O Vesúvio matou os habitantes de Pompeia em apenas 17 minutos

(pd)

Pompeia foi dizimada em 79, quando o Monte Vesúvio entrou em erupção e milhares de pessoas na cidade e nas proximidades de Herculano morreram. Agora, um novo estudo sugere que bastaram 17 minutos para as cinzas e o gás libertados matarem o antigo povo.

As cerca de duas mil pessoas que morreram em Pompeia após a erupção do Monte Vesúvio não foram apanhadas por rios de lava, mas sim por uma nuvem gigante de cinzas e gás ejetada pelo vulcão.

Estes destroços cobriram, mais tarde, os seus corpos, preservando as suas posturas e marcando o início do mistério que, durante muito tempo, inspirou os investigadores que queriam descobrir o que realmente acontecera naquele dia.



A cidade de Herculano, que se situava no fundo do vulcão, não tinha hipóteses contra o Monte Vesúvio. Contudo, Pompeia, a 10 quilómetros de distância, poderia ter tido mais sobreviventes se o fluxo piroclástico da montanha tivesse durado menos de 17 minutos.

Segundo o IFLScience, a preservação das vítimas de Pompeia – moldes de gesso das reentrâncias dos corpos deixados nas cinzas em vez dos próprios cadáveres preservados – forneceu pistas sobre como estas pessoas morreram. As teorias vão desde asfixia, serem rapidamente aquecidos até à morte sem tempo para sufocar, ou até terem sido queimados vivo numa morte mais prolongada e dolorosa.

Um novo estudo analisou a duração do fluxo piroclástico – a nuvem densa de cinzas, gás e vidro vulcânico – que atingiu a cidade e a velocidade com que as partículas viajavam.

Este modelo revelou que a nuvem, que tinha uma temperatura de mais de 100ºC, provavelmente engolfou a cidade durante 10 a 20 minutos, com a duração média do fluxo a ser 17 minutos – tempo suficiente para a inalação das cinzas quentes ser letal.

Este estudo aponta ainda que foram encontrados fragmentos de roupas que não foram queimados pelas correntes de densidade piroclástica (PDC), indicando uma temperatura abaixo do ponto de decomposição para tecidos como seda e lã, que é de 130°C e 150°C respetivamente.

As cinzas finas de erupções vulcânicas podem percorrer um longo caminho e podem ser muito prejudiciais à saúde humana, mesmo em pequenas quantidades. De acordo com os cientistas, os humanos podem sobreviver ao ar quente puro entre 200 a 250ºC, mas as cinzas finas quentes inaláveis ​​reduzem enormemente esse tempo.

Os investigadores referem também que o tempo de exposição é fundamental, apontando para um estudo anterior que mostrou pessoas que presenciaram as erupções do vulcão Merapi, em Java, em 1994 e 2010, sobreviveram ao ser expostas durante apenas alguns minutos.

Por outro lado, esta é a primeira vez que a duração das correntes de densidade piroclástica foi quantificada usando Pompeia como modelo.

Estudos anteriores sugeriam que as poses das pessoas indicavam que não tinham morrido de asfixia, mas sim de calor extremo, ficando os seus corpos em rigor mortis instantâneo, com as temperaturas a atingir os 300°C numa fração de segundo.

Compreender a taxa e a duração dos fluxos piroclásticos dos vulcões pode ser crucial para o planeamento de métodos e políticas de evacuação para os habitantes que vivem nas proximidades de vulcões sujeitos a erupções.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Scientific Reports.

Maria Campos, ZAP //

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