública até 20 de janeiro de 2021”.

A Quinta da Torre Bela, na Azambuja, possui uma “área murada com cerca de 1000 hectares” – é “uma das maiores tapadas da Europa”, lê-se no site da quinta.

No seguimento deste acontecimento, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas já enviou uma nota à comunicação social, referindo que “não teve conhecimento prévio desta ação”, que ocorreu numa zona de caça concessionada como Zona de Caça Turística (ZTC) de Torre Bela à Sociedade Agrícola da Quinta da Visitação, SAG, Lda.

“O Plano de Ordenamento e Exploração dessa ZTC prevê a exploração do veado e do javali, pelos métodos previstos na lei, onde se incluem as montarias”, acrescenta o ICFN.

O ICFN adianta ainda que, “considerando o número de animais abatidos” divulgados pela comunicação social, iniciou um processo de averiguações junto da entidade gestora da ZCT para “apurar os factos e eventuais ilícitos nos termos da legislação em vigor”.

O caso está a gerar uma onde de críticas nas redes sociais, sendo que já são muitas as pessoas que pedem que se faça justiça com os responsáveis pelo sucedido.

Ana Isabel Moura Ana Moura, ZAP //

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22 COMENTÁRIOS

  1. Sou caçador, mas acho um absurdo o que foi feito.
    Conheço relativamente bem a lei da caça e pelo menos na caça menor existem limites de abate.
    Se na caça maior não existem, então quem faz as leis também falhou e continua a falhar por nunca ter feito essa revisão.
    Como muitas vezes os governos apenas querem saber da caça para receber o dinheiro das taxas e licenças, mas fazer alguma coisa pela mesma nada…
    Na ausência de tais limites, o bom senso dos caçadores e organizadores envolvidos devia ter imperado. Tenho vergonha por tal não ter sucedido.

  2. O que está a ser comentado não tem a ver com nenhuma montaria! Tem a ver com um abate num “galinheiro” de caça maior, onde 16 cidadãos endinheirados se dispuseram a pagar (carissimo) um acto que imaginam ser caça. Desde que foi vendida pelo Duque de Lafões, na sequência de ter sido tomada de assalto e vandalizada pelos comunistas que a Quinta da Torre Bela tem conhecido desnortes vários incluindo este.
    De igual forma se portou o sr. Dr. Alberto João quando mandou os Serviços Florestais chacinar as “cabras das desertas”, espécie asselvajada que habitava as ilhas selvagens desde a sua introdução na ilha pelos primeiros navegadores portugueses.

  3. Acho que os verdadeiros animais ficaram vivos, e quem morreu foram os seres superiores, belos e inocentes vítimas desses mesmos animais. Verdadeiros energúmenos que ainda por cima se vangloriam do prazer de assassinar. Faça-se justiça e haja outra montaria desta vez tendo em vista estes novos animais assumidos.

  4. Parece-me que as pessoas reagem com a indignação mal direccionada.
    As nossas sensibilidades presentes estão a confundir o nosso julgamento.
    Provavelmente, tudo isto será esclarecido num futuro próximo. mas, tenham o seguinte em consideração:
    Animais silvestres confinados em espaços delimitados e sem predadores naturais são um perigo, principalmente, para as próprias espécies, os ecossistemas onde vivem e o ambiente em geral.
    Sobrecarga sobre os recursos disponíveis e propagação de doenças são apenas alguns dos problemas que podem gerar.
    Uma tal matança só pode justificar-se como uma acto de ‘controlo’ de populações.
    Deixar acumular animais em números insustentáveis ao ponto de ter de se organizar uma ‘chacina’, pode ser falta de bom senso e incompetência na gestão dos recursos. Mas, daí a considerar ‘animais’ e ‘criminosos’ aqueles que a levaram a cabo é uma hipocrisia intolerável e demonstra que os julgamentos de valor a que estamos sujeitos por grupos de pressão motivados por hipersensibilidades estão a toldar-nos as noções de bom senso.
    Algo que tem de ser feito, por qualquer método, não passa a ser um acto criminoso só porque quem o faz fá-lo por gáudio, desporto ou prazer. Esse é um juízo de valor que toca a cada um de nós que tenha de viver com um acto ignóbil marcado na sua consciência para o resto da sua vida.

  5. Acho que infelizmente isto vai dar em nada, ainda por cima os criminosos sao Espanhois que por ex: tem Touradas aonde matam Touros na Arena, gente sanguinária, e de nenhum sentimento Humano. Elementar seria terem sido preso no local, agora já estao em Espanha com advogados na defesa.

  6. Aquilo foi uma pura chacina, culpados têm que ser vários desde proprietário do terreno à agência que organizou tal massacre, passando mesmo certamente pela própria lei. Assassinar de tal forma animais sem qualquer hipótese de fuga, só mesmo criminosos ou gente completamente anormal, abrigados certamente sob o capote de um certo capitalismo que os leva a crer serem donos disto tudo, mas tão desprovidos de massa encefálica. Se o número de animais era em excesso para o terreno em questão o que me leva a crer que sim, existem outras formas de controlo da população sem passar por essa forma tão cobarde e, em simultâneo, tão infantil de meninos mimados de atirar para cima de animais enjaulados.

