Voto para isolados marca o quarto dia de campanha. Eis as reacções dos partidos

Alberto Valdes / EPA

O anúncio de Francisca Van Dunem marcou o dia de campanha eleitoral dos vários partidos, que foram comentando a decisão do Governo.

Os vários partidos já foram reagindo ao longo do dia ao anúncio do Governo sobre o voto em isolamento. Os eleitores que se encontrem em isolamento devido à covid-19 podem sair de casa para votar no dia 30 de janeiro, anunciou hoje a ministra da Administração Interna, adiantando que o Governo recomendará uma hora específica.

“O período mais adequado será, provavelmente, a última hora, entre as seis (da tarde) e as sete”, declarou Van Dunem.

PS: “O horário está fixado na lei”

Em campanha em Beja, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, comentou esta decisão à saída de uma empresa agrícola, assinalando que a solução encontrada, no seu entender equilibrada, é uma recomendação e não uma imposição.

“O horário está fixado na lei, a lei não pode ser alterada, é uma lei da Assembleia da República e, portanto, todos os cidadãos têm o direito a votar à hora que entenderem. O que é que o Governo pode fazer? É recomendar”.

PSD: “O espaço de tempo é muito curto”

O presidente do PSD, Rui Rio, considerou que é “curta” a solução anunciada, com uma hora recomendada, e defendeu a colocação de mesas próprias para os que estão infetados.

“Primeiro entendo que é curto, esse espaço de tempo é muito curto, entre as seis e as sete, é muito pouco tempo. Depois acho que devia haver mais mesas, porque se houver mais mesas há mais dispersão das pessoas”, afirmou o líder do PSD à chegada a uma ação de campanha em Viseu.

Depois, acrescentou, gostaria que o Governo “explicasse, porque pode ter explicação para isso, porque é que “não vai haver mesas específicas e próprios apenas para aqueles que estão confinados e, particularmente, aqueles que estão infetados”.

“Isso era a solução que eu procuraria. Pode haver razões de ordem logística que não o permitem, eu não estou no Governo, não sei. Mas sinceramente aquilo que era aconselhável, primeiro era que as pessoas tivessem mais tempo e tivessem mesas próprias ”, frisou.

Rui Rio acrescentou ainda que, as mesas próprias “permitiam, não só, que não tivessem contacto com outras pessoas como permitiam que os próprios membros da mesa se pudessem organizar de forma a estar muito distantes daqueles que vão chegar para votar”.

CDS: “Resultado pode ficar viciado”

Francisco Rodrigues dos Santos considerou que “a montanha pariu um rato” e alertou que o resultado das eleições pode ficar “de certa maneira viciado”, já que “semanas e semanas depois de especulação e de tabu”, o que o Governo veio dizer “é que vai fazer uma resolução em Conselho de Ministros que permita aos infetados e aos confinados exercerem o seu direito de voto numa janela horária de domingo”.

“Ora, para isto não era preciso os portugueses terem esperado tanto tempo, bastava que o Governo se dignasse a reunir e a anunciar esta decisão aos portugueses, em vez de ter criado um tabu e ter empurrado o problema com a barriga, e não apresenta solução rigorosamente nenhuma que garanta a segurança e a tranquilidade no exercício do direito de voto aos portugueses em geral”, criticou.

O líder centrista voltou a propor que a eleição decorresse em dois dias – “no dia 29 para infetados e confinados, no dia 30 para a população em geral”, já que “assim ninguém ficaria impedido de exercer o seu direito de voto” e podiam fazê-lo “em liberdade e em segurança” e sem o risco do resultado ser “viciado”.

IL: “Decisão tomada em cima da hora”

O presidente da Iniciativa Liberal (IL) mostrou-se satisfeito pelos eleitores que se encontram em isolamento devido à covid-19 poderem sair para votar em 30 de janeiro, mas lamentando a decisão “tomada em cima da hora”.

“É uma decisão que nos deixa satisfeitos porque é um direito fundamental no sistema democrático e que vai poder ser exercido por centenas de milhares de portugueses no dia 30. Mas, a satisfação que temos pelo direito de voto dos portugueses poder ser exercido é maior do que o descontentamento de Portugal, mais uma vez, reagir tarde às coisas”, disse João Cotrim de Figueiredo.

O líder liberal lembrou que a IL chamou à atenção para este problema há já mais de um mês e propôs, há cerca de 10 meses, que os atos eleitorais pudessem realizar-se em dois dias consecutivos, mas nenhum dos outros partidos achou, na altura, que isso merecesse sequer discussão.

Chega: “Medida veio tarde”

O líder do Chega, André Ventura, considerou que a solução anunciada pelo Governo para o voto dos eleitores em isolamento vem “tarde” e defendeu circuitos diferenciados para evitar risco de infeção.

A medida veio tarde. Nós esperávamos que isto já tivesse sido decidido há mais tempo”, afirmou o presidente do Chega, no final de uma arruada, em Viseu.

Para além da demora na definição da medida, André Ventura criticou a solução de um horário diferenciado para pessoas infetadas, considerando que deveria haver circuitos alternativos para pessoas em isolamento, pelo menos nas cidades mais populosas.

BE: “Uma boa solução”

A coordenadora do BE considerou uma “boa solução” aquela que foi encontrada para os isolados poderem votar, sublinhando que “votar é seguro” e que as pessoas podem ainda inscrever-se para exercer o seu direito de forma antecipada.

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“Achamos que essa é uma boa solução que consegue corresponder aos direitos todos que aqui estão em jogo, mantendo a segurança. Votar é seguro e é tão importante ter esta tranquilidade, saber que toda a gente tem direito ao voto de uma forma absolutamente segura e até utilizando as duas datas: voto antecipado e votar dia 30”, respondeu Catarina Martins, quando questionada sobre a decisão, à margem de uma arruada pela zona do Chiado, em Lisboa.

Catarina Martins recordou que há duas possibilidades de voto e que, no caso do voto antecipado, as pessoas podem “inscrever-se até quinta-feira e isso é muito importante”.

CDU: “É preciso desdramatizar”

O deputado comunista João Oliveira considerou hoje que “há todas as condições para” para que o ato eleitoral decorra sem constragimentos quer para os isolados quer para os restantes eleitores, afirmando que é preciso confiar nos portugueses.

“Há regras para cumprir para que todos possamos exercer o nosso direito de voto, em condições de segurança, quer as pessoas que não estão isoladas, quer as pessoas que estão em isolamento”, disse João Oliveira, à margem de um contacto com trabalhadores de uma fábrica de baterias, no âmbito das eleições legislativas, em Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira (Lisboa).

“Acho que é preciso desdramatizar algumas coisas. Se as pessoas estão confinadas também têm de sair de casa para ir a consultas médicas, inclusivamente às próprias consultas médicas de acompanhamento da situação em que estão, para a realização de testes. Já há circunstâncias em que isso tem de acontecer”, concluiu.

PAN: “Uma hora é insuficiente”

A líder do PAN, Inês Sousa Real, apelou hoje ao Governo para alargar o horário da votação destinado aos eleitores em isolamento devido à covid-19 nas legislativas de 30 de janeiro, considerando que “uma hora é insuficiente”.

“Sendo este o quarto ato eleitoral em pandemia, não nos faz qualquer sentido que não se assegure um maior alargamento de horário e é esse o repto que deixamos ao Governo para que se organize neste sentido”, afirmou.

A porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) realçou que se trata de “uma solução de meio termo” e pediu que “a legislação que venha a ser produzida pelo Governo acautele também o maior alargamento do horário de votação, em particular, até às 20:00”.

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  ZAP // Lusa

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