Há mesmo um urso pardo em Portugal. ICNF confirma que foi avistado em Bragança

As autoridades portuguesas confirmam a presença em Portugal de um urso pardo, espécie considerada extinta no país desde 1843. O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) revela que foi avistado no Parque Natural de Montesinho, em Bragança.

Numa nota enviada ao Expresso, o ICNF refere que foi visto “pelo menos” um urso pardo “no Parque Natural do Montesinho, no Concelho de Bragança e numa zona próxima da fronteira com Espanha”.

“A administração regional [de Castela e Leão] alertou para a presença deste urso às autoridades portuguesas, que finalmente confirmaram a sua descoberta”, sublinha o governo regional de Castela e Leão em comunicado divulgado pela Lusa.

Esta confirmação surge depois de rumores que surgiram nas redes sociais, dando conta da presença de um urso pardo em território português.

As autoridades ambientais regionais espanholas informam que, nos últimos dias de Abril, verificou-se a existência de estragos num apiário (conjunto de colmeias) na cidade de ‘La Tejera’, tendo os funcionários do governo regional de Castela e Leão constatado que o incidente foi da responsabilidade de um urso pardo.

Paralelamente, e dada a proximidade da fronteira portuguesa, a presença do dito urso foi comunicada ao ICNF, para o caso de o animal continuar a sua viagem para o sul, “facto que acabou por acontecer há poucos dias”.

“Dá-se a circunstância de ser a primeira vez, nos últimos dois séculos, em que a presença desta espécie” em Portugal “é confirmada de maneira confiável”, asseguram as autoridades regionais espanholas.

O animal avistado na região de Sanabria “pode pertencer” à sub-população ocidental da Cantábria, que tem cerca de 280 exemplares e a julgar pelos sinais detectados, pode ser um adulto em dispersão, de acordo com o Serviço Territorial de Meio Ambiente de Zamora.

O último urso pardo que viveu em Portugal foi morto em 1843 no Gerês, depois de ter existido em todo o país, assegura o livro “Urso Pardo em Portugal — Crónica de uma extinção”, de Paulo Caetano e Miguel Brandão Pimenta, publicado em 2017.

Na investigação que deu origem ao livro, os autores chegaram a uma notícia da morte do último urso em Portugal em 1843, abatido pela população no Gerês, o que foi uma surpresa. “Os últimos dados que comprovavam o desaparecimento do urso referiam-se a 1650, também no Gerês”, notam os autores da obra.

Segundo os autores, em Espanha, o urso também foi regredindo no território e refugiou-se nas altas montanhas, nas Astúrias, onde também esteve ameaçado. Mas as autoridades espanholas adoptaram medidas de conservação e os dois grupos populacionais da espécie estabilizaram.

Segundo o site “Portugal num mapa”, o urso-pardo é a segunda maior espécie de carnívoro do mundo, a seguir ao urso-polar (Ursus maritimus). Um urso-pardo adulto em média mede 1,4 a 2,8 metros de comprimento (inclui-se a cauda) quando está sobre as quatro patas e de 0,7 a 1,53 metros de altura até ao ombro, e pesa mais de 200 quilogramas para os machos e mais de 150 quilogramas para as fêmeas.

ZAP // Lusa

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