  7. Deixem lá isso. Em tempo de crise, a luz vai aumentar, mais desemprego. Fome. Sem abrigo. Vamos-nos entretendo com a caça de uns privados. Já, agora. Qual é a diferença entre 16 caçadores matarem 500 animais num determinado local. Ups! E, 160 caçadores matarem os mesmos 500, em vários locais? A diferença está no facto de nos quererem desviar as atenções!

  8. Uma vergonha absoluta! Espero que o governo tenha mão pesada e coloque esses proprietários e caçadores no lugar onde devem estar…na cadeia!

  9. Pelas notícias de hoje vindas a público,foi uma chacina programada,com o conhecimento do ministro e do próprio governo.São todos uma cambada de assassinos,incompetentes e aldrabões.Deviam de ter vergonha na cara coisa que não têm.

  10. o ato é condenável porém…
    vejo tanto alarido por parte de muita gente, nomeadamente os políticos, mas depois parece que as coisas afinal não foram tão ilegais quanto isso.

    Lamento ainda, e muito, a revolta do ministro do ambiente sobre esta situação mas não o ouvi dizer rigorosamente nada sobre as 14 morte de legionela na zona de matosinhos. o que aconteceu não foi tambémum crime? não foi um crime ambiental dado ter que se cumprir com requisitos ambientais como a garantia de desinfeção das torres de refrigeração?

    E eliminar milhares de arvores, incluindo sobreiros para se colocar painéis solares com centenas de milhares de metros cúbicos não devera ser também um crime ambiental? parece-me que não pois deve ser a mão de algum membro do governo tal como se vai verificar a norte com as explorações de lítio.
    Ainda esta semana se falou da Galp e da conversão energética que deve ser feita de forma a garantir-se a conversão de meios, empregos, etc… e o que diz o ministro do ambiente? nada…

  11. Sou capaz de entender a revolta de algumas pessoas pelo abate de tantos animais, mas esse acto foi aprovado para controlo dos efectivos numa área licenciada para energia fotovoltaica, incompatível com a presença destes animais.
    Estes animais foram criados para abate por caçadores turistas, ZCT – Zona de Caça Turística, e, ao que foi argumentado, este abate teria que ser feito rapidamente para se implementarem os painéis fotovoltaicos.
    A haver crime seria primeiramente do legislador que licenciou esta ZCT, depois, do legislador que aprovou e licenciou o parque fotovoltaico e finalmente, dos políticos que não defenderam a porcaria que fizeram e se aproveitaram do burburinho para sacudir a água do capote como se fossem uns santinhos.
    Como sabemos, os políticos safam-se sempre, em breve o povo esquece e fica tudo por isso mesmo…
    Caça turística é uma expressão que eu desconhecia, uma forma de proporcionar prazer fácil de matar a quem tem dinheiro, mas precisamos de entender que todo o caçador mata por prazer, seja onde for, estes apenas são caçadores de luxo, têm dinheiro para isso.

  12. A chacina podia ter sido evitada, se ainda houvesse fiscalização.
    Os veados poderiam ter sido capturadas, com redes, ou dardos, e colocados em florestas um pouco por todo o país.
    Mas quanto aos javalis… duvido que alguma freguesia de Norte a Sul os aceitasse.
    Como não têm predador, causam estragos nas culturas por onde passam, isto sem que os agricultores sejam indeminizados.
    Além disso grande parte está infectada com tuberculose, transmissível ao homem.
    É muito giro fazer uma caçada ao luar, mas quem os alimenta e tem azar com eles nunca é ressarcido.

  13. A caça turística existe, basta consultarmos as empresas que exploram o safari no continente africano. Países como o Zimbabwe, Botsuana, Namíbia, África do Sul mantém áreas reservadas , próprias para a prática esportiva da caça. Fala-se em figuras internacionais importantíssimas que, anualmente, se deslocam com um verdadeiro arsenal de guerra para tais finalidades esportiva – caçada aos leões, elefantes, rinocerontes, e outros animais exóticos da savana africana. Inclusive, um personagem da nobresa peninsular, Monarca de sete costados, costumava participar de safaris nas suas “saidinhas” pelas savanas africanas. Era muito prevenido, porquanto, levava “gazelas” em sua companhia e a “matança” era feita em tenda armada ao ar livre; na confortável e aconchegante alcova ouvia-se os “tiros de carabina” e a “caça” gemendo de dor e alegria ao mesmo tempo. Os amantes da caça esportiva são de variadas intenções, desde o que exerce o modo perverso de predador cruel, até o que vai em expedições culturais para conhecer as regiões inóspitas . Os governantes não estão levando em consideração o extermínio dos animais, e sim, a receita com os euros e dólares. No mais existe muita hipocrisia dos conservacionistas , que se dizem protetores dos animais. É o que pensa joaoluizgondimaguiargondim – [email protected]

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